Carta do Sertão Queridos irmãos,
No domingo, dia 04 de setembro p.p., quando da celebração da
Santa Missa aqui na Capela São Sebastião do Sertão, para
sermos mais precisos, no momento em que o celebrante (Pe Francisco) distribuía
a Eucaristia aos fiéis, recebíamos a notícia da partida do
Pe Fernando. Naquele momento ficamos sem saber como agir, pois o inesperado nos
destabilizou por completo. Os que trouxeram a notícia, guardaram sigilo
ao nosso pároco e vieram apanhá-lo imediatamente após a Missa,
porém, os que permaneceram na Capela ficaram com um misto de incredulidade,
de incerteza, surpresa e sofrimento. Nossos atos eram impensados pelo impacto
da notícia. Todos se reuniram e contritamente rezaram um terço pela
alma do nosso padre.
Hoje, sofridos mas já reconstituídos,
podemos aqui, através do nosso jornal O MENSAGEIRO, fazermos uma reflexão
para rever a pessoa de nosso querido amigo e o que de bom ele deixou para nós
todos.
Sua personalidade forte mas muito mansa transmitia-nos aquela paz
que cabe aos bons pastores. Sua voz macia, mas firme, sabia falar a linguagem
do povo simples enfocando os pontos a serem tocados com o entendimento daquele
que sabe o que diz.
Quantas vezes era chamado para resolver problemas,
consolar ou simplesmente visitar alguém, comer aquela comidinha que ele
tanto apreciava, seja em que lugar fosse, lá estava o Pe. Fernando pronto,
de pé, partindo para sua missão. Fosse casamento, batizado, aniversário
ou falecimento de alguém, lá estava ele, pois a sua missão
era servir.
Por todos os lugares por onde passou, em todas as comunidades
onde viveu, só lembranças de paz e concórdia dele podemos
ter.
Mexendo na terra, cuidando das galinhas, ou celebrando a Santa Missa,
oficializando casamentos e batizados, aquele homem simples e grandioso ao mesmo
tempo, se colocava a serviço de sua gente, de sua Igreja.
Agora
ele se foi para a casa do Pai.
Fica entre nós um vazio dolorido
e profundo. Nosso amigo deixou saudades.
Mas o que fazer para preencher
este vazio? Chorar, se lastimar, entregar os pontos? Não, sua lição
de vida não pode ser desperdiçada inutilmente. Sua meta foi cumprida.
Resta-nos acolher suas palavras e trabalhar para a messe. Arregaçar as
mangas e cumprir a nossa missão de cristãos e batizados. Não
desanimar; plantar para colher.
Nossa Capela ainda precisa de muitos operários;
nossa comunidade não é tão grande mas o trabalho, sim. Se
nós não nos sentirmos responsáveis por cada um, será
em vão todo o exemplo dado até aqui. Façamos uma reflexão
sobre nossa meta, a responsabilidade pode estar a cargo de poucos, mas o empenho
deve ser de todos.
Só assim poderemos fazer jus à nossa
missão de cristãos.
Não cedamos ao inimigo, pois aí
está a brecha que ele quer. Façamos a nossa parte com empenho
e ânimo como o padre tão bem nos ensinou. Uma comunidade unida e
forte realiza milagres.
Crescendo na fé, instruindo-se, participando
dos acontecimentos, interessando-se uns pelos outros, dando-se as mãos
no trabalho e na alegria, seremos fortes.
Só assim, podermos dizer
que: a passagem do Pe. Fernando, entre nós, valeu a pena!!!
Nelson
& Teresa |