Está evidente a falta de entusiasmo do povo brasileiro com as eleições. Nem mesmo a programação na TV despertou o interesse das pessoas. O que está ocorrendo?
Creio que tivemos uma verdadeira aula de realismo nos últimos meses. O Legislativo não mostrou competência no trato dos desvios cometidos por políticos no exercício de seus mandatos concedidos pelo povo; o Judiciário não demonstrou agilidade na implementação de decisões. E o que é pior, não se trata de fenômeno recente... O povo vem sendo ludibriado há anos!
Nas palavras de Bittencourt (2006):
O Judiciário continuou seu caminho "a passos de formiga e sem vontade", o Legislativo, em intercâmbio merca-dológico espúrio com o Executivo a corromper nossas utopias, se manteve marginal, desplugado de sua função.
Todavia, não adianta ficar perplexo e imóvel! É preciso aprender a lição.
Nunca houve uma tomada de consciência tão clara de que a construção da democracia não é feita de sonho, mas de luta contínua.
O principal ingrediente para a conquista da cidadania plena é a participação da sociedade civil organizada. Só assim será possível dar suporte aos bons projetos políticos e evitar que recursos públicos sejam malbaratados.
Na verdade, tempo de eleição no 'Brasil sempre foi tempo de muito gasto, muito outdoor, muito barulho e festa. Não que eu seja contra festas, de modo algum, mas estou certa de que a festa só deve acontecer se, de fato, o povo se fizer representar nos cargos públicos, de tal modo que os verdadeiros interesses da maioria sejam preservados e seus direitos, defendidos.
Por isso, a festa deve ocorrer depois e não antes das eleições.
Importante nas eleições é o voto. E esse voto deve ser consciente. Dia de eleição não é dia de festa nem de feriado. É dia de atividade cívica, é dia de decisão responsável e compromisso. Ao eleger um representante, assumimos com ele a responsabilidade de defender a democracia, a seriedade na política e, sobretudo, o bem comum.
Vivemos no Brasil um momento singular. A crise nos arremessou a um novo patamar na vida política. Se, de um lado, ficamos desolados ao perceber tantos erros e atitudes irresponsáveis; por outro lado, nossas instituições foram preservadas, e a democracia ainda nos garante a oportunidade do exercício livre do voto. Não podemos desperdiçar esse momento com atitudes levianas. Nosso voto é um dever cívico.
Façamos da urna o lugar da nossa escolha consciente, da nossa demonstração de fé no futuro da nação brasileira.
Adelaide Maria Coelho Baeta - cientista política e membro do Conselho editorial do Jornal de Opinião
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