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A árvore do perdão | SETEMBRO

"Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” Estas palavras do Pai Nosso que pronunciamos tantas vezes automaticamente, sem refletir na profundidade e responsabilidade que encerram, expressam a essência do perdão. Nós, criaturas de Deus, ousamos abandonar seu projeto único para cada ser humano e o ofendemos inúmeras vezes. Mas basta nos arrependermos e Ele amorosamente nos perdoa. Contudo, temos uma grande dificuldade para perdoar a nossos irmãos. Por quê? Porque somos humanos e sentimos raiva, dor, vergonha quando somos humilhados, ofendidos, magoados, ludibriados.

A raiva pode ser de dois tipos: a saudável e construtiva, da indignação diante das injustiças e da perversidade e que nos move a tentar mudar uma situação. E a destrutiva, que é a da inveja, do ódio, do desejo de vingança, que faz mal principalmente àquele que a sente, porque corrói o seu espirito, tira-lhe a liberdade e torna-o escravo do agente dela. Como livrar-nos dela? Perdoando a quem originou-a. Fácil de falar e difícil de fazer? Sim, mas não impossível. Se quisermos realmente nos libertar desta raiva que nos aprisiona e faz definhar, temos que plantar a semente do perdão em nosso coração.

Em Lc 15, 11-32, Jesus nos conta a mais bela parábola de toda a Bíblia e que nos fala sobre o perdão: a do Pai Misericordioso, também conhecida como do filho pródigo. Quando o filho arrepende-se e volta para a casa, o pai sente-se tão feliz que nem o deixa completar seu pedido de perdão. A única maneira de receber o filho arrependido é dando uma grande festa. Este é o perdão de Deus: incondicional, pleno, total, alegre, festivo. Será que este perdão só é possível a Deus? Não. Nós também podemos perdoar completamente.

O perdão é como uma planta muito bela, frágil e que exige muitos cuidados. A semente do perdão será plantada em nosso coração no momento em que nos decidirmos a perdoar. Aí devemos dizer com um desejo verdadeiro, vindo lá do fundo do coração e das profundezas da alma:

- Fulano, eu o perdôo por todo mal, dor sofrimento, humilhações que você me infringiu. Eu o perdôo porque sei que você é um instrumento para meu aperfeiçoamento e crescimento. Eu o perdôo porque sei que depois deste perdão, você e eu seremos melhores, mais livres e muito mais felizes. Eu o perdôo assim como o Pai já me perdoou e perdoará muitas e muitas vezes. E quero que você também me perdoe.

Ao pronunciar estas palavras, mentalize uma semente sendo plantada em seu coração e agradeça a Deus por ter lhe dado forças para plantá-la. Todos os dias repita as palavras do perdão e mentalize a sementinha crescendo em seu coração, lançando o primeiro broto, as folhinhas, depois o pequeno caule crescendo, tornando-se mais forte, enchendo-se de folhas. No dia em que você conseguir mentalizar a sua árvore cheia de flores e frutos, você estará muito próximo do perdão total e incondicional. Quando você sentir que está pronto para este perdão, mentalize a sua árvore carregada de flores e frutos, pássaros voando sobre ela. Imagine que você é um desses pássaros e voe até a casa da pessoa que você perdoou e veja-a feliz, com saúde, com alegria, atingindo seus objetivos e realizando seus desejos. Voe de volta para a sua árvore do perdão e sinta-se a pessoa mais livre e abençoada de toda Terra porque libertou-se do ódio, da raiva destrutiva.

Agora você é uma outra pessoa, livre para amar e ser amada, livre para viver sua vida. Quanto mais você desejar o bem da pessoa a quem você perdoou, mais próximo de Deus você estará, porque o perdão incondicional é um atributo divino. Por isso, plante a árvore do perdão agora mesmo em seu coração porque ela leva tempo para crescer e frutificar.

Beatriz de Vilhena Simões
Membro da CVG-MG "Em tudo amar e servir”
(Retirado do Jornal Opinião)
 
 
VEJA NO MÊS DE SETEMBRO/2004:

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