Papa no avião: imigração, não é humano fechar as portas

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Cidade do Vaticano (RV) – No avião que trouxe o Papa Francisco de Malmö, na Suécia, a Roma, nesta terça-feira (1º/11), o Pontífice conversou com os jornalistas que o acompanharam nesta 17ª viagem apostólica internacional. 



Dentre os temas abordados durante a coletiva estão: imigrantes e refugiados, secularização, laicidade e laicismo, mundanidade espiritual, tráfico de seres humanos e voluntariado na Itália. 

Depois de agradecer ao Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke, pelas boas-vindas, o Papa iniciou a resposta da primeira pergunta, feita por uma jornalista sueca, agradecendo à Suécia por ter acolhido muitos argentinos, chilenos e uruguaios no tempo da ditadura militar. “A Suécia tem uma tradição longa de acolhimento, mas não somente de receber, mas de integrar, procurar moradia, escola e trabalho. Integrar num povo. Dos 9 milhões de habitantes na Suécia, 850 mil são novos suecos, ou seja, imigrantes, refugiados ou seus filhos”, disse Francisco. 

Imigração

A seguir, o Papa fez a distinção entre migrante e refugiado. “O migrante deve ser tratado com certas regras porque migrar é um direito, mas é um direito muito regulado. Ao invés, o refugiado vem de uma situação de guerra, angústia, de fome, de uma situação terrível e o status de refugiado precisa de cuidado, de mais trabalho. Também nisso, a Suécia sempre deu um exemplo na organização, no fazer aprender a língua, a cultura e também integrar na cultura. Na integração das culturas, não devemos nos espantar porque a Europa foi formada com uma integração contínua de culturas, várias culturas”, disse o Pontífice.

Sobre o que pensa em relação aos países que fecham as fronteiras, o Papa disse que “na teoria não se pode fechar o coração a um refugiado, mas há também a prudência dos governantes: devem ser muito abertos a recebê-los, mas também fazer o cálculo de como organizá-los, porque um refugiado não se deve somente receber, mas o integrar. Se um país tem uma capacidade de vinte, digamos assim, de integração, faça os vinte. Se outro tem mais, faça mais. Mas sempre com o coração aberto: não é humano fechar as portas, não é humano fechar o coração. Quando um refugiado ou um migrante não se integra, entra num gueto. Uma cultura que não desenvolve em relação com a outra cultura é perigoso. Acredito que o pior conselheiro para os países que fecham as fronteiras seja o medo, e o melhor conselheiro seja a prudência. Conversei com um funcionário do Governo sueco estes dias e ele me falava de algumas dificuldades neste momento, pois chegam muitos e não se tem tempo de organizá-los, encontrar escola, casa, trabalho e aprender a língua. A prudência deve fazer este cálculo. Não acredito que se Suécia diminuir a sua capacidade de acolhimento o fará por egoísmo ou porque perdeu a capacidade; se há algo desse tipo é porque hoje muitos olham para a Suécia porque conhecem o acolhimento, mas para organizá-los não tem tempo necessário para todos.” 

Sobre o que pensa em relação à Suécia ter como Primaz da Igreja Luterana uma mulher, o Papa disse que leu a história daquela área onde esteve e viu que existiu uma rainha que ficou viúva três vezes. Então disse: “Esta mulher é forte! Disseram-me que as mulheres suecas são muito fortes e que alguns homens suecos procuram mulheres de outra nacionalidade. Não sei se é verdade isso!”, disse o Pontífice. 

Ordenação de mulheres

Sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra foi dada por São João Paulo II, e esta permanece. “Se lemos bem a declaração feita por São João Paulo II, vai naquela linha. Sim. Mas as mulheres podem fazer muitas coisas, melhor que os homens, também no campo dogmático. Para esclarecer, talvez para dar uma clareza, não fazer somente uma referência a um documento: na eclesiologia católica existem duas dimensões para pensá-la. A dimensão petrina que é a dos apóstolos, Pedro e o colégio apostólico que é a pastoral dos bispos, e a dimensão mariana que é a dimensão feminina da Igreja. Isso eu já disse aqui mais de uma vez. Eu me pergunto: Quem é mais importante na teologia e na mística da Igreja, os apóstolos ou Maria, no dia de Pentecostes? É Maria. Digo mais. A Igreja é mulher! É “a” Igreja e não “o” Igreja. E a Igreja esposa Jesus Cristo. É um mistério esponsal. À luz deste mistério se entende o porque dessas duas dimensões: a dimensão petrina, ou seja episcopal, e a dimensão mariana com tudo aquilo que seja a maternidade da Igreja, mas num senso mais profundo. Não existe a Igreja sem esta dimensão feminina, porque ela é feminina.”

Iniciativas ecumênicas

Um jornalista disse, em espanhol, que houve encontros ecumênicos ricos com as Igrejas tradicionais: ortodoxa, anglicana e agora a luterana, e que soube que na vigília de Pentecostes, do próximo ano, haverá um evento no Circo Massimo, em Roma, para celebrar o 50º aniversário da Renovação Carismática. 

O senhor promoveu muitas iniciativas em 2014, talvez a primeira vez para um Papa, com os líderes evangélicos. O que aconteceu com estas iniciativas e o que se espera obter da reunião, do encontro do próximo ano?

“Com estas iniciativas… Eu diria que fiz dois tipos de iniciativas. Uma quando fui a Caserta à Igreja Carismática, e também na mesma linha quando, em Turim, fui à Igreja Valdense. Uma iniciativa de reparação e pedido de perdão porque os católicos, parte da Igreja Católica não se comportou de maneira cristã, não se comportou bem, em relação a eles. Ali se devia pedir perdão e curar uma ferida. 

Outra iniciativa foi a do diálogo, e isso em Buenos Aires. Em Buenos Aires, por exemplo, fizemos três encontros no Estádio Luna Park de Buenos Aires que tem a capacidade de acolher 7 mil pessoas. Três encontros com fiéis evangélicos e católicos em linha com a Renovação Carismática, mas também aberta. Encontros que duravam o dia todo: pregava um pastor, um bispo evangélico e pregava um sacerdote católico ou um bispo católico, ou dois e dois, se alternavam. Em dois desses encontros, ou talvez em todos os três, mas em dois com certeza, pregou o Pe. Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. 

Acredito que a coisa venha já dos pontificados precedentes, desde quando eu era em Buenos Aires. E isso nos fez bem. Fizemos também retiros espirituais de três dias com pastores e sacerdotes juntos, com a pregação feita por pastores e um sacerdote ou um bispo. Isso ajudou muito o diálogo, a compreensão, a aproximação, o trabalho, sobretudo o trabalho com os mais carentes. Juntos. E o respeito, o grande respeito. Isso em relação às iniciativas em Buenos Aires e esta agora, aqui em Roma, eu tive várias reuniões com pastores, dois ou três. Alguns vieram dos Estados Unidos e daqui da Europa.

Renovação carismática

O que você mencionou é a celebração que organiza a Iccrs, a celebração para os 50 anos da Renovação Carismática, que nasceu ecumênica, e por isso será uma celebração ecumênica neste sentido, e se realizará no Circo Massimo. Eu espero, se Deus me der vida, de ir falar ali. Parece-me que dura dois dias, mas ainda não foi organizada. Só sei que se realizará na vigília de Pentecostes, e eu falarei em algum momento. 

A propósito de Renovação Carismática e Pentecostais, a palavra pentecostal, a denominação pentecostal hoje é ambígua, porque se refere a muitas coisas que não são iguais, aliás, são opostas. Difundiu-se que se tornou um termo ambíguo. No Brasil, isto é típico, onde se propagou muito.
 
A Renovação Carismática nasce, e um dos primeiros opositores que houve na Argentina fui eu, porque eu era Provincial dos Jesuítas naquela época, quando iniciou na Argentina, e proibi os Jesuítas de ter contatos com eles. Eu disse publicamente que quando se fazia uma celebração litúrgica era preciso fazer uma coisa litúrgica e não uma escola de samba. Eu disse isso. Hoje, penso o contrário, quando as coisas são bem feitas. 

Em Buenos Aires, todos os anos, uma vez por ano, tínhamos na catedral a missa do movimento da Renovação Carismática à qual vinham todos. Eu também experimentei o processo de reconhecimento do bom que a Renovação deu à Igreja. Não podemos nos esquecer da grande figura do Cardeal Suenens, que teve aquela visão profética e ecumênica.”

Secularização

Central a questão da secularização relativa a toda a Europa. Foi perguntado ao Papa se os responsáveis são os governos leigos ou a Igreja que seria muito tímida. A resposta de Francisco é ampla e está ligada abertamente ao pensamento de Bento XVI. Primeiramente, não é “uma fatalidade”. “De um lado”, ressalta, “quando há secularização, há alguma fraqueza na evangelização”, mas, por outro lado, existe também “um processo cultural”, quando o homem, que recebe o mundo de Deus, se sente tão patrão daquela cultura que “se torna patrão de outra cultura”, ou seja, quer tomar o lugar do Deus criador:
 
“Não é um problema de laicidade porque é preciso uma laicidade saudável, que é a autonomia das coisas, a autonomia saudável das coisas, a autonomia saudável das ciências, do pensamento, da política, é necessária uma laicidade sadia. Outra coisa é o laicismo como o que nos foi deixado como herança pelo Iluminismo. Acredito que são essas duas coisas: um pouco a suficiência do homem criador de cultura, mas que vai além dos limites e se sente Deus, e a fraqueza na evangelização que se torna morna e os cristãos mornos. Nesse contexto, nos salva retomar a autonomia saudável no desenvolvimento da cultura e das ciências também com a dependência de ser criatura, não Deus, e também retomar a força da evangelização.”

Para o Papa, “esta secularização é muito forte na cultura e em certas culturas” e é também muito forte em várias formas de mundanidade, a “mundanidade espiritual” que quando entra na Igreja “é pior”, sublinhou o Pontífice, recordando o grande teólogo do Concílio, o Cardeal de Lubac. Portanto, uma secularização “um pouco maquiada” na vida da Igreja e “perigosíssima”. 

A visita do presidente venezuelano Maduro

Sobre a visita do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o início dos colóquios, o Papa explicou que o próprio Presidente lhe pediu uma audiência porque faria uma escala técnica em Roma. A Maduro, reiterou que o diálogo é o único caminho:

“O único caminho para todos os conflitos, eh? Para todos os conflitos! Ou se dialoga ou se grita, mas não há outro caminho. Eu com o coração aposto tudo no diálogo e acredito que seja necessário seguir este caminho”.

Tráfico de seres humanos

O Papa falou ainda do tráfico de seres humanos. “Sempre me comoveu o fato de que Cristo seja continuamente crucificado em seus irmãos mais fracos”, disse o Papa. E citou o trabalho na Argentina de grupos de fiéis e da sociedade civil contra o trabalho escravo de tantos imigrantes latino-americanos, de um indústria que pegou fogo e da morte de crianças. Francisco falou ainda do trabalho das freiras com as mulheres escravas da prostituição e da Missa que uma vez por ano celebrava na Praça da Constituição com essas pessoas e com quem as ajuda. Por fim, elogiou a Itália no campo do voluntariado.

(MJ/BF)

 

 

(from Vatican Radio)

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quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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