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Os Missionários do Reino|OUTUBRO

A palavra de Deus brota das páginas do livro sagrado com a limpidez e a serenidade da água que escorre de uma fonte. E vai matando nossa sede de bem e de verdade.

Quando Jesus enviou seus apóstolos numa primeira viagem missionária, não era uma missão definitiva.Era uma missão que podemos chamar experimental, destinada ao ambiente judeu e não estendida ainda ao mundo dos gentios. Os conselhos e as recomendações que Jesus lhes dá valem para eles e, com as devidas transposições, valem também para todos os pregoeiros do Evangelho.

E poderíamos começar lembrando que eles são enviados, são mandados por Deus. Como no Antigo Testamento, Deus mandava seus profetas, no Novo Testamento Jesus- que é o Deus-conosco-manda seus apóstolos. Aliás, "apóstolo" é o nome grego correspondente ao latim "missus", que significa exatamente "aquele que é enviado". No caso, enviado por Deus. É lamentável que haja por aí tanto "missionário", que se arroga esse direito inclusive por deploráveis interesses pecuniários e vão iludindo os simples e provocando a maior confusão de idéias sobre os valores espirituais. Noutro lugar do Evangelho Jesus nos acautela sobre os falsos profetas. Houve-os sempre. Como houve no tempo do profeta Amós, que não era um profeta aúlico, como era o sacerdote Amasias do santuário de Betel, a serviço do rei Jeroboão. Seu poder vinha de Deus, que o chamara de seu humilde ofício de pastor e de cultivador de sicômoros para anunciar a palavra do Senhor, não os caprichos do Rei. Por isso mesmo, ele tem palavras de fogo para condenar os abusos dos grandes que com seu luxo e sua cobiça oprimiam os humildes.

Amós, profeta não por sua vontade mas pela vontade de Deus, gozava de uma nobre independência. Não estava ligado a compromissos com a corte, nem com quaisquer interesses mundanos. Como devem ser os pregoeiros do Evangelho.
Desapegados de qualquer empecilho terreno. Leves no corpo e no espírito, para o perfeito cumprimento de sua tarefa sobrenatural. Como disse Jesus aos seus apóstolos para a sua missão inaugural: "que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado apenas; nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto.
Mas que andassem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas". É só transpor isso para os costumes de hoje, e teremos a figura de um missionário sóbrio, sem exigências, cheio de entrega nas mãos da Providência.

E de Jesus receberam a missão de anunciar o Reino de Deus e pregar a conversão. Onde entra o Reino, que é feito de amor, de verdade e de justiça, os corações vão mudando. Acontece a "metanoia", isto é, a mudança de mentalidade. Como a luz dissipa as trevas, os valores do Reino vão afastando o erro e a mentira, a injustiça e a discriminação, o ódio e a violência. Receberam ainda o poder de expulsar os demônios, sinal certo de que tinham chegado aos tempos messiânicos. Faziam também curas, ungindo os enfermos com óleo, preludiando o sacramento dos enfermos, como diz o Concílio Tridentino a respeito desse sacramento instituído por Cristo, insinuado no Evangelho de Marcos, promulgado e recomendado aos fiéis pelo apóstolo são Tiago (cfr. Conc. Tridentino, Sessão XIV).

E não deixa de ter um profundo significado também o fato de Jesus os enviar dois a dois. Era a caridade fraterna em ação. Era a condenação do egoísmo e da auto-suficiência. Isso também falava eloqüentemente aos coração dos ouvintes desses profetas do Novo Testamento.

A Igreja, que toda ela é missionária, enviada para o mundo dentro do qual vivemos, tem que ter sempre diante dos olhos a lição que o Divino mestre deixou para os seus apóstolos. E cada pastor da Igreja - e por que não dizer também cada evangelizador, catequista, e cada pai, e cada mestre? - deve assumir em sua vida as santas lições do Evangelho, para que Deus esteja presente em tudo aquilo que pregam e ensinam.

Dom João Resende Costa
 
 
VEJA NO MÊS DE OUTUBRO/2005:

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