O HOMEM
A Revelação nos diz que o homem é a criatura
que mais do que qualquer outra reflete em si os atributos de Deus.
A forma transcende tanto a das outras criaturas que o sábio
não tem dúvida em afirmar que o homem foi criado "à
imagem e semelhança de Deus" (Gn 1,26). Isto significa
que o homem reflete em si o Deus trinitário que desde a criação
se revela Ser, Poder e Sabedoria.
O salmista nos faz notar que a relação criatural implica
também uma relação de amor qual de mãe
para com a sua criatura. De fato, por ser Deus o Criador, ele tece
o homem em cada fibra do seu ser (Sl 139,13). Se entre a mãe
e o filho se estabelece uma relação afetiva profunda
na base de uma geração, podemos imaginar qual é
a relação amorosa de Deus com a sua criatura.
São Paulo, que está em condições bem mais
perfeitas do que o salmista para considerar o amor de Deus para com
o homem, fala de um Plano que este tem sobre o homem e que visa a
nossa predestinação a sermos conformes à imagem
do seu Filho (Rm 8,28-30). É por isso que Deus nos chama à
existência, e, no amor, nos justifica, até entregar o
Filho tornando-o instrumento de propiciação (Rm 3,25)
e, no mesmo Filho, nos glorifica.
Quando consideramos, enfim, o que se torna o homem, no momento em
que a Pessoa do Verbo assume a natureza humana, podemos afirmar que
o amor de Deus age sem limites sobre o homem, dele explorando toda
a potencialidade para uma divinização. Essa, de fato,
se atua de modo admirável quando aquele que pela Encarnação
se tornou alma vivente, em virtude da glorificação,
após sua ressurreição, se torna Espírito
vivente (1Cor 15,45), o Senhor, que na condição de Cabeça,
nos comunica a plenitude da vida divina. Nós, em virtude do
Espírito plenamente comunicado, pela ação do
Senhor que é Espírito (2 Cor 3,17s), somos transformados
de glória em glória até a estatura adulta de
Cristo (Ef 4,13), para participar plenamente da vida divina, na condição
de filhos adotivos.
Antes mesmo de conhecer tudo o que a Encarnação do Verbo
nos proporcionou, o salmista, na base da intuição do
sábio que tinha redigido Gn 1, exclamava, enquanto se dirigia
a Deus, falando do homem: "O fizeste pouco menos do que um deus,
coroando-o de glória e beleza, para que domine as obras de
tuas mãos"(Sl 8,6s).
Se, em relação a Deus, o homem reflete em si, mais do
que qualquer outra criatura, os atributos do Deus trinitário,
em relação ao mundo assume uma condição
bem clara porque foi criado por Deus para que "reine sobre os
peixes do mar, as aves do céu..." (Gn 1,26). Isto significa
que ao homem foi dado o mundo como seu reino, com a tarefa de administrá-lo
com responsabilidade e, enquanto é chamado a viver como mediador
da louvação que sobe da criação ao Criador,
a descobrir na glória da criação a Glória
do Criador que, nas suas obras, revela os seus atributos, particularmente
a sua Bondade além do Poder, Sabedoria e Beleza.
Perguntas para uma reflexão:
1a) Por que o homem se assemelha a Deus no ser, no poder e no saber?
2a) Quais são os momentos do Plano de Deus sobre o homem segundo
Rm 8,28-30?
3a) Por que Jesus é o Modelo de cada homem?
Pe. Fernando Capra - CRSP |