- Carta aos Romanos (6)
“Todos estão debaixo do pecado” (1,18-3,20)
1º) A condição do homem diante de Deus (1,18-32)
É evidente que sobre os homens está para se manifestar a ira de Deus porque vivem na impiedade e “estão repletos de toda sorte de injustiça” (v.29). Não sabem chegar a Deus pela contemplação da criação que dele revela o poder e a divindade.
Dessa forma, lhe prestariam culto de adoração e a sua ação de graças. Afastando-se sempre mais dele, se perdem em vãos arrazoados, fruto de um coração insensato envolto em trevas.
Trocam a Glória de Deus pela glória das criaturas e tornam deuses, para si, homens, aves, quadrúpedes e répteis. Tomados pela impureza, seus corações, que se tornaram insensatos, desonram seus corpos. Poderiam enaltecer-se servindo a Deus Criador, porque seria então que viveriam na verdade. Sinais das trevas em que os homens vivem mergulhados são as paixões aviltantes, sua sexualidade equivocada que os levam a sofrer, também, como conseqüência, os desvios do lesbianismo e da homossexualidade. Em lugar do conhecimento de Deus, neles se instala toda injustiça. Longe de Deus, o homem se torna perverso, ávido, cheio de malícia, invejoso, assassino, fraudulento, caluniador, inimigo de Deus, insolente e arrogante.
Desafiando o próprio Deus, que sabe que está ofendendo, chega até a aplaudir os que fazem essas coisas.
2º) Ninguém está em condição de se justificar diante de Deus (2,1-16).
Ninguém pode pensar de não estar praticando o pecado, achando que são os outros os culpados que Deus condenará. Por isso, ninguém deve resistir à graça de Deus, que se revela misericordioso, a ponto de se obstinar no pecado e viver impenitente. Isto acarreta a ira de Deus no dia do julgamento. Os que visam à glória, à honra, e à incorruptibilidade herdarão a vida; os egoístas, os rebeldes à verdade e os submissos à injustiça conhecerão a ira e a indignação de Deus, que julga a todos de forma imparcial.
3º) A condição peculiar do judeu (2,17-3,4)
Os que não conhecem a Lei serão julgados pela lei de Deus inscrita na sua consciência, enquanto os judeus serão julgados pela Lei de Moisés. Se, portanto, estes não praticam a Lei serão condenados por Deus com a agravante de que, por causa das suas transgressões, “o nome de Deus está sendo blasfemado entre os gentios” (2,24). Não adianta a circuncisão se o judeu não pratica a Lei; o incircunciso que observa a lei de Deus agrada a Deus muito mais do que o circunciso judeu que não observa a Lei de Moisés. Por causa disso, alguém poderia pensar que não há vantagem em ser judeu. Mas não é assim. O judeu tem o privilégio de conhecer os oráculos de Deus. A infidelidade de uns entre eles não anula a fidelidade de Deus, simplesmente a prova.
4º) Objeção sofística (3,5-8)
Se a injustiça realça a justiça divina, por que a ira divina?
Não podemos pensar que a infidelidade não é culpada pelo fato que provoca a misericórdia de Deus. Nunca o mal pode ser justificado. Dizer que podemos mentir e pecar para provocar a Bondade misericordiosa de Deus é querer sofismar. Não esqueçamos que Deus julgará o mundo e condenará os que praticam o mal.
5º) Síntese final (3,9-20).
Todos, judeus e gregos, estão debaixo do pecado. Esta é a condição em que se encontram os homens, da qual não conseguem sair: os pagãos porque não sabem chegar a Deus pela criação; os judeus porque não têm força de cumprir a Lei, por ela somente multiplicando suas culpas.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Em que condições de pecado vive o homem longe de Deus?
2ª) De que forma devemos corresponder à iniciativa de Deus que quer a nossa salvação?
3ª) Quais são as condições vantajosas que fazem do judeu um homem privilegiado para a salvação?
Pe. Fernando Capra/CRSP |