Cristo Redentor (14) - O Servo de IahwehSão
quatro os cânticos que Isaias consagra à figura do Servo de Iahweh,
que ilustram a sua missão universal, os sentimentos com os quais lida com
os necessitados; a disposição à mansidão diante das
torturas que lhe são infligidas; a expiação vicária
(Is 42;49;50;53).
Jesus é o Servo de Iahweh porque, na condição
de criatura, vive, em tudo, a sua obediência até à imolação
de Cruz. Is 53 descreve os sofrimentos da sua Paixão, que tem uma função
redentora, e redundam em glorificação para ele: por ter entregue
a vida recebe em herança muitos povos. Para eles se torna uma luz porque
implanta o direito.
Jesus se refere a esse título quando se proclama
a Luz do mundo. Realiza esse feito acendendo o fogo e recebendo o batismo de sangue
(Lc 12,49s), porque é seu desejo fazer a vontade do Pai (Jo 4,34). Ele
veio para servir e não para ser servido.
Dessa forma, Jesus une
em si a figura do Filho do Homem e do Cordeiro imolado, da forma que o contempla
o autor do Apocalipse. O aspecto glorioso da Glória de Iahweh é
precedido pelo adão que ainda deve aprender a obediência pelo sofrimento
(Hb 2,10). Dessa forma Jesus se torna Aquele que, agora, está sentado no
trono da Majestade com o aspecto de uma pedra de jaspe e cornalina, envolvido
pelo arco-íris da cor da esmeralda (Ap 4,3). É o Servo de Iahweh,
Cordeiro imolado glorioso que, do Pai, recebe o poder de julgar. A Glória
de Iahweh que julgará o mundo sempre mantém a característica
do Servo porque Ela é o adão Jesus que triunfa em virtude da sua
imolação e, na condição de Testemunha fiel e Primogênito
entre os mortos é o Príncipe dos reis da terra.
Dessa forma,
o título messiânico de Servo é um título honorífico:
é aquele que se torna grande como Abraão, Moisés, Samuel,
Davi.
O Servo, enquanto conquista os povos da terra, é princípio
de glorificação para os seus, que se tornam o povo dos santos do
Altíssimo, associados no julgamento dos povos por ter dado testemunho da
Palavra e de Jesus Cristo. Em Jesus, se tornaram os servos de Deus.
O Servo
é aquele em que o Pai, seja no momento do Batismo ao Rio Jordão
como na Transfiguração, se agrada, porque sempre faz a sua vontade.
Com essa atitude ele resgata a rebeldia de Israel, que se revela um servo rebelde.
O Servo presta ouvido aos ensinamentos da Lei (Is 49), enquanto Israel se afastou
do Senhor. O Servo chega a compreender que o dom da sua vida que Deus exige em
resgate dos seus irmãos é a condição da sua própria
glorificação e da realização do Plano de Iahweh (Is
53), enquanto Israel se entrega ao culto dos ídolos. Pos isso, como Cordeiro
imolado levado ao matadouro, carrega sobre si as nossas culpas. Vitorioso sobre
a morte por causa da sua imolação, celebra o seu Senhor na grande
assembléia, nos tornando participantes do seu triunfo, na condição
de quem foi por ele resgatado do pecado.
O servo de Iahweh é, portanto,
aquele que resgata a humanidade da sua rebeldia, do seu afastamento de Deus e
a torna capaz de servir o seu Criador. Nisso Israel é figura porque, a
partir do 1º cântico (Is 42), a redenção é anunciada
como universal. Pelo Servo, a Luz de Deus chega aos confins de toda terra. Com
a sua imolação, seguida pela sua glorificação, Jesus,
realizador da figura profética do Servo de Iahweh, ensina a todos os homens
qual é o verdadeiro caminho da sua realização: "Vistes
o que vos fiz. Vós, também, deveis fazer o mesmo. Eu, vosso Mestre
e Senhor, vos lavei os pés. Vós sereis meus discípulos se
lavardes os pés uns dos outros" (Jo 13). Assumir a condição
de servidor, segundo a específica vocação na Igreja, significa
perseguir o caminho da própria realização (Rm 12, 1.5). Jesus,
na condição de Enviado do Pai, sempre faz a sua vontade. É
por isso que o Pai o ama. Quando pensa que todo o seu trabalho em favor da causa
de Deus foi inútil, porque os homens se fecham à sua ação,
Deus decreta que ele não é somente o salvador de Israel, mas de
todas as nações, que recebe como herança.
Perguntas
para uma reflexão:
1. Quais são os cânticos de Isaias
que celebram o Servo de Iahweh?
2. De que forma o Servo nos resgata?
3.
Por que o serviço é a condição da nossa realização?
Pe. Fernando Capra/CRSP |