“O exemplo do PAN - Esporte ou Educação - Quais são as prioridades?”
urante praticamente todo o mês de julho deste ano nós assistimos atentamente aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Um evento muito bonito e que simboliza a comunhão, o respeito e a integração entre os povos das Américas. Entretanto, eu gostaria de fazer uma abordagem um pouco diferente ao que tem sido anunciado na grande mídia, uma vez que terminados os jogos, já começa toda uma movimentação em torno da candidatura do Brasil para sediar a copa do Mundo de 2014 e, quem sabe, as olimpíadas de 2016.
Segundo o que foi amplamente divulgado na imprensa, os Jogos Pan-Americanos custaram ao Brasil pelo menos 5 vezes mais do que foi orçado. Segundo o Diário Oficial do Município, o estádio olímpico custaria, em 2003, cerca de R$ 60 milhões e seria concluído em 2004. Em 2007, pelo último relatório divulgado na imprensa, os gastos já ultrapassavam R$ 350 milhões quando ainda faltavam alguns acabamentos para sua entrega. Para piorar ainda mais, nenhuma das obras de infra-estrutura prometidas em 2003 foram realizadas. Por outro lado, a saúde, a educação e a área de planejamento urbano da nossa cidade continuam deixando muito a desejar, principalmente para a população carente e de baixa renda.
Não quero aqui fazer alguma acusação irresponsável sobre possíveis desvios ou má-gestão dos recursos públicos, mas não posso deixar de falar sobre as prioridades no trato da coisa pública e, acima de tudo, a responsabilidade de cada um de nós, cidadãos, sobre esse tenebroso cenário.
Quando avaliamos os principais problemas enfrentados por um país como o Brasil, tais como o desemprego, a miséria, a corrupção e a violência, boa parte das pessoas concordam que a péssima qualidade da educação pública acaba contribuindo de forma bastante contundente para o agravamento deste cenário.
A grande questão acaba sendo, portanto, porque os governantes não a consideram como prioridade no planejamento e execução de políticas públicas voltadas para essa área. Afinal de contas, o valor gasto com o Pan Americano daria para mudar bastante a cara das escolas públicas. Por que isso não é feito?
Em primeiro lugar, porque não interessa. Um povo bem instruído torna-se um perigo sob o ponto de vista da dominação e da perpetuação do atual modelo econômico cujos princípios são fundamentados no neo-liberalismo. Para esse modelo, a principal prioridade de um país deve ser sempre o pagamento dos juros das dívidas públicas e privadas, o mercado financeiro e, acima de tudo, o liberalismo econômico pautado na falsa ética do consumismo. Por outro lado, para as questões sociais sobram restos e migalhas. Infelizmente, somente conseguiremos quebrar esse ciclo maldoso e nefasto através da educação pública de qualidade voltada para a formação e conscientização dos nossos jovens.
Precisamos, acima de tudo, construir o nosso senso crítico e não nos permitirmos enganar. A única coisa que os nossos políticos enxergam é a eleição. É baseado nela que eles vendem essa falsa imagem populista dos "benefícios de uma olimpíada ou de uma copa do mundo". Eu, particularmente, até acredito nos grandes benefícios que o esporte pode desempenhar na construção da cidadania através de projetos de ação social em comunidades carentes, porém não foi o que vimos no Rio de Janeiro neste ano. O Pan Americano está aí como uma prova viva. A única coisa deixada na cidade do Rio de Janeiro foram estádios construídos em áreas ricas e bem longe das finalidades deste tipo de projeto. Precisamos pressionar, questionar e organizar um grande mutirão em prol da educação pública de qualidade para todos e todas. Somente assim é que poderemos, definitivamente, iniciar a construção do Reino que pedimos quase que diariamente através da oração do Pai Nosso.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br
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