Apocalipse 13
O castigo definitivo (Ap 14,1-19,8)
Esgotados os castigos corretivos e tendo chegado ao seu termo o tempo do Fim, o Senhor da Igreja, revestido da túnica sacerdotal e com a faixa de ouro à altura do peito, símbolo da sua realeza, lançará sobre os homens maus os castigos contidos nas taças de ouro da ira de Deus e exterminará os reis da terra que o Dragão tentou reunir contra ele. A Cidade a grande e as cidades das nações ruirão e a Besta que reina sobre os reis da terra entregues à idolatria e que tem-se embebedado com o sangue dos mártires, será lançada ao mar como uma grande montanha e desaparecerá. Atrás dessa linguagem figurativa, toda tirada das Escrituras, está uma teologia escatológica. Pelo fato que quem age é Jesus na condição de quem grita: “Está realizado” (16,17), significa que é em virtude da sua Morte que acontece o julgamento. Aquilo que parece projetado, cronologicamente, no futuro, de fato já está em ato porque a Morte de Jesus já aconteceu, aliás, desde sempre Deus nela se comprazeu (1Pd 1,20). Abraão viu o seu dia e se alegrou (Jo 8,56). Tudo está em ato, de forma que, é com o momento da nossa morte que nos encontramos com o Filho do Homem que vem sobre as nuvens com todo poder e glória. Para os que não se contaminaram com o mundo, será o Cordeiro que eles seguirão cantando um canto novo, até as pastagens eternas; para os que bateram palmas, porque os profetas foram mortos pela Cidade, a grande, e expostos na praça da cidade, e que aceitaram na fronte o nome da Besta, para os reis da terra que a tiranizaram e fizeram morrer pela espada os servos de Deus, será o Filho do Homem que os ceifará com a sua foice e os pisará no lagar da ira de Deus. Desde sempre, os que receberam na fronte o sinal de Deus e os que lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro, triunfam com Cristo. Os que ainda não receberam a coroa da vida sabem, contudo, que reinarão com Cristo se perseverarem até o fim. João, prisioneiro por causa da Palavra e de Jesus Cristo, sabe que já participa da realeza dele. Quando uma igreja é um candelabro de ouro e é reconhecida por Jesus por causa da perfeição da sua caridade, como acontece com Filadélfia, significa que é destinada a ser a Nova Jerusalém, toda de ouro.
Os fiéis daquela igreja que, historicamente, já não existe, alcançaram essa condição quando, um após outro se tornaram cidadãos do céu. Daniel já profetizava que os que ensinariam a verdade de Deus por sua vida virtuosa, brilhariam como estrelas no firmamento, mas é João que, agora, sabe como: em virtude do Anjo forte que consumou o mistério de Deus com a sua Morte de Cruz. A leitura do Apocalipse é edificante enquanto contempla a Morte do Senhor e a celebra como condição do seu triunfo, motivação de perseverança na tribulação, sentido escatológico da História.
Nos sete anjos das sete taças temos o desdobramento do Filho do Homem “vestido com uma túnica longa e cingido à altura do peito com um cinto de ouro” (1,13). Os castigos corretivos se tornam figuras dos castigos definitivos infligidos aos maus. A Cidade terrena continua sendo descrita com tudo aquilo que foi dito pelos profetas acerca de Jerusalém, que amontoou seus pecados até o céu, e com os termos pelos quais foi execrada Babilônia, na apocalíptica de Isaias. Os hinos de regozijo dos mártires acompanham o triunfo do Cordeiro, seu vingador.
Na sua narrativa, o autor domina de tal forma as Escrituras que elas se tornam a sua linguagem. Dessa maneira, torna-se fundamental reconhecer cada citação das Escrituras que o autor faz, para poder entender corretamente, sem fantasiar, o que ele está dizendo.
Perguntas para uma reflexão
1ª) Qual teologia está atrás da linguagem figurativa que descreve os castigos que o Filho do Homem infligirá aos maus?
2ª) De que forma reinam os que perseveram até o fim no testemunho de Jesus Cristo?
3ª) Qual é o vestuário que caracteriza o Filho do Homem que vinga os seus mártires?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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