A coleção de textos sagrados, que conhecemos
pelo nome de BÍBLIA, expressa a ação salvífica de
Deus, seja no povo de Israel (Antigo Testamento), seja na comunidade dos primeiros
cristãos ( Novo Testamento). A iniciativa é de Deus que vem ao encontro
dos seres humanos, fazendo-os sentir a sua presença e sua atuação.
A riqueza do agir divino irá provocar uma série de gêneros
literários para ser devidamente expressa: relato histórico, salmos,
profetismo, parábolas, textos sapienciais, cartas. Estes escritos significam
a tradução humana da iniciativa divina. Neste sentido, podemos dizer
que a Palavra de Deus se faz perceptível na palavra humana. Daí,
tais textos sagrados refletirem necessariamente o contexto, a cultura, a linguagem
e a sociedade onde nasceram. Esse fato explica, devido à enorme distância
temporal que nos separa destes escrito, porque se faz mister estudá-los.
Felizmente gozamos hoje de ótimas traduções da Bíblia,
enriquecidas com valiosas notas, que facilitam sobremaneira a nossa compreensão.
Contudo,
a Bíblia não é um livro para ser apenas conhecido. Ele resulta
das experiências de salvação feitas pelo povo de Israel e
pelos primeiros cristãos.
Ao se deixarem orientar por Deus, estas
gerações experimentaram paz, sentido, prosperidade, felicidade.
A ação de Deus era, portanto uma interpelação, um
convite, um desafio. Pedia uma resposta, uma opção. Só
então acontecia a experiência salvífica. Assim, podemos dizer
que a Palavra de Deus não existe apenas para ser conhecida, mas para ser
transformada em vida. Talvez seja uma palavra que nos desconserte, nos desinstale,
nos questione. Só seguindo-a experimentaremos que é uma Palavra
que traz sentido, força, luz e felicidade para nossa existência.
Deste modo é a Bíblia um livro diferente dos demais, um livro para
ser vivido e não apenas para ser lido. Uma conclusão importante
para o mês da Bíblia.
Pe. Mário de França
Miranda, S.J. - Do Informe Loyola |