Carta de Tiago (3)
Conteúdo (continuação)
A constância e a perseverança na conversão a Deus: em imagens sugestivas da vida dos santos e profetas e da própria natureza, a carta ensina a constância na espera do Senhor, pois já havia passado muito tempo desde a ressurreição de Jesus e a espera de sua volta começava a pesar.Tiago ensina a estar sempre pronto para o juízo de Deus.
O senso de Igreja de Tiago domina constantemente sua obra para nos lembrar que a religião não é um negócio particular entre Deus e nós, mas um relacionamento de aliança entre Deus e seu povo da aliança. Ele mostra a necessidade da integridade da vida cristã, não admitindo cristãos de “meio expediente”.
Dentre os diversos temas, dois merecem um destaque especial, são eles a Unção dos Enfermos e a fé e as boas obras.
O Sacramento da Unção dos Enfermos Jesus havia dado aos Apóstolos a ordem de curarem os enfermos (Mt 10,8), ungindo-os com óleo (Mc 6,13) e impondo-lhes as mãos (Mc 16,18). A Carta de Tiago é o único lugar do Novo Testamento onde se fala expressamente na Unção dos Enfermos (5,14s). Esta unção constitui um rito, sob vários aspectos, singular e novo. Nas palavras de Tiago vêem-se refletidos os elementos do Sacramento: é um sinal sensível, com matéria remota (azeite).
Matéria próxima (a Unção), forma (oração litúrgica), ministro (presbíteros), sujeito (o enfermo cristão) e efeitos (cura e salvação). A Igreja, no Concilio de Trento, definiu solenemente que este Sacramento foi instituído por Jesus Cristo e recomendou vivamente a sua administração.
A fé e as obras Este é o ensinamento central da carta: a coerência entre a fé e as obras.Com vivacidade e tom simples, o autor sagrado expõe esta doutrina especialmente em 2,14-26, em uma seção que recorda, pelo seu tom, os livros sapienciais do Antigo Testamento.
A insistência de Tiago sobre a necessidade das boas obras tem sido considerada como contrária à doutrina de Paulo, que recomenda a justificação mediante a fé e não as obras. Ao estudarmos os dois autores vemos que não há oposição entre eles. Paulo tem em vista a entrada na amizade com Deus ou o início da justificação e afirma que ninguém “compra” a amizade de Deus, mas que todos a recebem gratuitamente numa atitude de fé. Ninguém pode dizer que, por suas obras anteriores, mereceu a amizade de Deus. Ao contrário, Tiago tem em mira a perseverança na amizade com Deus, e afirma que ninguém conserva a graça recebida se não a faz frutificar em boas obras; são as obras que nos dizem se cremos realmente e que desenvolvem nossa fé. A fé inerte e sem obras morre. A recomendação das boas obras faz eco ao Evangelho ou, mais precisamente, ao Sermão da Montanha (Mt 5-7).
Os elementos doutrinais, ainda que não sejam abordados diretamente, estão subjacentes ao longo de toda a carta.
Com freqüência aparecem os atributos e ações de Deus: Deus é único (2,19), Senhor (1,7; 4,10.15; 5,11), Pai (1,27; 3,10), Criador (1,17; 3,9; 5,4), Legislador e Juiz (4,12) Salvador misericordioso (2,13), Imutável ( 1,17), manifesta a sua bondade compassiva (5,11), regenerando-nos espiritualmente (1,18), atendendo às nossas preces ( 1,5; 5,13-18), derramando sobre nós preciosos bens (1,5.17), como a verdadeira sabedoria (1,5-7; 3,17).
As referências a Jesus Cristo são poucas e vagas, mas significativas no quadro geral do Novo Testamento. Salvo em 1,1 e 2,1, não se menciona explicitamente Jesus Cristo; mas é apresentado como Senhor e Salvador, alude-se à Parusia do Senhor (5,8) e à Sua qualidade de Juiz (5,9), e, alem disso, os Seus ensinamentos ressoam em toda a epístola.
Fala-se da Igreja como comunidade de fiéis (2,2), na qual os mestres (3,1) e presbíteros (5,14) têm funções específicas de direção e de administração dos sacramentos (1,18; 2,7; 5,14).
Pode-se fazer um paralelo entre a Carta de Tiago e a 1 Carta de Pedro: A dispersão: Tiago 1,1 1 Pedro 1,1
As provações pela fé: Tiago 1,2s 1 Pedro 1,6
A regeneração pela palavra: Tiago 1,18 1 Pedro 1,23
A guerra das paixões: Tiago 4,1 1 Pedro 2,11
A citação de Provérbios 3,34: Tiago 4,6 1 Pedro 5,5
O convite a resistir: Tiago 4,10 1 Pedro 5,9.
Textos Seletos
1,5 Pedir a sabedoria.
1,12 Bem-avenurado o homem que suporta com paciência a provação.
1,16-17.19.22-25 Receber a Palavra e por em prática.
2,14-26 - A fé e as obras.
3,8-10 O poder da língua.
3,17 Sabedoria que vem do alto.
4,11-12 Não faleis mal dos outros irmãos.
4,15 Se o Senhor quiser.
5,7-8.11 Sede pacientes.
5,14-15 Unção dos Enfermos.
Peçamos a Deus que saibamos suportar com paciência a provação, porque, tendo-a vencido, receberemos a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que O amam. (1,12).
Jane do Tércio |