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Temas Bíblicos | SETEMBRO

O HOMEM

A Revelação nos diz que o homem é a criatura que mais do que qualquer outra reflete em si os atributos de Deus. A forma transcende tanto a das outras criaturas que o sábio não tem dúvida em afirmar que o homem foi criado "à imagem e semelhança de Deus" (Gn 1,26). Isto significa que o homem reflete em si o Deus trinitário que desde a criação se revela Ser, Poder e Sabedoria.

O salmista nos faz notar que a relação criatural implica também uma relação de amor qual de mãe para com a sua criatura. De fato, por ser Deus o Criador, ele tece o homem em cada fibra do seu ser (Sl 139,13). Se entre a mãe e o filho se estabelece uma relação afetiva profunda na base de uma geração, podemos imaginar qual é a relação amorosa de Deus com a sua criatura.

São Paulo, que está em condições bem mais perfeitas do que o salmista para considerar o amor de Deus para com o homem, fala de um Plano que este tem sobre o homem e que visa a nossa predestinação a sermos conformes à imagem do seu Filho (Rm 8,28-30). É por isso que Deus nos chama à existência, e, no amor, nos justifica, até entregar o Filho tornando-o instrumento de propiciação (Rm 3,25) e, no mesmo Filho, nos glorifica.

Quando consideramos, enfim, o que se torna o homem, no momento em que a Pessoa do Verbo assume a natureza humana, podemos afirmar que o amor de Deus age sem limites sobre o homem, dele explorando toda a potencialidade para uma divinização. Essa, de fato, se atua de modo admirável quando aquele que pela Encarnação se tornou alma vivente, em virtude da glorificação, após sua ressurreição, se torna Espírito vivente (1Cor 15,45), o Senhor, que na condição de Cabeça, nos comunica a plenitude da vida divina. Nós, em virtude do Espírito plenamente comunicado, pela ação do Senhor que é Espírito (2 Cor 3,17s), somos transformados de glória em glória até a estatura adulta de Cristo (Ef 4,13), para participar plenamente da vida divina, na condição de filhos adotivos.

Antes mesmo de conhecer tudo o que a Encarnação do Verbo nos proporcionou, o salmista, na base da intuição do sábio que tinha redigido Gn 1, exclamava, enquanto se dirigia a Deus, falando do homem: "O fizeste pouco menos do que um deus, coroando-o de glória e beleza, para que domine as obras de tuas mãos"(Sl 8,6s).

Se, em relação a Deus, o homem reflete em si, mais do que qualquer outra criatura, os atributos do Deus trinitário, em relação ao mundo assume uma condição bem clara porque foi criado por Deus para que "reine sobre os peixes do mar, as aves do céu..." (Gn 1,26). Isto significa que ao homem foi dado o mundo como seu reino, com a tarefa de administrá-lo com responsabilidade e, enquanto é chamado a viver como mediador da louvação que sobe da criação ao Criador, a descobrir na glória da criação a Glória do Criador que, nas suas obras, revela os seus atributos, particularmente a sua Bondade além do Poder, Sabedoria e Beleza.

Perguntas para uma reflexão:
1a) Por que o homem se assemelha a Deus no ser, no poder e no saber?
2a) Quais são os momentos do Plano de Deus sobre o homem segundo Rm 8,28-30?
3a) Por que Jesus é o Modelo de cada homem?

Pe. Fernando Capra - CRSP
 
 
VEJA NO MÊS DE SETEMBRO/2003:

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Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
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