Carta 2Já dizia o profeta Miquéias:
O homem, já foi explicado o que Javé exige de você: praticar
o direito, amar a misericórdia, caminhar humildemente com seu Deus (Mq.6,8).
E São Paulo: Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos: sejam
fervorosos de espírito, servindo ao Senhor (Rm.12,11) E também São
Pedro: Por isso mesmo, irmãos, procurem com mais cuidado firmar o chamado
que escolheu vocês agindo desse modo, nunca tropeçarão (2Pd.1.10).
Ele diz: sejam dedicados. Em muitos outros trechos da Sagrada Escritura vamos
ver que a prontidão é exigida e exaltada.
Meus amigos, é
verdade que dessa falta de firmeza que há no meu comportamento, nasce em
mim - não sei se é também por outro motivo, mas é
quase sempre por causa da falta de firmeza - uma negligência tão
grave e uma demora tão grande na hora de agir que eu nunca me decido a
começar uma coisa ou então, se eu começo. vou me arrastando
tanto, que nunca chego ao fim.
Vocês se lembram do exemplo daqueles
irmãos que tinham perdido o pai e, que ao ouvirem o conselho de Cristo
que deixassem os mortos sepultarem os mortos, imediatamente O seguiram? (Lc. 9,60)
Pedro, Tiago e João, ao serem chamados, também deixaram tudo de
lado e O seguiram.(Mt.4,18). E vocês acharão outros exemplos e vão
ver que os que amaram Cristo, foram sempre fervorosos e aplicados, nunca preguiçosos.
Que vergonha a nossa!
Coragem! Levantem-se de uma vez por todas e juntem-se
a mim, porque eu quero que arranquemos juntos esta erva daninha, se é que
ela também está em vocês. Mas, se ela não pegou em
vocês, venham ajudar-me, pois em mim, ela está plantada no coração.
Pelo amor de Deus, ajudem-me de perto a arrancá-la, para eu poder imitar
Jesus Cristo, que assumiu uma atitude concreta contra a falta de firmeza, obedecendo
até a morte (FI.2,8) e correu, para não se omitir, ao encontro da
vergonha da cruz, não ligando para o que ia sofrer (Hb. 12,2).
E,
se agora vocês não têm outros meios para me ajudar, venham
em meu socorro, pelo menos com suas orações.
Meus amigos,
para quem eu estou escrevendo? Ora, para os que agem de verdade e não para
os que ficam só falando, como eu. Mesmo que eu seja assim, foi a consideração
que eu tenho por vocês, que me levou a escrever-lhes estas poucas linhas.
Vou
dizer mais uma coisa: tenho receio que vocês dois demorem demais para acabar
de imprimir o livro. E você, Bartolomeu, já resolveu o caso do João
Jerônimo? Já faz muitos dias e vocês não me enviaram
nem a informação que eu pedi e nem me disseram uma só palavra
a respeito do que já conseguiram fazer até agora. Eu até
desculpo vocês, mas olhem bem para a consciência: vocês merecem
desculpas, ou puxão de orelhas?
Coragem, irmãos! Se até
agora houve alguma falta de firmeza em nós, vamos jogá-la fora junto
com a negligência e corramos como loucos não só para Deus,
mas também para o próximo, pois é o próximo que recebe
tudo aquilo que não podemos dar a Deus, porque Ele não precisa de
nossos bens.
Continua no próximo número. |