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Fé e Política | OUTUBRO


“O papel do vereador”

Se fizéssemos uma pesquisa hoje sobre qual o papel desempenhado pelo Vereador na Câmara Municipal, qual seria o resultado? Será que os eleitores realmente sabem qual o verdadeiro papel de um Vereador?

Certamente esta é uma pergunta que desafia a curiosidade e o senso crítico de todos os cidadãos. Os resultados das urnas e principalmente o desempenho das nossas Câmaras Municipais vêm demonstrando que a grande maioria parece não saber ou não se preocupar com isso. A cada eleição, cresce cada vez mais a onda fisiológica da troca de votos por asfalto na rua ou luz nos condomínios. Não que esses não sejam importantes serviços que a população possa vir a receber, porém, parece que pouca gente sabe (ou finge não saber) que, colocar luz em condomínio, conceder atendimento médico gratuito nos famosos "centros sociais" ou asfaltar a rua não são papéis dos nossos vereadores. É papel da Prefeitura. O Vereador pode e deve cobrar o bom funcionamento dos órgãos públicos municipais utilizando principalmente das suas prerrogativas mandatárias. Porém, muitos se utilizam desse aspecto para trocar votos por favores.

Outro triste exemplo já abordado nesta coluna são os centros sociais. Utilizados com fins puramente eleitoreiros, acabam se tornando moeda de troca de votos por favores em época de eleição. Enquanto isso, os bons mandatários que não possuem centros de saúde, acabam sendo esquecidos na época da eleição.

Mas, qual o verdadeiro papel do Vereador? Bom, em primeiro lugar é o de Legislar. Criar, votar e rever as leis que estão a nosso serviço no âmbito municipal são tarefas primordiais para a promoção do Bem Comum. Vale lembrar o que foi destacado aqui na coluna passada, quando reproduzimos uma importante denúncia do Jornal O Globo, onde 21 Vereadores do Rio de Janeiro rejeitaram um projeto de lei que aumentava a dotação orçamentária da saúde em R$ 40 milhões. Destes 21 vereadores, 20 possuíam Centros Sociais de Saúde. É mais uma demonstração da péssima atuação de boa parte dos nossos mandatários que priorizam o seu bem estar particular em detrimento ao da população.

Outro papel importantíssimo e que não pode ser deixado de lado é a participação do Vereador nas Comissões Permanentes e Provisórias. Montadas com o firme propósito de acompanhar mais de perto aspectos e ações relevantes da administração pública direta (ou indireta através de concessões públicas), as comissões deveriam funcionar como uma extensão da sociedade civil organizada na fiscalização de importantes áreas da nossa cidade. Transporte, Educação, Saúde e Direitos Humanos são algumas das comissões existentes nas nossas câmaras municipais e que deveriam fiscalizar, cobrar e até mesmo interferir no funcionamento dessas áreas ligadas diretamente ao Poder Executivo. Deveriam ser como um espaço de defesa dos cidadãos que se sintam prejudicados pelo mau funcionamento de algumas dessas áreas. Vale lembrar que normalmente essas comissões promovem audiências públicas onde nós, cidadãos, somos convidados a participar ativamente das mesmas.

Por último, e não menos importante, é o papel fiscalizador do executivo principalmente com relação ao Orçamento. Vale lembrar que algumas leis federais, como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), regem a distribuição do orçamento frente à "rubricas" orçamentárias de investimento ou despesa. Um belíssimo exemplo é a obrigatoriedade de que 25% do Orçamento Municipal seja aplicado na educação (Regulamentação feita na LDB). Infelizmente, poucos são os municípios que cumprem essa determinação. E, quem deveria fiscalizar o correto cumprimento dessas leis? Os Vereadores. Eles possuem essa responsabilidade constitucional. São eles os principais elementos desse importante instrumento: Acompanhar o andamento dos gastos orçamentários e não permitir que alguns prefeitos desviem dinheiro da educação para obras com fins eleitoreiros.

Outro ponto fundamental ainda dentro da questão orçamentária, é a aprovação desse orçamento antes do início de sua execução. São os vereadores que votam, aprovam ou rejeitam a proposta orçamentária da cidade. Esse papel também é importante, pois é através dele que os Conselhos Municipais se fazem presentes nos chamados "Orçamentos Participativos", onde nós, cidadãos podemos ajudar a definir as prioridades orçamentárias da nossa cidade.

E por falar em Orçamento Participativo e Conselhos Municipais, não podemos deixar de mencionar, mais uma vez, a pedra fundamental da responsabilidade de um mandatário municipal: A nossa contribuição. Somos nós, através destes conselhos, dos grupos de cidadãos e da sociedade civil organizada que poderemos efetivamente contribuir para um futuro melhor da nossa sociedade. Pense nisso antes de escolher o seu vereador. E, lembre-se: Não basta votar, tem que acompanhar a atuação dos nossos mandatários. Somente assim é que teremos uma sociedade mais justa, fraterna e conseqüentemente Cristã.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email:: feepolitica@terra.com.br

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