Simplesmente Mulher

 

               Não importa quem ela seja. Não importa se é uma grande executiva ou se optou por cuidar da casa e dos filhos; também não importa se desempenha todos esses papeis ao mesmo tempo. Seja ela quem for, mãe ou religiosa, antiga ou moderna, ela é simplesmente ela. Mulher.

               Bendito seja Deus que criou as mulheres a sua imagem e semelhança.

Com certeza não as criou para serem oponentes ao homem. Não as criou para serem superiores, nem inferiores. As criou para dá equilíbrio ao mundo. Para caminhar junto, para dá cor e sabor, beleza e leveza à vida.

 

               No entanto, não é fácil ser mulher, nunca foi e todos sabem. Mas os tempos são favoráveis a um melhor entendimento do seu papel na sociedade e falar sobre isso deixou de ser um discurso feminista para ser uma condição de protagonismo. As mulheres cada vez mais querem conquistar o reconhecimento do seu valor, seja qual for a sua condição social ou econômica, seja qual for a sua atividade cotidiana.

 

               Nesta edição, convidamos os nossos leitores à refletir sobre o tema. Não só no dia internacional da mulher, nem na semana da mulher, ou no mês dedicado a mulher, mas todos os dias do ano e, que essa reflexão possa leva-los a uma mudança (se necessária) de conceito, de postura, de discurso.

 

               O artigo foi escrito por três jovens da nossa comunidade: Caroline Zanotta, Marcelle Freitas e Yris Barros.

 

               Logo em seguida, publicamos o depoimento de três mulheres, também da nossa comunidade, com idades entre 25 e 50 anos, que por motivos óbvios pediram para não ter a identidade revelada. Nosso objetivo é trazer ao debate o quanto é comum o silêncio a que as mulheres de um modo geral se impõem como única alternativa frente aos abusos a que são expostas e chamar a atenção de todos para o absurdo que isso representa.

 

A participação da mulher na sociedade
 

Como igreja, somos chamados a levar os valores do evangelho para nossa vida em sociedade. A campanha da fraternidade anualmente nos convoca a sermos uma igreja atuante em busca de transformação social. Não podemos ser indiferentes às necessidades daqueles que estão ao nosso redor, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1).

Este ano, temos a oportunidade de refletir e agir sobre aquilo que hoje perpassa todos os âmbitos de nossas vidas e vem a cada dia contaminando as nossas esperanças de viver em comunidade, com respeito a dignidade de cada um de nós: a violência. A Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a  “construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência” e diante desse convite, no mês que celebramos a luta travada pelas mulheres por igualdade, queremos convidar a todos a se debruçarem sobre a violência enfrentada por nós cotidianamente, sobre a história de conquistas que permitiu que hoje pudéssemos ocupar o lugar que ocupamos, e o mais importante, as conquistas pelas quais ainda precisamos lutar para que possamos superar a violência e gozar da cultura de fraternidade que como Igreja almejamos construir.

Em meio a flores, corações vermelhos e frases afetuosas, é importante celebrarmos o dia 8 de março, dia internacional da Mulher, nos lembrando de nossas conquistas e homenageando a todas as mulheres que vieram antes de nós.

 

 

 

O dia 8 de março é também memória das organizações femininas oriundas de movimentos operários que protestavam desde o final do século 19 para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil. Com jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e salários medíocres, as mulheres não se calaram e fizeram inúmeras greves a fim de garantir alguma dignidade em seu trabalho.

 

Em 25 de março de 1911, em uma fábrica têxtil de Nova York, cerca de 130 operárias morreram carbonizadas, marcando a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, episódio que até hoje é lembrado na data 8 de março como uma homenagem a todas as mulheres que tiveram suas vidas sacrificadas na luta por condições dignas de vida e trabalho.

 

Que possamos nos orgulhar ao olhar para a nossa história, mas não nos demoremos, pois infelizmente as estatísticas ainda estão contra nós:

Jornada de trabalho feminina tem 7,5 horas a mais do que a masculina, segundo o IPEA.
Diferença de salário médio de homens e mulheres pode chegar a quase R$ 1 mil no país, aponta IBGE.
O Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, isto é, assassinato em função de seu gênero. Cerca de 30% foram mortas por parceiro ou ex, segundo Mapa da Violência de 2015.

O assassinato de mulheres negras aumentou (54%) enquanto o de brancas diminuiu (9,8%), segundo Mapa da Violência de 2015.
Cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Quem mais comete o crime são homens próximos às vítimas, segundo o IPEA.
Há, em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país, segundo o Ministério da Saúde.
No estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos, segundo o Instituto de Segurança Pública.
 

As estatísticas são aterrorizantes, jogam luz sobre o cenário ainda degradante que as mulheres precisam enfrentar e convocam a todos nós para a batalha que está longe de chegar ao fim. Enfrentamos o desafio como cristãos de nos posicionarmos contra uma lógica que coloca a mulher em uma posição inferior, tendo suas capacidades, seus direitos e sua autonomia questionados; tendo seus corpos e integridade violentados.

Gostaríamos de lembrar nessa matéria sobre a história de Santa Inês, uma mulher que queria se consagrar a Deus e para viver sua vocação disse não a um pedido de casamento. Num contexto de perseguição cristã, o seu não lhe custou uma condenação. Inês foi condenada a ser exposta nua em um prostíbulo à mercê do abuso de qualquer homem. Ela pediu proteção a Deus e Deus a protegeu com uma luz celestial para que ninguém pudesse se aproximar, em seguida seus cabelos cresceram e cobriram todo seu corpo. Nenhum homem conseguiu abusar de Inês, ela foi torturada e ao fim decapitada. O sofrimento de Inês se aproxima ao sofrimento de muitas mulheres que são impedidas de escolherem, que tem suas vontades desconsideradas, que tem seu corpo abusado e violado.

Papa Francisco, na exortação apostólica Evangeli Gaudium afirma que “As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente.”

Como igreja enquanto indivíduos, enquanto família e enquanto comunidade, estejamos atentos ao reproduzir situações de violência contra as mulheres, ao desqualificar suas capacidades ou suas dignidades e até mesmo ao silenciar enquanto testemunhamos qualquer uma dessas situações.

Não nos excluamos desse debate, pois a história da nossa igreja é sustentada pela história de muitas mulheres fortíssimas a enfrentar a violência, o descrédito e o domínio masculino. Abracemos ainda hoje, dentro de nossa comunidade, todas as mulheres que precisam de acolhimento, de suporte e do amor de Cristo por vivenciarem situações de violência, mulheres que não tem outra escolha a não ser serem fortes e guerreiras. Mulheres, parabéns pelo dia 8 de março, parabéns pelo mês dedicado às mulheres, vocês merecem o mundo inteiro!

 

 

DEPOIMENTO 1

 

               A notícia da sua morte era esperada. Fazia tempo que estava doente, mas eu não o visitei e confesso que meu coração petrificou com a notícia de que ele tinha morrido. Não chorei e nem fui ao enterro.

               Depois de tantos anos, algumas lembranças vieram como uma bomba sobre minha cabeça. Não sei para onde foram todas as pessoas. Como me deixaram sozinha com ele? Por que? Algumas lembranças estão aprisionadas em uma parte de mim, que se recusa a reviver integralmente aquele momento. Mas ele abusou de mim, isso eu não esqueci. Não sei ao certo quantos anos eu tinha, acho que uns oito anos… Eu era só uma menina! Nem tinha trocado todos os meus dentes. Com quantos anos uma criança troca os dentes? Como ele pôde fazer aquilo comigo? Ele tapou a minha boca, eu não conseguia respirar. Depois me ameaçou. Se contasse, minha mãe me daria a maior surra de toda a minha vida; Se eu contasse minha mãe não ia mais me amar; se eu contasse minha mãe me colocaria em um orfanato.

               Não quero ficar remoendo tudo isso, afinal, realmente eu nunca contei a ninguém, mas agora com a notícia da sua morte, tudo veio à tona. Não vou contar à mamãe, ela já está tão velhinha… e amava o irmão. Não vou denegrir a imagem dele, mas eu não gosto dele, não gosto dele, nunca gostei.

 

DEPOIMENTO 2

 

               Comecei a trabalhar com 18 anos. Éramos três mulheres e oito homens no setor. A proximidade com eles nos fez acostumar a ouvir as conversas sem nos alarmar. Falavam rindo, sobre as traições, falavam mal das sogras, quando não falavam mal das próprias mulheres. Todos os dias eu pensava que se um dia eu me casasse não seria com um homem daquele tipo.

               Alguns anos passaram, conheci um bom rapaz e já estava quase chegando à data do casamento, quando certa vez, meu chefe me chamou para ir com ele visitar um cliente importante. Fazia parte do trabalho, não estranhei. Nossa agência era na zona sul, o cliente ficava no Recreio. Tudo correu bem, mas no retorno, no carro dele, senti que algo não estava normal. Já estava anoitecendo, era um dia frio, o bairro ainda era pouco habitado. Meu chefe começou a falar de um jeito totalmente diferente comigo. Dizia, entre outras coisas, que eu ia ser dele, antes de ser do meu noivo. Parou o carro em uma rua qualquer e começou a me agarrar. Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo. Ele parecia outra pessoa, nunca havia percebido algum interesse dele por mim. Pedia a ele que parasse, me respeitasse, que respeitasse nossa relação profissional, que respeitasse meu noivo, mas meus apelos eram em vão. Ele me segurava com força. Tentei então descer do carro quando ele acelerou. Parecia um louco. Acelerava cada vez mais e ao mesmo tempo tentava passar a mão em mim. Apalpar o meu corpo. Vi a hora que aconteceria um acidente, pois travamos uma luta; eu me debatia, segurava a mão dele. Soltei o cinto de segurança e mordi o seu antebraço, quando ele então virou a mão no meu rosto, me xingando de nomes vulgares… Eu nunca havia apanhado, nem do meu pai e aquele homem bateu no meu rosto. Foram momentos horríveis, de medo, de raiva, de indignação… Nem gosto de lembrar o que vivi, tudo isso acontecendo com o carro em movimento. Enfim, quando finalmente ele foi obrigado a quase parar o carro em um sinal fechado eu abri a porta e desci correndo. Fui para casa chorando e no dia seguinte não fui trabalhar. Não sabia o que fazer. Tive medo de contar ao meu noivo, medo de acontecer uma briga, uma tragédia. Tive medo e vergonha de contar a minha família. Falei com uma das meninas do setor, que era mais velha. Ela me aconselhou a esquecer. Afinal, ele era o meu chefe e o gerente geral, que estava acima dele, fazia parte da equipe, convivia com ele, saiam para almoçar juntos sempre. Qual entre aqueles homens acreditaria em mim? Humilhada, indefesa e sozinha, resolvi calar, mas pedi transferência para outra agencia. Até sair a transferência, fui obrigada a conviver com o sorriso de sarcasmo dele e seu olhar de vitória, quando me encarava. Ele sabia que eu não ia contar, ele sabia que ficaria impune.

 

DEPOIMENTO 3

 

               Trabalhava com vendas. Era uma equipe grande, porém eram poucas mulheres. Tínhamos que cumprir metas, que eram iguais para todos. Sempre fui muito dedicada e do tipo que corre atrás, então nunca deixei de cumprir as metas impostas. Eu vendia muito.

               Passados dezoito meses, certa vez, conversando com um vendedor de quem fiquei muito amiga, ele me falou quanto ganhava de comissão e outras ajudas de custo que ele tinha na empresa. Fiquei surpresa com a revelação e ele também, pois não sabíamos que havia diferença de comissionamento. Enfim, descobrimos naquele dia que o percentual de comissão das moças era 2% menor que dos rapazes e que eles tinham ajuda de combustível e verba para almoço de negócios.

               Não adiantou reivindicar a equiparação e pouco tempo depois da abordagem que fiz a respeito, com meu chefe, fui demitida.

 

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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