"Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a
quem nos tem ofendido. Estas palavras do Pai Nosso que pronunciamos
tantas vezes automaticamente, sem refletir na profundidade e responsabilidade
que encerram, expressam a essência do perdão. Nós,
criaturas de Deus, ousamos abandonar seu projeto único para
cada ser humano e o ofendemos inúmeras vezes. Mas basta nos
arrependermos e Ele amorosamente nos perdoa. Contudo, temos uma grande
dificuldade para perdoar a nossos irmãos. Por quê? Porque
somos humanos e sentimos raiva, dor, vergonha quando somos humilhados,
ofendidos, magoados, ludibriados.
A raiva pode ser de dois tipos: a saudável e construtiva, da
indignação diante das injustiças e da perversidade
e que nos move a tentar mudar uma situação. E a destrutiva,
que é a da inveja, do ódio, do desejo de vingança,
que faz mal principalmente àquele que a sente, porque corrói
o seu espirito, tira-lhe a liberdade e torna-o escravo do agente dela.
Como livrar-nos dela? Perdoando a quem originou-a. Fácil de
falar e difícil de fazer? Sim, mas não impossível.
Se quisermos realmente nos libertar desta raiva que nos aprisiona
e faz definhar, temos que plantar a semente do perdão em nosso
coração.
Em Lc 15, 11-32, Jesus nos conta a mais bela parábola de toda
a Bíblia e que nos fala sobre o perdão: a do Pai Misericordioso,
também conhecida como do filho pródigo. Quando o filho
arrepende-se e volta para a casa, o pai sente-se tão feliz
que nem o deixa completar seu pedido de perdão. A única
maneira de receber o filho arrependido é dando uma grande festa.
Este é o perdão de Deus: incondicional, pleno, total,
alegre, festivo. Será que este perdão só é
possível a Deus? Não. Nós também podemos
perdoar completamente.
O perdão é como uma planta muito bela, frágil
e que exige muitos cuidados. A semente do perdão será
plantada em nosso coração no momento em que nos decidirmos
a perdoar. Aí devemos dizer com um desejo verdadeiro, vindo
lá do fundo do coração e das profundezas da alma:
- Fulano, eu o perdôo por todo mal, dor sofrimento, humilhações
que você me infringiu. Eu o perdôo porque sei que você
é um instrumento para meu aperfeiçoamento e crescimento.
Eu o perdôo porque sei que depois deste perdão, você
e eu seremos melhores, mais livres e muito mais felizes. Eu o perdôo
assim como o Pai já me perdoou e perdoará muitas e muitas
vezes. E quero que você também me perdoe.
Ao pronunciar estas palavras, mentalize uma semente sendo plantada
em seu coração e agradeça a Deus por ter lhe
dado forças para plantá-la. Todos os dias repita as
palavras do perdão e mentalize a sementinha crescendo em seu
coração, lançando o primeiro broto, as folhinhas,
depois o pequeno caule crescendo, tornando-se mais forte, enchendo-se
de folhas. No dia em que você conseguir mentalizar a sua árvore
cheia de flores e frutos, você estará muito próximo
do perdão total e incondicional. Quando você sentir que
está pronto para este perdão, mentalize a sua árvore
carregada de flores e frutos, pássaros voando sobre ela. Imagine
que você é um desses pássaros e voe até
a casa da pessoa que você perdoou e veja-a feliz, com saúde,
com alegria, atingindo seus objetivos e realizando seus desejos. Voe
de volta para a sua árvore do perdão e sinta-se a pessoa
mais livre e abençoada de toda Terra porque libertou-se do
ódio, da raiva destrutiva.
Agora você é uma outra pessoa, livre para amar e ser
amada, livre para viver sua vida. Quanto mais você desejar o
bem da pessoa a quem você perdoou, mais próximo de Deus
você estará, porque o perdão incondicional é
um atributo divino. Por isso, plante a árvore do perdão
agora mesmo em seu coração porque ela leva tempo para
crescer e frutificar.
Beatriz de Vilhena Simões
Membro da CVG-MG "Em tudo amar e servir
(Retirado do Jornal Opinião) |