Cristologia (11) - A figura de Jesus Cristo em Mateus (a)
À luz da ressurreição do Senhor, o Apóstolo Mateus tenta ilustrar toda a grandeza da Pessoa divina de Jesus Cristo, a partir de uma genealogia que liga o Filho de Maria à vocação de Abraão e à promessa feita a Davi. Dessa maneira, Jesus é o realizador do Plano de Deus que visa à universalidade da salvação através da vocação de um povo, dentre de uma descendência específica qual a de Davi. Por causa dessa estreita ligação, Mateus interpreta a figura de Jesus à luz da profecia que se torna o seu vocábulo teológico para falar da realidade nova que este apresenta através da sua humanidade: a da sua divindade. Jesus é o Emanuel que realiza em si a Descendência da Mulher. O mistério que estava escondido nas respectivas profecias de Is 7,14 e Gn 3,15, agora está plenamente desvendado. Com o Messias começa a vitória sobre o príncipe deste mundo para que a Luz da Estrela d´Alva chegue a todos os povos; recomeça a história de Israel que Deus chamou do Egito. Jesus é chamado a reinar como rebento da estirpe de Jessé, repleto do Espírito Santo. Jesus é a Luz que brilha nas trevas e na sombra da morte, na condição daquele que a Voz do Pai declara o Servo de Iahweh, o Amado, porque nele vai se comprazer como Cordeiro imolado. Jesus é luz quando começa a sua pregação na Galiléia.
Anuncia o Reino que já inaugurou com o triunfo sobre o demônio ao longo das tentações no deserto. Mateus redige uma primeira sistematização do ensinamento de Jesus através do Discurso da Montanha, onde Jesus se apresenta como Modelo daquilo que ensina como Mestre. Os discípulos que são chamados a ser os que continuarão a sua obra, terão nele o Princípio de força para implementar os seus ensinamentos. É, portanto, aquele que, em si, leva à perfeição toda a Lei para se tornar Modelo para nós.
Oferece os sinais da sua messianidade juntamente como os sinais da sua divindade, quais o de perdoar os pecados e de dominar a natureza. Anuncia o Reino e o realiza na condição do Filho do Homem que sobe a Jerusalém para ser posto à morte. Mas, a sua obra será coroada pela ressurreição. A ligação da sua vida com a do seu povo se torna ainda mais clara quando Jesus assume a figura do rei que entra em Jerusalém, purifica o Templo e nele ensina. É sobretudo na Paixão que os fiéis devem reconhecer em Jesus a realização do Messias para entender o valor da sua Morte que aconteceu para que se cumpram as Escrituras.
O Senhor ressuscitado, aquele que os discípulos conheceram nos fatos da sua vida terrena e, à luz da sua ressurreição, reconheceram como Messias, sobretudo na sua Paixão, é o Anjo da ressurreição, Aquele que o Pai enviou e que veio ao seu Templo. Aquele pelo qual haverá um julgamento definitivo que condenará os maus.
Todo o poder que Jesus declara possuir no momento da sua Ascensão revela a sua condição divina como Filho do Homem que participa a pleno título da Glória da Trindade Santa. Este é o Senhor da Igreja que os fiéis devem continuamente escutar.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quem é Jesus para Mateus?
2ª) De que maneira Jesus realiza a sua missão?
3ª) De que forma Jesus revela a sua condição divina?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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