Quando alguém morre, a Igreja considera a possibilidade de que ainda tenha resquícios de pecado, dos quais se deve purificar.
Por conseguinte, ela institui orações e sufrágios, que são orações que a Igreja formula em favor dos falecidos. A Igreja pede a Deus que os fiéis defuntos sejam prontamente isentos de qualquer mancha de pecado leve que lhes impeça a visão de Deus face e face.
As almas do purgatório não podem acelerar o processo de sua purificação, pois são incapazes de merecer algo.O período de méritos é somente a vida presente. Contudo os cristãos na terra podem ser lhes úteis em virtude da Comunhão dos Santos, que une todos os membros da Igreja entre si; já que todos os fiéis: militantes (nós, os vivos), padecentes (as almas do purgatório) e triunfantes (as almas que já se encontram no céu) formam o Corpo de Cristo, os méritos de uns beneficiam os outros. Assim podem os fiéis na terra satisfazer pelas almas no purgatório. Os sufrágios aplicados às almas do purgatório fazem que estas sejam mais profundamente penetradas pelo amor de Deus, que nelas há de consumir as impurezas do pecado.
A comunicação de bens espirituais entre os fiéis não conhece classes nem privilégios; todos os bens espirituais da Igreja circulam entre todos os membros desta. Por isso não é adequada a expressão “as almas mais abandonadas no purgatório”; não há alma abandonada.
O uso litúrgico da vela é muito freqüente. Ela lembra que Cristo é a luz do mundo, e a cera, que se consome, lembra a vida de Cristo consumida por nosso amor. E para o cristão, lembra também que a chama da vela é o símbolo da Fé que deve iluminar a vida do cristão, que por sua vez, deve iluminar o mundo. A cera lembra que a vida do cristão só tem sentido se consumida no serviço ao outro, no amor ao irmão.
Desde o início da Igreja os cristãos fazem usos de velas, lamparinas e candelabros para exprimir a fé e o ardor de sua alma. Junto ao altar, principalmente por ocasião do Sacrifício da Missa, as velas acesas atestam a adoração prestada a Deus.
Quando se acende diante de imagens de santos, ou simplesmente em honra destes, as velas e lamparinas significam a atitude de veneração não adoração aos amigos de Deus.
Um costume que remonta até a Antiguidade é o de acender velas junto aos cadáveres ou túmulos dos defuntos, como símbolo da fé na luz e na vida eterna, exprimindo o respeito dos vivos perante o mistério da morte, sobre a qual só Deus tem poder; para os católicos equivalem a uma profissão de fé na imortalidade da alma e na ressurreição dos corpos. Esta reverência aos mortos se verifica nas diversas nações onde encontramos uma lamparina ardente junto ao túmulo do “Soldado desconhecido”.
Muitos se preocupam em colocar a vela acesa na mão do moribundo como um gesto de profundo significado de fé e esperança no Cristo, luz eterna dos que morrem no Senhor e de consagração de toda a vida a Deus. Supõe se que a vela tenha sido benta na igreja; tornou-se assim um sacramental, isto é, objeto que a Santa Igreja seqüestrou do uso profano, pedindo ao Senhor que todos aqueles que dele usem com fé e devoção obtenham graças para a alma e para o corpo; sobre tal objeto pesa, por assim dizer, o valor da prece da Igreja, a qual não pode deixar de ser agradável a Deus e meritória para os homens.
Por conseguinte, a fé e a devoção dos fiéis que, diante da morte, recorrem ao sacramental da vela benta, se revestem de nova eficácia para impetrar as graças de um santo desenlace. De modo semelhante, a água benta, a medalha benta, o pão bento que são outros sacramentais - usados com piedade, dão novo esteio à oração dos fiéis.
Vê-se, pois, que o uso das velas nada tem que ver com superstição. É claro, porém,que se podem verificar abusos; as almas simples lhes atribuem as vezes efeitos desproporcionais; é o que se deve de todo o modo evitar nos santuários católicos.
Jane do Térsio |