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CRISTO REDENTOR (4) - A Sabedoria encarnada
São João, no prólogo do seu evangelho, faz
questão de nos apresentar a Jesus, em primeiro lugar, na
sua condição divina. Antes de ser o Filho que o Pai
consagra e envia ao mundo, Jesus é a Palavra que, em Deus,
está voltada para o Pai. Ela tudo conhece do Pai, no Espírito,
porque é a Sabedoria, Princípio da criação
de Deus. Pv 8, 22-32 se estende em descrever a condição
de eternidade da Sabedoria, interpretando, para nós, o sentido
da primeira palavra da Sagrada Escritura: Pela Sabedoria,
Princípio da criação, Deus deu origem a tudo
o que o céu e a terra contém. A Carta aos Hebreus
fala dessa Sabedoria dizendo que é o Filho, criador de todas
as coisas (Hb 1,1s). O prólogo de São João
proclama que é a Palavra que se fez carne. Aquele que é
consubstancial ao Pai, que, ao assumir a carne humana, se revela
o Filho, é aquele que, também, vem por si mesmo, porque
ele é Deus.
Enquanto é apresentado por João como a Luz que é
Vida para os homens, Jesus é conhecido por nós como
aquele que é Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
como diz o Credo, que, contudo, pela Encarnação, vem
a brilhar entre as trevas, assumindo a condição de
servo, obediente até à morte. É sempre a Sabedoria,
Princípio da criação, Palavra que, em Deus,
está voltada para o Pai, mas que se tornou um de nós.
A Escritura, enquanto nos fala dele para nos dizer como, por ele,
o Plano do Pai é atuado, acaba nos explicitando de que forma
a Pessoa divina do Verbo, leva à perfeição
a humanidade assumida, para nos apresentar, em Jesus, o Caminho
seja como modelo, seja como guia e como quem tem, em tudo, a primazia
(Cl 1,18).
A condição divina de Jesus nos é ilustrada
pelo mesmo Jesus Cristo quando se proclama a Testemunha da Verdade
(Jo 18,37) , porque afirma que ele é o único que conhece
o Pai. Ele é do alto e nos fala do que sempre vê e
ouve (3,31s). É por isso que suas palavras têm o Espírito
sem medida (v.34).
A sua condição divina torna-se o testemunho que Jesus
dá de si ao longo da sua vida messiânica, fundamentado
no testemunho de João Batista, nos milagres que ele opera
em nome do Pai, e nas Escrituras que falam dele (Jo 5,39). É,
sobretudo, em Jo 8 que Jesus fala abertamente da sua divindade quando,
ao proclamar-se Luz do mundo declara que ele é o Eu
sou (Jo 8,57).
Em Gn 1,1-5 temos, portanto, a apresentação inicial
da condição divina de Jesus, quando o lemos em sentido
profético e cristológico. Aliás, esta é
uma leitura necessária porque nos permite entender plenamente
o evangelho de Jesus Cristo que os profetas anunciaram (Rm 1,2).
Somando os conhecimentos que nos advém da profecia e de Jesus,
enquanto a atua na sua vida terrena, podemos ver em Gn 1,1-5 Jesus
que age na sua condição de Verbo do Pai, enquanto
com ele opera o Espírito criador. É desse Deus, que
desde a criação se revela trinitário, que Jesus
sai e vem ao mundo, para a ele voltar pela sua páscoa, desta
vez levando consigo a humanidade assumida pela Encarnação.
Entendemos, a essa altura, porque com Jesus se inicia a transformação
de toda a criação, como nos ensina São Paulo
em Rm 8. Por Cristo os homens são regenerados mediante a
adoção filial e toda a criação geme
e sofre as dores do parto na expectativa da manifestação
gloriosa dos filhos de Deus Rm 8,19).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são os títulos divinos de Jesus Cristo
e o que ilustram dele?
2ª) O que quer dizer que Jesus é a Testemunha da Verdade?
3ª) Por qual processo Jesus realiza a glorificação
da criação?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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