Somos chamados a participar
Sabemos que as mudanças sociais, numa democracia, ocorrem pela via política. Se quisermos uma sociedade mais justa, solidária e verdadeiramente comprometida com os valores evangélicos, devemos investir na formação política dos cidadãos.
O cenário sócio-político e econômico brasileiro tem sido, ao longo dos últimas décadas, marcado por deslizes éticos e morais gravíssimos, em diversas circunstâncias, envolvendo diversas pessoas, instituições e autoridades públicas. Trata-se de algo tão grave que chega a abalar as instituições democráticas de nosso país. Isso prova que a sociedade não pode abrir mão do compromisso com a ética na política, do sentido da solidariedade e da compreensão da própria vida como serviço. Serviço entendido como definição e concretização da cidadania.
Muitos pregam o voto nulo como reação ao profundo repúdio ao momento presente, mas se optarmos pelo voto nulo ou branco, estaremos prestando um grande favor aos maus políticos. Eles querem mesmo é que a população não preste atenção e nem participe da política, fique indiferente e deixe espaço para usarem e abusarem do poder.
Em função da crise ética na política, tem-se disseminado, através da Internet, uma pregação muito consistente pelo voto nulo. Isso preocupa a Justiça Eleitoral, pois é o suicídio da cidadania. No seu livro " República", o filósofo grego Platão, dizia que quando as pessoas de bem se afastam do processo político, o vazio que deixam será ocupado pelas pessoas sem ética.
Platão tinha razão, pois se as pessoas do bem se omitem, irão assumir aquelas menos recomendadas para a vida pública.
Se o eleitor procurar se informar, irá encontrar, entre as candidaturas, pessoas bem-intencionadas. Vale ressaltar que, para anular uma eleição, são necessários 50% dos votos mais um. Ainda que essa possibilidade seja extremamente remota, nada impede que os mesmos candidatos voltem a concorrer. E a governabilidade do país, como fica nesse período?
Ano eleitoral. Ano de consciência crítica. Ano de adestramento dos instrumentos de controle e impulso sobre os políticos em vista do sempre dito e repetido BEM COMUM que, em boa hora significa OPÇÃO PELOS POBRES e MARGINALIZADOS.
Extraído de Cidadania e Eleições
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