Quaresma, conversão, fraternidade

Este ano de 2016 é o Ano da Misericórdia (08/12/2015 a 20/11/2016), convocado pelo Papa Francisco, que afirma: “A misericórdia possui uma valência que ultrapassa as fronteiras da Igreja. (…) que o ano jubilar nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e nos compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e de desprezo e expulse todas as formas de violência e de discriminação” (MV, n.23).

Na Bula de convocação para o Jubileu extraordinário da Misericórdia o Papa Francisco assim se refere à quaresma: “A Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus. Quantas páginas da Sagrada Escritura se podem meditar nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai! Com as palavras do profeta Miqueias, podemos também nós repetir: Vós, Senhor, sois um Deus que tira a iniquidade e perdoa o pecado, que não Se obstina na ira, mas Se compraz em usar de misericórdia. Vós, Senhor, voltareis para nós e tereis compaixão do vosso povo. Apagareis as nossas iniquidades e lançareis ao fundo do mar todos os nossos pecados (cf. 7, 18-19)”.

Ainda: “A iniciativa « 24 horas para o Senhor », que será celebrada na sexta-feira e no sábado anteriores ao IV Domingo da Quaresma, deve ser incrementada nas dioceses. Há muitas pessoas – e, em grande número, jovens – que estão a aproximar-se do sacramento da Reconciliação e que frequentemente, nesta experiência, reencontram o caminho para voltar ao Senhor, viver um momento de intensa oração e redescobrir o sentido da sua vida. Com convicção, ponhamos novamente no centro o sacramento da Reconciliação, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia. Será, para cada penitente, fonte de verdadeira paz interior”.

Continua o Santo Padre: “Os pastores, especialmente durante o tempo forte da Quaresma, sejam solícitos em convidar os fiéis a aproximar-se « do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar graça » (Hb 4, 16)”.

O apelo do Papa é veemente: “Que a palavra do perdão possa chegar a todos e a chamada para experimentar a misericórdia não deixe ninguém indiferente”.

E conclui seus pensamentos sobre a Quaresma assim: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão. Está sempre disposto a ouvir, e eu também estou, tal como os meus irmãos bispos e sacerdotes. Basta acolher o convite à conversão e submeter-se à justiça, enquanto a Igreja oferece a misericórdia.” (Cfr. MV 17-19)”

No tempo quaresmal, a Igreja no Brasil apresenta a todo o Povo de Deus um modo de conversão concreta, uma verdadeira obra de misericórdia – a Campanha da Fraternidade. Esta Campanha foi uma idealização de meu saudoso e sempre lembrado predecessor, o Cardeal Eugênio Sales, ainda nos seus tempos de Administrador Apostólico de Natal, depois assumida em nível nacional pela CNBB. Esta sempre tem a intenção de meditar os exercícios espirituais da: oração, jejum e esmola. Esta, também possui uma união entre a vida espiritual e os envolvimentos com a sociedade. Cada Campanha da Fraternidade é a oportunidade de refletirmos como anda o nosso caminho com: Deus, conosco e com a sociedade.

A Quaresma possibilita a constante mudança de vida que o Evangelho pede. A Campanha da Fraternidade, a partir do Evangelho, nos convida a um caminho de libertação pessoal, comunitário e social. A Campanha da Fraternidade de 2016 é ecumênica e tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. As igrejas irão refletir e rezar juntas, como pede o profeta Amós (5,24): “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) é responsável pela CFE 2016, que assume a missão de expressar em gestos e ações o mandato evangélico da unidade, que diz: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). No manual é esclarecido o objetivo principal, o cartaz e os objetivos específicos dessa Campanha, que cito a seguir.

O objetivo principal da Campanha da Fraternidade desse ano é “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

Os objetivos específicos são os seguintes: “1- Unir igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico; 2- Estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico; 3- Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente, a água; 4- Apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu Plano de Saneamento Básico; 5- Acompanhar a elaboração e a execução dos Planos Municipais de Saneamento Básico; 6- Desenvolver a consciência de que políticas públicas na área de saneamento básico apenas tornar-se-ão realidade pelo trabalho e esforço em conjunto; 7- Denunciar a privatização dos serviços de saneamento básico, pois eles devem ser política pública com obrigação do Estado; 8- Desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas”. (citações do documento base de responsabilidade do CONIC).

Quanto ao cartaz, este possui a seguinte explicação: “Nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos e monoculturas. A diversidade da criação de Deus desaparece. A terra alegre fica triste. No entanto, a fé em Jesus Cristo nos anima a assumirmos o cuidado com a Casa Comum como resposta ao amor incondicional que Deus oferece a cada um e cada uma de nós. Assumir esse compromisso reacende a esperança de um novo céu e uma nova terra onde habitam a justiça e o direito”.

No cartaz, “o rosto expressa que queremos que as mudanças dos paradigmas e valores que nos orientam nessa sociedade de consumo transformem o rio poluído em água cristalina e habitado por muitos peixes, a terra seca em uma terra renovada e abundante”. “Com essa transformação, poderemos dançar e celebrar a esperança de que o projeto da Casa Comum não terá fim, mas continuará por gerações e gerações”.

É inegável que a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano está em sintonia com as preocupações e orientações do Papa Francisco, expressas na Carta Encíclica “Laudato Si” sobre o cuidado da casa comum.

Portanto, queremos, com a Campanha da Fraternidade deste ano, refletir e valorizar ainda mais o meio ambiente. Valorizemos e tenhamos cuidado com a natureza, pois, dizia São Francisco de Assis que ela é nossa irmã. Para nós, cristãos, é um modo concreto de conversão quaresmal, pois o olhar cristão sobre a nossa casa comum supõe mudança de paradigma e principalmente conversão, que se transformam em atitudes concretas novas no cuidado com a natureza. Diante de um mundo em que a busca do lucro e a preocupação consigo mesmo tomou um vulto enorme, passar para a preocupação com o outro e com o futuro supõe a graça de Deus de uma transformação quaresmal.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

 

Fonte: ArqRio

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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