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Dois caminhos, duas personalidades, dois amigos, dois Padres |SETEMBRO


Pe. Sivonaldo e Pe. Sanzio são os dois mais novos sacerdotes Barnabitas, que de maneira muito simpática, recebeu O Mensageiro para uma entrevista, a fim de conhecê-los um pouco melhor. De personalidades bem diferentes, Pe. Sivonaldo, como bom nordestino é alegre, sincero e direto, ao passo que Pe. Sanzio, como filho dos sertões das Gerais é enigmático, fechado, fala mansa, mas como bom mineiro, muito boa gente.

Pe. Sivonaldo

Sua origem

Sivonaldo de Araújo Maciel, nasceu em Caruaru, Pernambuco, importante centro artístico regional,, famosa por sua feira; no dia 27 de outubro de 1975. É o mais velho de cinco filhos e teve uma infância feliz e despreocupada de criança do interior. Sua família católica, de origem simples, fez questão de batizá-lo, muito cedo, dois meses depois do seu nascimento, no dia 14/12/1975, como é de costume no interior do Brasil.

Foi batizado na Igreja de São Francisco, pelo Pe. Olivaldo Pereira.

Fez seus estudos iniciais na cidade de Caruaru até o Ensino Médio e é graduado em Filosofia.

Vocação

Criado, praticamente por sua avó materna Dona Olindina e pela Tia Madrinha Dona Maria José, delas recebeu as primeiras noções religiosas e aprendeu as primeiras orações. Lembra-se de que era muito pequeno quando as acompanhava nas missas dominicais e repetia os gestos que ainda não conseguia entender.

Freqüentava a escola, a catequese e ajudava o pai nos trabalhos do comércio e sempre gostou das festas e celebrações da Paróquia de São Francisco.

Já maior começou a freqüentar o Grupo Jovem da comunidade e lembra-se bem que no dia 10 de abril de 1994, durante a Celebração Eucarística sentiu um fogo abrasador e grande inquietação que perdurou por muitos dias, quando foi conversar com o Pároco, Pe. José Roque do Nascimento, que o ajudou a refletir sobre o chamado que sentira e através de encontros mensais, chegou a conclusão que se tratava de uma vocação para o sacerdócio.

Solicitou ingresso no Seminário Diocesano de Caruaru para fazer o Propedêutico. No dia 20 de fevereiro de 1995, recebeu a Confirmação do Batismo e ingressou no Seminário,.

A família não colocou nenhum obstáculo à sua vocação e ficaram felizes com sua decisão.

Ficou lá um ano vivendo experiências religiosas gradativas e tinha expectativa de vir a ser um bom padre secular. Aprovado para o Seminário Maior, percebeu que não gostaria de ficar em Caruaru.

Ficou o ano de 1996 em casa refletindo e sentiu , em seu coração que não era aquele o caminho que o Senhor desejava que ele trilhasse. Nesta época participava intensamente do Grupo Jovem que no mês de maio fazia 30 dias de novena e partilha da Palavra no Morro Bom Jesus, no Bairro. Trabalhava também nas zonas rurais, fazendo Celebração da Palavra nos locais onde não havia missas. Com este trabalho percebeu que sua vocação se tornava mais forte e compreendeu, mais conscientemente, o seu compromisso de batizado para com o Grupo Jovem.

Conheceu, então o Mons. Aldo Di Cillo Pagoto, SSS, em Recife, o mesmo que mais tarde veio ordená-lo como sacerdote, já como Bispo. Numa conversa particular sobre discernimento vocacional, apresentou-lhe outra opção para o sacerdócio, a de ser religioso, explicando-lhe os carismas das diversas ordens religiosas da Igreja. Lembra-se que Dom Aldo lhe dissera na ocasião: “ A vocação não lhe pertence, você não deve deixá-la morrer.”

Nesta ocasião ele disse a Mons. Aldo que queria fazer faculdade e trabalhar. A partir dai começou a participar dos Encontros Vocacionais na Igreja da Boa Vista, Olinda.

Em 1997, ingressava na Ordem dos Padres Sacramentinos, em Fortaleza, Ceará.

Em Fortaleza estudou no Seminário da Prainha.

No ano de 1999 todos os seminaristas foram transferidos para Belo Horizonte, tendo como formador Pe. Hernaldo. Um dos requisitos do processo formativo era iniciar o Curso de Filosofia.
Prestou vestibular no Instituto Santo Tomás de Aquino ISTA, sendo aprovado.

Em 2001 conheceu a Congregação dos Padres Barnabitas, por intermédio de dois amigos e colegas do Instituto São Tomás de Aquino.

Clérigos Regulares de São Paulo

Inicialmente apresentado ao Pe. Ferdinando Capra, Formador e ao Pe. Sebastião N. Cintra, Superior. Recebido com muita atenção foi convidado a ingressar na Ordem e incluído no processo formativo da referida congregação. Preferiu, no entanto, permanecer em 2001, com os Barnabitas, para que o conhecessem melhor e pudesse terminar a Faculdade de Filosofia. Nesta ocasião concluiu a Curso de Filosofia no ISTA, recebendo a convalidação dos estudos pela PUC de Minas Gerais, recebeu o título de Bacharel e Licenciado em Filosofia, após a defesa monográfica: “O Homem e a liberdade na obra: “ O Ser e o Nada” de Jean Paul Sartre, em 2001.

Em 2003 foi para o Noviciado, em Samambaia Sul, DF, para o Seminário Santo Antônio Maria Zaccaria, tendo como Mestre dos Noviços, Pe. Luiz Antônio, de gratas lembranças.

Em 2004 retorna a Belo Horizonte para o 2º ano de Teologia, tendo como formador Pe. Victor Baderacchi, aí recebe o comunicado de sua transferência para São Paulo, recebendo como formador Pe. João Parreira da Mata,cursa o 3º ano de Teologia no ITESP. Em 2006, seu formador foi Pe. Sebastião.

Destinado a servir na Paróquia Nossa Senhora de Loreto aqui foi ordenado Diácono, no dia 24 de novembro de 2007, juntamente com Pe. Sanzio. Aqui trabalhou como Diácono cerca de 5 meses, foi ordenado sacerdote no dia 18 de maio do corrente ano.

Santo Antônio Maria Zaccaria

O que mais lhe atrai em Santo Antônio Maria Zaccaria é o carisma da reforma., Resgatar o estado permanente da graça seja na vida pessoal, como na vida comunitária, procurando viver uma intenção reta em tudo aquilo que é interior e que é próprio dos bons costumes. Disse o Pe. Sivonaldo: “Parece até que eu estava sendo conduzido por Deus para tudo aquilo que SAMZ pregava, porque a reforma deve ser sempre ampla e abrangente em todos os segmentos da vida religiosa.”

Documento de Aparecida

Comentando o Documento de Aparecida afirma que estamos vivendo um momento especial no Brasil, pois, com certeza a maioria das paróquias vive primeiro a catequese em detrimento da evangelização, principalmente dentro dos movimentos e pastorais.

É preciso haver mais formação espiritual e preocupação com a questão social. É preciso sair do sacramentalismo, sair da teologia de viver o sacramento apenas pelo sacramento. É preciso vivê-lo com maior força interior.

Paróquia Nossa Senhora. de Loreto

Desejo como Padre atuar nesta Paróquia e vê-la como uma comunidade orante, e participativa. Estar na missa não é simplesmente estar ali apático, inerte, passivo enquanto assembléia . É ser fiel a Cristo como povo de Deus, extensão do Corpo Místico. Somos batizados, somos de Cristo, cada um na sua função dentro deste corpo, recuperar isto que foi próprio da Patrística.


Pe. Sanzio

Pe. Sanzio é de Almenara, cidade do nordeste de Minas Gerais, porém sempre residiu na cidade de Jacinto, na mesma região; nascido, segundo ele, num ano qualquer, num dia sem importância, mas de um mês dedicado a um homem famoso que foi Julio César, dia 07 de julho de 1975.

Perguntado quem era Pe. Sanzio, ele respondeu que talvez só saberemos a resposta no final da vida, mergulhados em Deus.

Vem de uma região mineira bastante simples, como ele diz, até atrasada, que é o Vale do Jequitinhonha, considerada a região mais pobre de Minas Gerais.

Nascido em uma das famílias mais antigas e colonizadoras da região, de classe média, sem nenhuma sofisticação, como é a vida na região, principalmente nas fazendas, como o seu caso, já que seu pai era pecuarista, tradição de família.

O pai, uma figura muito complicada e contraditória, de temperamento explosivo e seco, patriarcal, um verdadeiro “coronel”. Em casa não se permitia carinhos ou brincadeiras familiares, embora tivesse um comportamento simpático e carismático com os amigos, promovendo muitas reuniões, jantares e festas na fazenda ou na cidade. Todas as pessoas se dobravam a ele. Não se lembra de um carinho recebido do pai.

Sua mãe, pessoa simples, muito bondosa, corajosa, suportou até o limite, quando se separou do marido, com o total apoio do filho.
Naquela região e em muitos lugares do país, os maridos não possuem o menor respeito por suas mulheres, pois a eles tudo é permitido e a elas, nada, como se não existissem, não tivessem uma personalidade. Vivem reclusas em suas casas, dedicadas ao serviço doméstico, sem direito a nada. Deus não quer tanto sofrimento.

Religião

O pai não tinha nenhuma religião, assim como sua família manifestando até aversão a padres e freiras.

A família da mãe, o oposto, tranqüila e religiosa, mas de uma religião muito popular, superficial, quase colonial , dedicada às festas dos santos, ladainhas e novenas. Lembra-se do avô materno, uma figura muito interessante, de uma religiosidade muito profunda; sempre participando da Igreja, se lembra de vê-lo, já idoso, cochilando nas celebrações.

Esta não é a imagem da religiosidade do interior de Minas, mas ali, na sua região, não houve uma catequese emblemática. As pessoas não participavam de uma prática religiosa que passa pela Igreja, mas, mais pelas festas e o catolicismo da casa. Elas não têm muita consciência do hábito dos sacramentos. Como exemplo, na cidade, só houve um padre permanente após 1970, um missionário que atendia a todo o município.

Foi educado na cidade de Almenara, no único colégio de freiras da região. A mãe freqüentava a igreja, às escondidas, portanto, o menino Sanzio não teve uma formação religiosa na infância.

Descoberta da religião

Começou por caminhos contrários à maioria das pessoas, através da Pastoral da Juventude, que em sua Diocese tinha como característica ser muito progressista. Seus grupos jovens eram muito críticos, o que era algo muito atraente para um jovem como ele; não era um grupo de beatos carolas, mas jovens bastante politizados. Juntava-se a este grupo jovens cristãos, não cristãos e até quem não era nada. Todos como grupo da Igreja recebiam formação religiosa, mas o elo do grupo era a crítica à sociedade, àquele tipo de propriedade regional de valores senhoriais, faziam protestos, seminários e muitas reuniões. Os padres davam total apoio, reuniam-se ali jovens de todas as cidades da diocese, um verdadeiro acontecimento. Só não faziam a revolução porque não tinham armas, mas, com certeza houve uma revolução de idéias, de palavras em suas cabeças. Eram jovens muito críticos e inteligentes. A formação religiosa era dada em doses homeopáticas, levando os jovens a compreenderem que o cristianismo não era uma prática ritualística e sim um novo estilo de vida, abrindo novos caminhos.
Conduzido a uma busca por novos horizontes, a vocação aparece e veio a crescer, o jovem Sanzio entra no Seminário para conhecê-la melhor.

Os Barnabitas

Em 1994 participou de um Encontro Vocacional com os Padres Barnabitas, mas de início, em 1995, entrou para o Seminário dos Padres Dominicanos, em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, para iniciar o Noviciado e também o Curso de Filosofia.

Em 1999, entrou no Seminário Barnabita, em Belo Horizonte, onde terminou a Filosofia. Foi para São Paulo cursar Teologia e pediu um tempo para refletir. Voltou para Belo Horizonte, recomeçou a Teologia no ISTA e fez o Noviciado em Samambaia, DF.

Em 2005, terminado o Noviciado foi para São Paulo, onde terminou o curso de Teologia.

Em 2007 foi para Roma, onde se preparou para continuar sua caminhada rumo ao sacerdócio. Recebeu o Diaconato no dia 24 de novembro de 2007, juntamente com o companheiro, Pe. Sivonaldo, aqui numa celebração, presidida por Dom Assis.

Como Diácono serviu no Colégio Zaccaria, no Catete, até o dia 03 de maio do corrente ano, quando foi ordenado Presbítero, na cidade de Jacinto, pelas mãos do Bispo da Diocese de Almenara, Dom Hugo Maria Van Steekelenburg, na cidade, onde sempre viveu, celebrou sua primeira missa.

Santo Antônio Maria Zaccaria

Entre os carismas de Santo Antônio Maria Zaccaria, que são múltiplos e poliformes, ele destaca a reforma, como sendo o que mais o atraiu, estabelecendo a diferença deste carisma no contexto da época em que viveu o santo e nos dias de hoje, numa conotação totalmente diferente.

Mensageiro

Conhece bem o nosso Mensageiro, mas acha que sua linguagem é elitista e distante da capacidade de entendimento da grande maioria do povo. Talvez uma mensagem simples fosse mais eficiente.

Paróquia Nossa Senhora de Loreto

Algumas vezes foi convidado a celebrar e colaborar com os nossos padres, portanto, não conhece bem a Paróquia, mas deseja que sejamos uma comunidade mais voltada para os problemas sociais e para a oração.

Agradecemos a disponibilidade e boa vontade dos jovens padres e desejamos que eles continuem na caminhada, levando muitas almas para o Reino de Deus.

O Mensageiro

 
 
 

VEJA NO MÊS DE SETEMBRO/2008:


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