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O cântico espiritual de Paulo a Deus |SETEMBRO


ANO PAULINO 2

NO FIM DA CARTA aos colossenses, Paulo nos exorta a explorarmos a Palavra para que nos leve a toda sabedoria para que, cada qual, ao expressar o seu ensinamento e exortação na assembléia litúrgica com salmos, hinos ou cânticos espirituais, leve a assembléia a cantar a Deus nos seus corações. A carta aos efésios, que integra a carta aos colossenses e é a sua exegese inspirada, se abre exatamente com um cântico espiritual, após a saudação inicial, que Paulo eleva a Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Notamos que é seguido imediatamente pela oração de Paulo que intercede para que tenhamos um espírito de conhecimento e de revelação para conhecer a esperança da nossa vocação, a riqueza da nossa herança e o poder da ressurreição que Deus exerceu e exercerá sobre nós. Motivos da sua louvação são a benevolência com que Deus realizou o seu Plano pelo qual, no seu amor, desde sempre, visa a nossa filiação nele, por meio de Cristo com a sua imolação de cruz; a graça com a qual nos agraciou no Amado que nos remiu e que nos purifica dos nossos pecados, a ponto de podermos ser levados a toda sabedoria e entendimento e a compreender assim o mistério de Deus, que em Cristo recapitulou todas as coisas; no qual, também nos tornamos herdeiros da herança dos santos por termos escutado a palavra do evangelho que nos salva, termos acreditado em Cristo, termos sido selados pelos Espírito da promessa, o Santo, e termos vivido a purificação na condição de povo que Deus adquiriu para si, até nos tornarmos herdeiros numa esperança que não será confundida porque o Espírito santo terá sido derramado em nós.
Dessa maneira, o cântico espiritual explicita toda a ação de Deus que, em Colossenses, era simplesmente citada: “Ele nos arrancou das trevas e nos transportou no Reino de seu Filho, no qual temos a redenção,a remissão no seu Sangue” (Cl 1,13).

É impressionante ver como Paulo desenvolve o seu pensamento num respiro só. As atribuições ao Pai se entrelaçam com as do Filho, enquanto vão sendo enumerados os benefícios com os quais somos beneficiados. Tudo acontece por livre determinação da vontade daquele que é capaz de tudo realizar e tudo se realiza por Cristo, em Cristo e com Cristo.

Ao proclamar os imensos benefícios que recebemos, Paulo considera tudo uma bênção que desce sobre nós dos altos céus e que é fruto da ação do Pai com o Filho e do Espírito. Trata-se de uma descrição da Vida Trinitária vista no seu dinamismo pelo qual o Pai é descrito como Aquele que tudo determina, o Filho como Aquele que tudo realiza, o Espírito como Aquele que santifica, tornando-se para aqueles que se santificam, o penhor da herança eterna. O termo último do Deus trinitário é a nossa plena participação à vida divina, na condição de filhos, tornados “santos e imaculados” pelo Espírito, por Jesus Cristo.

O grandioso Plano tem a sua apresentação em Rm 8, 29-30: “Aquele que de antemão nos conheceu, nos predestinou a sermos à imagem do seu Filho. Aquele que nos predestinou, nos chamou e aquele que nos chamou nos justificou e aquele que nos justificou, nos glorificou”. A benevolência de que fala o hino é sinônimo de conhecimento e nos esclarece acerca dos sentimentos de Deus que, na sua Misericórdia, nos amou. Ele é Bondade. Diante da necessidade em que se encontra a criatura que precisa ser regenerada, Deus realiza a sua filiação nele por meio de uma redenção, mediante o Filho. Superabunda então a riqueza da graça que leva o fiel à perfeição, à plena sabedoria.
Trata-se de um processo de santificação, qual é descrito, em detalhes, em Cl 1,3-12 . Enquanto lá o processo é considerado em relação à santificação até a sua máxima expressão que é a imolação, aqui é visto como condição de plena compreensão do Mistério de Deus e da nossa herança. Coisa que se torna clara quando Paulo, após o seu cântico, nos diz qual é a sua mediação quando reza por nós: “... para que compreendais qual é a esperança do seu chamado, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos...” (Ef 2,18). O Filho, na pessoa de Jesus Cristo, é o mediador de toda a Graça que Deus efunde sobre os homens, em virtude da sua imolação. Ele é o Amado, o Isaac imolado, verdadeiro princípio de comunicação da vida divina que nos torna filhos de Deus nele. Com ele nos tornamos herdeiros, na condição, contudo, que cheguemos a uma esperança que não será confundida porque o Espírito Santo terá sido derramado em nós, merecido pela constância nas tribulações. A ela devemos chegar pela purificação dos pecados sabendo que nos tornamos o povo que Cristo conquistou para si.

Pe. Fernando Capra
CRSP

 
 
 

VEJA NO MÊS DE SETEMBRO/2008:


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