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EVANGELHO DE JOÃO (3)
Jesus segundo João
João revela, mais que seus antecessores, o mistério
da pessoa de Jesus, de sua transcendência e de sua preexistência.
Com apenas uma rápida olhada no seu Evangelho podemos afirmar
que Jesus segundo ele é o Verbo eterno de Deus, Criador do
mundo juntamente com o Pai, o Cristo, o Filho de Deus, a Luz verdadeira
encarnada para comunicar ao mundo a revelação definitiva
e salvadora para todos os homens.
Já no Prólogo aparecem os grandes temas que serão
desenvolvidos no Evangelho: manifestação de Cristo,
Luz, Verdade, Vida, Glória, Revelação do Pai,
Fé e Incredulidade. No decorrer do seu Evangelho outras revelações
de títulos de Jesus tais como Porta e Pastor são mencionados
e devidamente explicados.
Jesus se manifesta como Messias mediante os milagres. Jesus é
o fundador da nova economia da graça, superior à antiga
do Templo e da Lei. Ao curar o paralítico, mostra que atua
como o Pai, por ser o Filho, afirmando assim claramente a sua divindade.
Jesus se manifesta como o Pão da Vida e revela o mistério
da Santíssima Eucaristia.
Jesus se revela como Luz e Vida do mundo. Jesus ensina que Ele foi
enviado pelo Pai e que enviará o Espírito Santo. Como
"a Luz do mundo" enviado do Pai, igual a Deus e superior
a Abraão, Ele é fonte de Luz. João retoma o
tema inicial das primeiras linhas do Gênesis, onde a Luz é
a primeira criação de Deus (Gn 1, 1-3). O sinal que
prova a verdade de suas palavras é o milagre da cura de um
homem cego de nascença (Jo 9,1-38). Jesus devolve a luz a
um cego.
Quando João cita a afirmação de Jesus "Eu
sou a Ressurreição e a Vida", narra a ressurreição
de Lázaro como um grande sinal.
Somente por meio da fé em Cristo e pela sua graça,
o homem pode chegar à salvação, porque Jesus
é a porta pela qual se entra na vida eterna. Ele é
porta em duas dimensões distintas: de entrada (10, 7-8) até
as ovelhas e de saída (10, 9-10) para as mesmas.
Ele é também o bom pastor que nos conduz e deu a sua
vida por nós (10, 11-18). Somente Ele veio trazer a autêntica
salvação de Deus à humanidade, que o aceita
na sua pessoa; é Ele o único capacitado por Deus para
ter vida em si e para dá-la a quem queira (5, 26s). Todos
os que vieram às ovelhas antes Dele são ladrões,
não podem levar a salvação. Ele é o
revelador e a única e exclusiva presença total de
Deus. Jesus é também o Pastor em duas dimensões
distintas: enquanto defende as ovelhas dos ataques do lobo em troca
da própria vida (10,11-13) e enquanto reconhece suas ovelhas
onde quer que estejam (10,14-16). Jesus se apresenta como aquele
que, livremente e por um ato de amor para com suas ovelhas, permite
que lhe tirem a vida, sabendo que não se trata de uma morte
total, mas transitória porque depois tornará a tomá-la
(10, 11.17-18).
E o seu ofício de pastor o faz buscar suas próprias
ovelhas em redis diversos do povo de Israel (Jo 10, 16). Sua missão
salvífica se estende a todos os homens morre por todas as
ovelhas , mas só alguns de um e de outro redil Israel e pagãos
sabem apropriar-se da salvação as suas.
Um dos pontos altos das afirmações de Jesus está
no capítulo 10 ao afirmar "Eu e o Pai somos um. O Pai
está em mim, e Eu no Pai". Jesus é apresentado
como "caminho" para o Pai, do qual vem e para o qual vai,
associando-nos ao movimento de retorno ao Pai. Jesus é o
"caminho", isto é, Ele conduz ao Pai enquanto é
a verdade do Pai e sobre o Pai. Jesus é a fonte da verdade,e
a vida divina que tem sua fonte no Pai. Ele é o lugar onde
o Pai se manifesta plena e definitivamente.
Jesus é o Logos que aparece essencialmente como mediador
exclusivo entre Deus e o mundo. O logos grego traduz o hebraico
dabar palavra de Javé. O Deus inatingível e oculto,
do qual ninguém pode chegar a saber coisa alguma, faz-se
presente exclusivamente através deste Logos: primeiro na
criação; depois na encarnação, porque
este Logos chega a converter-se em homem e é então
que sabemos que Jesus de Nazaré é o Logos. Ele é
o próprio Logos que esteve sempre presente junto de Deus.
Se Deus é perceptível em Jesus de Nazaré, como
exige a fé joanina, é porque Jesus, como também
o Logos, pertence ao âmbito do divino. Não se trata
de uma qualidade acrescentada ao homem Jesus, mas de uma entidade
total e real: Jesus é Deus. O que, traduzido, significa:
Jesus não deixou de ser o Logos. Os mundos antagônicos
de Deus e do homem se confundem numa mesma história, a dos
cristãos. Jesus de Nazaré é o Logos que começou
uma nova etapa de relações entre os dois mundos distantes
por natureza.
Jesus se manifesta progressivamente como o Messias mediante os seus
milagres sinais de Sua divindade; e mediante suas palavras, em que
se declara Messias, Filho de Deus e igual ao Pai. O texto sagrado
realça que na Paixão se realiza a suprema manifestação
de Jesus como Messias Rei, e da Sua Glória. Quando diz "Eu
sou" retrocedem e caem por terra os que vão prendê-lo
(18,5-8); declara-se rei diante de Pilatos (18,33-37; cf 19,2-3.19-22);
e manifesta o seu pleno conhecimento e domínio dos acontecimentos
(18,4; 19,28), em que se cumpre a vontade do Pai (18,11; 19,30).
Cristo é o novo Cordeiro Pascal, que com sua morte redentora
tira o pecado do mundo (19,31 cf 1,29).
A nossa fé se fortalece ainda mais com a manifestação
gloriosa de Jesus como Messias e Filho de Deus, na sua Ressurreição
e nas aparições do ressuscitado a Maria Madalena (20,11-18)
e aos seus discípulos (20,19-29).
João viu e ouviu as narrações do seu evangelho
e seu testemunho é verdadeiro
(continua)
Jane do Tércio
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