|
"A saúde do seu povo"
Uma prática eleitoreira bastante antiga e muito utilizada
no interior do País vem ganhando espaço e crescendo
significativa-mente na capital: Os chamados "Centros Sociais"
patrocinados por mandatários.
Esses centros nada mais são do que pequenos (ou em alguns
casos até grandes) postos privados de saúde, instalados
nas comunidades mais carentes das nossas capitais e que prestam
atendimentos ambulatoriais e, em alguns casos, distribuem remédios,
dentaduras, pernas mecânicas e etc.
Bancados por alguns deputados ou vereadores, os centros sociais
acabam iludindo até mesmo os mais cultos que interpretam
o seu funcionamento como uma espécie de "boa ação"
por parte desses políticos. Realmente, dar atendimento médico
gratuito, dentaduras e remédios às pessoas mais pobres
que não têm acesso à saúde de qualidade,
pode parecer, sob uma análise superficial, uma atitude bonita
e até certo ponto Cristã. O problema é que
esta atitude "caridosa" é sempre acompanhada pela
terrível ação fisiológica e interesseira
da troca de votos. Quem é atendido nestes centros sociais
acaba levando para casa algum "lembrete" para a associação
do favor recebido ao mandatário que o "patrocina".
E para piorar ainda mais, o verdadeiro papel que o mandatário
deveria estar desempenhando em seu mandato que é apresentar
projetos de lei que visem melhorar a qualidade de vida do cidadão;
fiscalizar o executivo para verificar se os recursos do orçamento
estão sendo corretamente aplicados e, finalmente, participar
de comissões permanentes e provisórias para defender
os interesses do cidadão e promover o bem-comum são
literalmente esquecidos. Cabe destacar aqui, por exemplo, o que
fizeram alguns dos atuais Vereadores na cidade do Rio de Janeiro
neste último ano: Metade dos 42 parlamentares da câmara
municipal do Rio não votaram a favor de uma emenda coletiva
que destinava R$ 40 milhões para a saúde da cidade.
O mais triste disso é que boa parte dos vereadores que não
votaram a favor desta emenda possuem centros sociais de saúde,
localizados em áreas carentes da nossa cidade. Ou seja, não
foi levado em consideração o bem estar dos mais necessitados,
mas o quanto esse trabalho "assistencialista" poderia
ser prejudicado com esse investimento na nossa saúde do município.
E, obviamente, a melhora da saúde pública não
interessa a esses parlamentares preocupados apenas com os seus interesses
pessoais. É a velha máxima do "levando vantagem
em tudo".
O Jornal "O Globo" publicou uma excelente reportagem no
último dia 25 de julho onde foi feita uma verdadeira radiografia
do triste cenário assistencialista em que se encontra a Câmara
Municipal do Rio de Janeiro. Segundo o Jornal, 20 dos 42 vereadores
possuem Centros Sociais. Isso provavelmente explica, em parte, o
quanto a nossa saúde pública se encontra abandonada.
As verbas de gabinetes e o pagamento de assessores parlamentares
não podem ser destinados para essa ação nada
ética.
E de quem é a culpa? Nossa. Isso, exatamente, caro leitor
amigo. Nossa, pois estes mandatários não chegaram
lá por acaso ou através de concursos públicos.
Chegaram através do nosso voto e, principalmente daqueles
que se dizem "avessos à política". O Cristão
deve seguir, por exemplo, o que diz o Papa João Paulo II
na Exortação Christifideles laici: "Para animar
cristãmente a ordem temporal, no sentido de servir à
pessoa e à sociedade, os fiéis leigos não podem
absolutamente abdicar da participação na política,
ou seja, da múltipla e variada ação econômica,
social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover
orgânica e institucionalmente o bem comum. (...)".
Meus irmãos, este é o segredo: Participação.
Nós, cristãos, temos a obrigação de
prestar muita atenção em quem votamos e escolhemos
como mandatários. A responsabilidade é muito grande.
Maus mandatários precisam ser banidos do processo político
e os bons mandatários, mesmo sendo poucos, precisam ser valorizados.
Mais uma vez, a participação se torna palavra-chave
do processo de transformação social. Enquanto os centros
sociais assistencialistas patrocinados por mandatários crescem,
os Conselhos Municipais e os grupos de cidadãos que se organizam
para acompanhar e fiscalizar a atuação de suas Câmaras
de Vereadores se esvaziam. Desta forma, ficará cada vez mais
difícil encontrarmos uma sociedade mais justa, fraterna e
conseqüentemente Cristã.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br
::>
Matérias anteriores
|