Apocalipse (14)
O Esposo e a Esposa (Ap 19,9-22,21)
Para João, Jesus Cristo é o Esposo da Igreja: “Aquele que nos ama e nos lavou com seu sangue dos nossos pecados” (1,5). Ele sabe qual é o nosso bem: “Repreendo e educo aqueles que amo” (3,10). Nessas condições diz à Igreja de Esmirna que a ama porque é pobre e perseguida, porque sofre. Está preocupado com ela para que persevere até o fim para chegar a ser coroada com uma vida sem fim. A Igreja, que é a sua Esposa, que agrada a ele perfeitamente quando, no Espírito, o invoca para estar para sempre com Ele, deve viver na vigilância, esperando o seu Senhor, enquanto o celebra na sua condição de Filho do Homem e escuta a voz do Espírito. Os sofrimentos do tempo presente são de breve duração. Logo o Senhor Jesus virá para vingar os seus servos porque, em virtude da sua Morte de Cruz, todo poder lhe foi concedido. O Cordeiro vitorioso destruirá a Cidade terrena que o crucificou e matou os seus mártires e desposará a sua Igreja que resplendecerá da Glória de Deus. Ela é a Mulher que, no momento presente, sofre as dores de parto, mas que se sairá vitoriosa sobre o Dragão, porque o Filho já foi arrebatado para o céu. Miguel venceu o Dragão e o vencerão todos aqueles que lavam suas vestes no Sangue do Cordeiro. Terminada a provação, a Igreja, a Mulher do Cordeiro, revestida de sol, com doze estrelas na cabeça e a criação participando do seu triunfo, será convidada a celebrar as Núpcias eternas. As boas obras a revestirão como um manto de linho resplandecente (19,8). Será a Nova Jerusalém, toda de ouro. Seus alicerces serão os doze Apóstolos. A ela, de todos os cantos da terra, os povos levarão seus presentes (21,24). Será iluminada pela luz de Deus e do Cordeiro e se abeberará do Espírito que sai do Trono de Deus.
Para agradar o seu Senhor, a Glória de Iahweh, que se manifestou na carne, o Filho do Homem, Rei-Sacerdote, que, de alma vivente se tornou Espírito vivificante, a Testemunha fiel, o Primogênito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra, o “Fiel e Verdadeiro”, o “Verbo de Deus”, a Igreja deve entender que é na aflição que está a condição máxima da sua realização, a qual, para ser vivida com os sentimentos de Jesus Cristo na sua Paixão, deve ser preparada por uma vida de perfeita caridade, prática de boas obras e comunhão de doutrina com os Apóstolos. Então, a ela, o seu Senhor garante que poderá comer do fruto da árvore da vida no Paraíso de Deus, ter seu nome inscrito numa pedrinha branca, receber a Estrela da manhã, ser reconhecida diante do Pai, ser coluna no templo de Deus e sentar no trono com o Cordeiro que venceu. A plena união, que só ocorre na vida celeste, só pode acontecer se a Igreja, Esposa de Cristo, persevera até o fim, sem nunca se deixar corromper. Os meios são: a celebração do Senhor ressuscitado, pelo Memorial da sua Morte no primeiro dia da semana; a contemplação da sua condição gloriosa como Casa de Deus e Porta do Céu, da sua condição de Filho do Homem sentado com o Pai no trono da divindade, recebendo a mesma adoração, do poder de julgar que o Pai lhe concedeu em virtude da sua imolação; a reflexão sobre a teologia da História: ainda não se completou o número dos mártires, Deus ainda envia castigos corretivos como fez com Israel, a Igreja está vivendo a sua missão evangelizadora; os profetas são irresistíveis na sua missão, contudo têm que passar pelo sofrimento para serem associados, em tudo, à Glória de Jesus Cristo. Também os outros fiéis triunfarão porque eles são a Igreja. Terão que suportar as perseguições. Quem resistir seguirá o Cordeiro aonde quer que vá e cantará um canto novo. Jesus Cristo na condição de Filho do Homem vingará os seus mártires punindo para sempre os maus, com castigos eternos, destruirá os reinos da terra em virtude da sua vitória de Cruz. A prostituta será lançada ao mar e desaparecerá. O Cordeiro celebrará suas núpcias com a sua Igreja, coroada com muitos diademas, vestindo o manto da sua Paixão, brandindo o cetro de ferro que esmaga os reinos como vasos de argila. A Igreja dos mártires conhecerá o refrigério, cessará a morte, o luto e a dor. Ela será, para sempre a Esposa do Cordeiro, a Cidade Santa, o Novo Israel.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais devem ser as prerrogativas da “Esposa, a Mulher do Cordeiro” (21,9)?
2ª) Qual recompensa Jesus reserva à sua Esposa?
3ª) O que deve praticar a Igreja para merecer a recompensa eterna? |