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Vamos conhecer a Bíblia|SETEMBRO

1ª Carta aos Coríntios (3)

A Eucaristia

Em dois momentos da carta, o Apóstolo apresenta aspectos doutrinais acerca da Eucaristia: primeiro, incidentalmente, ao explicar que os cristãos não podem participar nos banquetes dos santuários pagãos (cf 10,14-22); e a seguir, ao corrigir os abusos que se tinham introduzido em Corinto nas celebrações eucarísticas (cf 11,17-32). Nestes dois textos estão contidas verdades fundamentais relativamente à Eucaristia: a) sua instituição pelo próprio Cristo; b) o seu caráter sacrificial; c) a presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho; d) as relações entre o corpo sacramental do Senhor e o Seu Corpo místico, que é a Igreja.

Em primeiro lugar, Paulo ensina claramente a instituição da Eucaristia pelo próprio Cristo. Em segundo lugar, que a Eucaristia não é só sacramento, mas também sacrifício. Com efeito, contrapõe-se a Eucaristia aos sacrifícios pagãos. A razão pela qual não é lícito para os cristãos participar nestes baseia-se em que são sacrifícios idolátricos, incompatíveis com o sacrifício da Eucaristia, que é oferecido ao Deus verdadeiro. A Santa Missa, oferecida diariamente na Igreja segundo o mandato do Senhor, perpetua o único sacrifício de Cristo na cruz. Em terceiro lugar, Paulo afirma a presença real de Cristo sob as espécies sacramentais e a exigência de fazer exame antes de comungar.

Finalmente, no que se refere às relações entre Eucaristia Corpo sacramental de Cristo e a Igreja - corpo místico de Cristo, a afirmação de Paulo é clara: "Por ser um só pão, nós, que somos muitos, constituímos um só corpo, visto participarmos todos do único pão" (10,17). Deste modo nos tornamos todos membros desse corpo (cf 12,27).

A Ressurreição dos mortos

Para os cristãos de Corinto se tornava difícil aceitar a ressurreição dos mortos. Esta verdade da fé chocava fortemente com o pensamento grego.

A Ressurreição de Cristo

Respondendo às dúvidas que tinham surgido, Paulo trata em primeiro lugar do fato histórico da ressurreição de Cristo. O seu testemunho, escrito a menos de trinta anos depois da Ressurreição, é de suma importância. Tal como a Eucaristia, trata-se de uma doutrina que faz parte, desde o primeiro momento, da Tradição apostólica: "transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu mesmo recebi" (15,3).

A morte, sepultura e ressurreição de Cristo foi também o ponto fundamental e primário da pregação de Paulo em Corinto.(cf 15,3-4). O Apóstolo oferece uma longa lista de testemunhas do Ressuscitado: Pedro, Tiago, todos os Apóstolos e quinhentos irmãos, dos quais ao escrever-se esta carta a maior parte ainda estão vivos e podem dar fé do que viram (cf 15,8).

Mas a ressurreição de Cristo não é só um fato histórico, mas também um mistério. Cristo é chamado "as primícias" (cf 15,20) dos ressuscitados. Porque embora seja certo que houve alguns que ressuscitaram antes de Cristo, por exemplo, Lázaro, o filho da viúva de Naim, filha de Jairo, estes contudo reviveram todos com a condição de morrer pelas segunda vez; mas "Cristo ressuscitado de entre os mortos, já não morre mais, a morte já não tem domínio sobre Ele" (Rm 6,9).

A Ressurreição de Cristo, fundamento da nossa fé - a ressurreição de Cristo constitui o fundamento firme da nossa fé.
Com efeito, entre todos os milagres realizados pelo Senhor o da Sua própria ressurreição é a prova mais concludente da Sua divindade. O Senhor falou muitas vezes da Sua Ressurreição (cf Mt 16,21; 17,22) e quase nunca conversou com os Seus discípulos da Sua Paixão sem mencionar ao mesmo tempo a Sua Ressurreição.

Paulo adverte aos Coríntios, "se Cristo, não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, e vã também a nossa fé" (15,14.17). A fé dos cristãos é a Ressurreição de Cristo. Isto é o que temos por coisa grande: o crer que ressuscitou. Por isso, só se Cristo vive, a nossa fé n'Ele tem sentido; só então tem poder de nos salvar; só então os sacramentos administrados em Seu nome têm valor.

A Ressurreição de Jesus, causa da nossa ressurreição - a ressurreição de Cristo não é somente o fundamento da nossa fé, mas também o da esperança que temos na nossa própria ressurreição. "Porque, tendo ressuscitado Cristo temos esperança certa de que também nós ressuscitaremos, visto que é forçoso que os membros sigam a condição da sua cabeça" (Catecismo Romano 1,6.12).

A ressurreição do Senhor é a causa eficiente da nossa. Paulo explica esta realidade mediante a imagem das primícias (cf 15,20.23) e sobretudo mediante o paralelismo antitético entre Cristo e Adão: porque, tendo vindo por um homem a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.

Outros temas

A pureza moral decorre do fato de que o cristão é membro de Cristo, constitui um só espírito com Cristo à semelhança de esposo e esposa, que entre si constituem uma só carne (6,15-17). É por isso que os cristãos devem fazer do seu corpo o reflexo da glória de Deus, que neles habita (6,19s).

A diversidade de dons é explicada e regrada dentro da perspectiva do Corpo de Cristo: os dons individuais de cada um devem estar a serviço da comunidade; as múltiplas atribuições devem-se adaptar umas às outras para preencherem sua finalidade: o maior bem do Corpo (12,1-31; 14,1-40). Neste contexto, a caridade, que congrega todos na unidade, aparece como o dom por excelência.

A "tradição": repetidas vezes, Paulo recorre àquilo que ele mesmo "recebeu", para "transmiti-lo" aos seus leitores (11,2.23; 15,3; cf 7,10).

Textos seletos

Além das diversas citações feitas no decorrer de texto ponho em destaque as seguintes:

Instituição da Eucaristia Dentre os quatro textos do Novo Testamento que nos relatam este fato (cf Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,14-15), este é o mais antigo, pois data do ano 57. Por outro lado, o Apóstolo recorda aqui aos Coríntios algo que já lhes tinha transmitido durante a sua primeira estada entre eles, isto é, entre os anos 50-52. Mais ainda, ao dizer "eu recebi... o que também vos transmiti" (11,23), o próprio Paulo indica que a sua doutrina remonta aos mesmos inícios da Igreja.

Há uma especial afinidade entre o relato desta carta e o de Lucas: só eles conservaram o mandato de Cristo de repetir em Sua memória o que fez na Última Ceia (Lc 22,19;1 Cor 11,24-25), mandato que indica expressamente a instituição do sacerdócio cristão. "Todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício, realiza-se a obra da nossa redenção" (Missal Romano)
Hino à Caridade - nesta carta encontra-se um canto ao amor cristão de uma beleza e profundidade dificilmente superáveis. A caridade é um dom tão excelente, que sem ela os outros dons perdem a sua razão de ser. O amor, a caridade de que fala Paulo, nada tem a ver com o desejo egoísta de posse sensível ou passional; nem tão pouco se limita à mera filantropia, que nasce de razões humanitárias; trata-se de um amor dentro da nova ordem estabelecida por Cristo, cuja origem, conteúdo e fim são radicalmente novos: nasce do amor de Deus aos homens, tão intenso que lhes entregou o Seu Filho Unigênito (Jo 3,16).

Que os ensinamentos desta Carta nos dêem coragem pra testemunharmos o verdadeiro Amor aos que hoje convivem conosco.

Continua no próximo número

Jane do Térsio
 
 
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