Cristo Redentor (15) - O Esposo A
reflexão dos sacerdotes do Templo tinha advertido a presença do
verdadeiro Deus na história do povo hebraico e reconhecido o privilégio
da revelação dele a Abraão, Isaac e Jacó, como também
a intervenção prodigiosa na libertação de Israel da
escravidão até constituí-lo num reino, justificando, com
isso, seja o título de "El Shaddai", como o de "Iahweh".
Os profetas, diante da ingratidão do povo com o seu Deus, salientaram
que, em todo e cada momento, Deus estava agindo numa atitude de predileção
com o povo da escolha, de forma que o compararam a um marido ciumento diante das
atitudes idolátricas de Israel, que classificaram de prostituição.
Aquele amor, segundo o qual a Bondade sempre agiu, a partir da criação,
é lembrado pelos profetas em toda a sua profundidade, embora, infelizmente,
num contexto de iniqüidade e perversão: "Dá-lhe o nome
de 'Não-Amada', porque não mais amarei a casa de Israel" (Os
1,6). Contudo, a profundidade do amor de Deus encontra, na própria má
conduta de Israel, a condição para uma manifestação
de amor ainda mais profunda. Enquanto Deus anuncia o castigo, manifesta a sua
vontade de voltar a amar Israel. O anúncio é solene e deve ser interpretado
como verdadeira profecia que atuar-se-á somente pela Encarnação
do próprio Jesus: "Acontecerá naquele dia, ..." (Os 2,18-22).
A figura dessa realidade é a manifestação da Glória
de Iahweh, quando da volta da escravidão de Babilônia. É o
momento em que o Deus de Israel, após ter-se revelado como "El Shaddai",
"Iahweh", se revela o "Santo" que quer voltar a morar no meio
do seu povo.
Jesus, portanto, é a Glória de Iahweh que, pela
Encarnação, do Deus de Israel, o único e verdadeiro, manifesta
todo o seu amor que desta vez, acolhe a humanidade, não porque já
purificada por um castigo, como aconteceu a Israel depois do exílio de
Babilônia, e sim, porque movido pelo amor do seu coração divino
(Lc 1,78). O amor do Coração do nosso Deus terá a sua suprema
manifestação na Cruz, aonde aparecerá como o Pastor que dá
a vida pelas suas ovelhas. Enquanto, todavia, caminha para a Cruz, todos os seus
gestos, pregação, expulsão dos demônios, cura dos doentes,
vocação dos Apóstolos, instituição da Eucaristia,
etc..., querem ser uma antecipação e figura do amor esponsal que,
enfim, manifestará. Como esposo o anuncia João Batista aos seus
discípulos (Jo 3,29). O próprio Jesus assume essa imagem quando
declara: "Podem os amigos do noivo..." (Mc 2,19-21). São Paulo
não tem dúvidas em ver, na morte de Cristo, as núpcias do
mesmo com a sua Igreja (Ef 5,25-27). Enfim, são João retrata o triunfo
dos mártires pela figura das núpcias do Cordeiro com a Igreja (Ap
19,7). Por esse quadro final, os esponsais que Iahweh quer celebrar com a humanidade
assumem toda a sua significação. Desde a criação,
Deus chama o homem à participação da sua vida. Por isso,
sua ação amorosa não tem limites, enquanto espera uma resposta
amorosa por parte dos homens.
A relação nupcial quer descrever
a união à qual a divindade chama a humanidade. Ela viveu todo o
seu amor para com os homens na imolação de si sobre a Cruz, em Jesus
Cristo.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Em que sentido
a figura do esposo caracteriza o amor de Deus para com os homens?
2ª)
Em que momento da história de Israel essa figura vem a caracterizar o amor
de Iahweh para com o seus povo?
3ª) De que forma o amor nupcial de
Deus se concretiza em Jesus Cristo? |