Carta 12
Prezado Sr. Francisco J+C
Queria escrever-lhe há mais tempo, mas fiquei doente e me atrasei.
Saiba, querido pai, que pensei muitas vezes e refleti sobre suas palavras, que foram muito úteis para mim e, então, decidi mudar aquela situação de desânimo em que eu fiquei, quase adormecida; compreendi a verdade: debaixo das aparências de uma falsa humildade e por não querer mostrar as graças que recebi, fui diminuindo e até recusei ao próximo a ajuda de que precisava. Eu estava dominada pelos escrúpulos!
Esses escrúpulos me estimulavam a considerar que, tudo o que queria fazer ou falar, vinha do orgulho que, tirando a minha capacidade de enxergar as coisas, me forçava a falar e a agir.
Ora, esses estímulos pareciam verdadeiros para mim, porque, em muitas ocasiões, mesmo depois de grande esforço para ajudar o próximo, eu nada tinha conseguido.
Foi desse modo que eu enterrei o talento de me tornar útil ao próximo. E, assim, pouco a pouco eu perdi o meu primeiro fervor de ganhar o próximo para Cristo e, em seguida, também as luzes e a consciência do meu comportamento interior. Antigamente, quando eu procurava acender nos outros essas luzes e esses conhecimentos, eu os melhorava em mim e os resultados conseguidos por mim nos outros garantiam até mesmo os meus; mas agora, muito ao contrário, sinto-me incerta quanto ao comportamento dos outros e quanto à situação espiritual deles e acabo duvidando, no meu íntimo, que nem sequer tenho a coragem de dar um passo à frente.
E assim, assustada com a minha própria sombra, fico na tibieza, porque perdi a minha luz interior. E teria sido bem melhor pra mim o ter-me prejudicado, ao menos em parte, enquanto me preocupava com o bem dos outros, porque não teria perdido esta luz interior, do que, ao deixar de lado o próximo, ter perdido esta luz que me alimentava por dentro e que iria, por fim, ajudar-me a sacudir a poeira dos meus defeitos.
Continua no próximo número. |