Por
ser a arte de governar, de participar da vida pública, administrando
os assuntos de interesse comum, a política não se restringe
apenas, á esfera do Estado, mas abrange todas as relações.
Como somos seres sociais e vivemos em relação com os
outros, fazemos política sempre ( em casa, na escola, no trabalho,
na Igreja, no lazer...).
Se a política é uma constante em nossa vida, devemos
procurar conhecer os modos pelos quais podemos participar ativamente
do processo político, para que possamos vivê-la de modo
consciente. A indiferença, a passividade e o descomprometimento
favorecem a ação de uma minoria esperta e ambiciosa,
que acaba decidindo o destino e o futuro da maioria. Sempre haverá
pessoas dispostas a se aproveitarem de nossa omissão.
Precisamos participar de tudo o que diz respeito ao mundo, ao nosso
país, ao estado, ao município, à sociedade da
qual fazemos parte, interferindo como cidadãos conscientes
de que o destino do planeta em que vivemos é do nosso interesse.
Estaremos contribuindo com todos se dissermos não à
alienação e exercermos o nosso direito de cidadania.
Cidadania! Precisamos definir bem o significado dessa palavra, pois
ela envolve o direito de todo o ser humano a uma vida digna, decente.
O jornalista Gilberto Dimenstem tem palavras bem esclarecedoras a
esse respeito.
Cidadania é o direito de ter uma idéia e poder
expressá-la. E poder votar em quem quiser sem constrangimento.
É processar um médico que cometa um erro. É devolver
um produto estragado e receber o dinheiro de volta. E o direito de
ser negro sem ser discriminado, de praticar uma religião sem
ser perseguido.
O direito de ter direitos é uma conquista da humanidade. Da
mesma forma que a anestesia, as vacinas, o computador, a máquina
de lavar, a pasta de dentes, o transplante do coração.
Foi uma conquista dura. Muita gente lutou e morreu para que tivéssemos
o direito de votar. Lutou-se pela idéia de que todos os homens
merecem a liberdade e de que todos são iguais diante da lei.
Pessoas deram a vida combatendo a concepção de que o
rei tudo podia porque tinha poderes divinos e aos outros cabia obedecer.
No século XVIII a rebeldia a essa situação detonou
a Revolução Francesa, um marco na história da
liberdade do homem.
No mundo, trabalhadores ganharam direitos. As mulheres relegadas a
segundo plano, passaram a poder votar, símbolo máximo
de cidadania. Até há pouco tempo, justificava-se abertamente
o direito do marido de bater na mulher e até de matá-la.
Em 1948, surgiu a Declaração Universal dos Direitos
do Homem, aprovada pela ONU, ainda na emoção da vitória
contra as forças totalitárias lideradas pelo nazismo,
na Europa."
Estamos vivendo um momento importante em nossa cidadania. Você
está convidado a escolher os seus candidatos a prefeito e vereador.
O ato de votar faz parte da nossa consciência cristã
e da nossa cidadania. Para nós que temos em Jesus Cristo e
nos Evangelhos um modelo de vida, o gesto de votar faz parte da nossa
identidade e do compromisso em tudo o que acreditamos. Somos, então,
convocados juntamente com toda Igreja, a fazer acontecer o sonho de
Deus: a justiça, a paz e a fraternidade.
A escolha de quem poderá ajudar nosso povo a viver com mais
dignidade, sem mentiras e promessas jamais cumpridas - é o
nosso dever.
Hélia do Fraga |