Prezado leitor, querido paroquiano.
Em primeiro lugar, preciso expressar o meu agradecimento pelo carinho que me foi manifestado por ocasião da comemoração dos meus 40 anos de sacerdócio, no dia 17 de setembro. Foram tantas as pessoas que se empenharam na realização das festas! Foram tantos os gestos e homenagens com surpresas que envolveram desde os meus familiares até amigos paroquianos antigos! Presentes como os paramentos, os cantos, leituras e sinais na liturgia; presentes as pessoas que se fizeram presentes. Além do coquetel e das homenagens dentro da festa portuguesa: presentes inesquecíveis. Eu não teria condições para agradecer a todos, como quero fazer aqui. Digo novamente, como disse na missa, me sinto indigno de tantos agradecimentos pelas fraquezas e falhas humanas que carrego. E que seja tudo pelo Sacerdócio, meu e dos meus companheiros de ministério, bem como do sacerdócio comum dos fiéis, “audácia de Deus” em confiar tão grande missão aos seres humanos.
Estamos dando partida para a segunda parte da elaboração do 11º Plano de Pastoral de Conjunto. Diversos grupos formados pelos agentes de todas as pastorais estão se reunindo e estudando o texto e respondendo as 58 perguntas propostas.
Neste mês das missões descobrimos que a nossa Igreja no Rio de Janeiro precisa se sentir sempre mais em 'estado de missão'. Não se trata de ir a outros lugares onde o Evangelho ainda não é conhecido, mas de ir aos lugares onde moramos, onde trabalhamos, onde estudamos, para dar testemunho de Jesus Cristo. O Documento de Aparecida já nos dizia isto com muita ênfase. E afirmava que é necessária uma mudança de atitude em relação a todas as pastorais para não se acomodarem nos seus métodos de ação. Ele falava de 'conversão pastoral': “se o mundo mudou, o jeito de evangelizar tem que mudar também: novo mundo e novos desafios e então novo jeito de evangelizar.” (2ºtexto, 89.3) Será que a nossa paróquia é uma paróquia acomodada? Somos resistentes às mudanças na pastoral? Como estamos acolhendo as pessoas que procuram os sacramentos? Quanta pessoa vem nos procurar só para o batismo dos filhos, ou para a primeira comunhão? E quanto jovem vem procurar a Confirmação? Tantos casais nos procuram só na hora da festa do casamento! Que fazemos com eles? Serão só palestras? Aulas? Que mais podemos fazer? Como acolhê-los? Como recebê-los? E ainda mais, podemos pensar em ir ao encontro das pessoas que residem aqui e que não conhecem Jesus? Ou que não percebem a importância dele na própria vida? “Percebemos que, para não poucas pessoas, a importância da vida de irmãos, da participação na Igreja, da celebração dominical da fé e da vida, não são vistas como importantes. Para estas pessoas, se Jesus Cristo ajudar a resolver os problemas, já está bom.”(id,35) Estamos vivendo um tempo em que se torna mais do que urgente e necessário apresentar Jesus Cristo, testemunhá-lo, falar dele, suscitar nos corações o desejo de conhecê-lo mais intensa e profundamente. (EN, 14).
Veja na pág. 5 a história dos sinos. Desde tempos antigos eles chamam... Agora nós temos que assumir a nossa missão não só de chamar, mas de ir ao encontro das pessoas, dando o testemunho da nossa fé. Isto vem de encontro à nossa história de 350 anos de comunidade paroquial.
Um abraço carinhoso, com o desejo de muitas bênçãos para você.
P. Sebastião Noronha Cintra, pároco. |