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Fé e Política | SETEMBRO


"A saúde do seu povo"

Uma prática eleitoreira bastante antiga e muito utilizada no interior do País vem ganhando espaço e crescendo significativa-mente na capital: Os chamados "Centros Sociais" patrocinados por mandatários.

Esses centros nada mais são do que pequenos (ou em alguns casos até grandes) postos privados de saúde, instalados nas comunidades mais carentes das nossas capitais e que prestam atendimentos ambulatoriais e, em alguns casos, distribuem remédios, dentaduras, pernas mecânicas e etc.

Bancados por alguns deputados ou vereadores, os centros sociais acabam iludindo até mesmo os mais cultos que interpretam o seu funcionamento como uma espécie de "boa ação" por parte desses políticos. Realmente, dar atendimento médico gratuito, dentaduras e remédios às pessoas mais pobres que não têm acesso à saúde de qualidade, pode parecer, sob uma análise superficial, uma atitude bonita e até certo ponto Cristã. O problema é que esta atitude "caridosa" é sempre acompanhada pela terrível ação fisiológica e interesseira da troca de votos. Quem é atendido nestes centros sociais acaba levando para casa algum "lembrete" para a associação do favor recebido ao mandatário que o "patrocina". E para piorar ainda mais, o verdadeiro papel que o mandatário deveria estar desempenhando em seu mandato que é apresentar projetos de lei que visem melhorar a qualidade de vida do cidadão; fiscalizar o executivo para verificar se os recursos do orçamento estão sendo corretamente aplicados e, finalmente, participar de comissões permanentes e provisórias para defender os interesses do cidadão e promover o bem-comum são literalmente esquecidos. Cabe destacar aqui, por exemplo, o que fizeram alguns dos atuais Vereadores na cidade do Rio de Janeiro neste último ano: Metade dos 42 parlamentares da câmara municipal do Rio não votaram a favor de uma emenda coletiva que destinava R$ 40 milhões para a saúde da cidade. O mais triste disso é que boa parte dos vereadores que não votaram a favor desta emenda possuem centros sociais de saúde, localizados em áreas carentes da nossa cidade. Ou seja, não foi levado em consideração o bem estar dos mais necessitados, mas o quanto esse trabalho "assistencialista" poderia ser prejudicado com esse investimento na nossa saúde do município. E, obviamente, a melhora da saúde pública não interessa a esses parlamentares preocupados apenas com os seus interesses pessoais. É a velha máxima do "levando vantagem em tudo".

O Jornal "O Globo" publicou uma excelente reportagem no último dia 25 de julho onde foi feita uma verdadeira radiografia do triste cenário assistencialista em que se encontra a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Segundo o Jornal, 20 dos 42 vereadores possuem Centros Sociais. Isso provavelmente explica, em parte, o quanto a nossa saúde pública se encontra abandonada. As verbas de gabinetes e o pagamento de assessores parlamentares não podem ser destinados para essa ação nada ética.

E de quem é a culpa? Nossa. Isso, exatamente, caro leitor amigo. Nossa, pois estes mandatários não chegaram lá por acaso ou através de concursos públicos. Chegaram através do nosso voto e, principalmente daqueles que se dizem "avessos à política". O Cristão deve seguir, por exemplo, o que diz o Papa João Paulo II na Exortação Christifideles laici: "Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido de servir à pessoa e à sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum. (...)".

Meus irmãos, este é o segredo: Participação. Nós, cristãos, temos a obrigação de prestar muita atenção em quem votamos e escolhemos como mandatários. A responsabilidade é muito grande. Maus mandatários precisam ser banidos do processo político e os bons mandatários, mesmo sendo poucos, precisam ser valorizados.

Mais uma vez, a participação se torna palavra-chave do processo de transformação social. Enquanto os centros sociais assistencialistas patrocinados por mandatários crescem, os Conselhos Municipais e os grupos de cidadãos que se organizam para acompanhar e fiscalizar a atuação de suas Câmaras de Vereadores se esvaziam. Desta forma, ficará cada vez mais difícil encontrarmos uma sociedade mais justa, fraterna e conseqüentemente Cristã.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br

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