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Como ir à Missa

Sim, era dezembro ou quem sabe janeiro, não me lembro direito, só sei que fazia muito calor. Um daqueles domingos de fazer inveja a qualquer mortal normal e anormal, era um Rio de Janeiro de sol a sol com dias quentes de lascar o cano. Por impulsão de sair de casa fui para a missa mais cedo, algo em torno de meia hora antes, o que para mim sempre foi difícil chegar tão cedo, afinal com três crianças a operação sair de casa exigia uma engenharia de guerra.

Um entrava pro banho, o outro fugia e o menor chorava. Pegava o fugitivo e o menor estava comendo sabão e a outra toda molhada no meio da sala. O tempo passou e já tomavam banho e se arrumavam sozinhos, mas em compensação a briga era no carro. Quem ia na janela? Desde pequenos estabeleceu-se qual janela era de quem e o menor ficava sempre no meio. O tempo passou novamente e a disputa pela janela quase não existia pois, já se acham grandes o suficiente para não andar mais com os pais, mas de uma coisa não abrimos mão; ir à missa, todos juntos. Não tem "mamãe me dói", tem que ir à missa sim e em família. Como todos cresceram e o carro não, aquela divisão de lugares já não funciona muito bem. O que era menor, hoje está maior do que todos e quase não cabe no banco traseiro, a mais velha tornou-se uma "lady" e não gosta de ser tocada pelos outros, o do meio sente-se já adulto e engrossa a voz para marcar seu território e é um tal de joelho que bate no do lado e empurra o banco da frente, a cabeça que vai de lado, pois encosta no teto e assim vai. Antes de tudo isso é lógico que tem o banho. O drama não mudou, quem entra primeiro quer um banho de meia hora e os outros, inclusive eu, fico batendo na porta para apressar. Já não se come sabão, mas um pega a roupa do outro sem pedir e a confusão começa, ou melhor, recomeça. Tudo isso faltando quinze minutos para a missa começar e por incrível que pareça, eu repito exatamente o que minha mãe falava lá em casa: - Tá pensando que o padre vai ficar esperando? Missa se espera na igreja!

É uma luta muito grande para nós pais não deixar que nossos filhos se achem formados em religião, do tipo, já sabem de tudo, são doutores no assunto Deus e não precisam prestar culto a Ele. Eu sei que parece loucura, mas o bicho pega quando um deles não quer ir à missa e acabam indo quase que arrastados, mas vão. No fundo, no fundo eles gostam e quem não gosta de vir ao Loreto? Eles gostam de reencontrar os amigos, bater um papo gostoso, só que muitas vezes, durante a missa, a mãe, que não deixa barato, dá uma girada de pescoço, com aquela visão especial e quando não os encontra dentro do Loretão, não tem dúvidas, sai a cata de um por um.

- É aqui fora que você assiste a missa? Diz ela de mãos nas cadeiras. Rapidinho o filho entra e quem estiver com ele. Quem é doido de contestar?

Aprendemos nas nossas andanças pelos diversos grupos do Loreto que não interessa como, nem onde, mas a missa é insubstituível e imprescindível. Vai de cara feia, cara amarrada ou empurrado, mais vai, lá dentro Deus se encarrega do resto.
Pegam no tranco, mas eles gostam. Sabem que dali sai o remédio para nossas dores. É da presença de Jesus no meio de nós, que sai o calor que nos aquece e nos faz prosseguir na vida, no trabalho, na escola e em todos os lugares por onde passamos.
Meus filhos sabem que sem Deus nada somos e seremos, às vezes esquecem, mas damos um cutucão para se lembrarem.

Por que estou contando essas histórias? Não faço a menor idéia, só sei que recebi um email da Hélia me cobrando o artigo do jornal de outubro e como Deus provê sempre, me veio a idéia de apresentar, mais uma vez, minha convivência com meus filhos, que agora já não são tão meus, já fazem parte do mundo.
História como a de você que me lê agora e se lembra também dos seus filhos, pois só muda o endereço, o resto é tudo igual.

Nossas histórias convergem sempre para Deus, todos nós temos muito que contar e nos nossos enredos haverá sempre a presença de Jesus nos trazendo graça e harmonia. Cada um sabe onde lhe dói o calo, cada um sabe o seu caminho de chegar a Deus e eu aprendi que nenhum deles passa longe da missa.
Aprendi e ensinei aos meus filhos que toda a renovação de forças vem do Cristo na Eucaristia, ali bem pertinho de você, na comunhão.

É dessa forma que o Loreto me ensinou a viver e passo de graça para vocês, espero que gostem. Até mês que vem, sem atraso.

PAULO SOBRINHO E SOLANGE
(loretando@oi.com.br)

 
 
 

VEJA NO MÊS DE OUTUBRO/2007:


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