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Cartas de Paulo 1
A pessoa de Paulo - alguns traços biográficos.
São Paulo é o Apóstolo de cuja vida mais notícias
temos, graças aos dados que se deduzem das suas Epístolas
e às informações que oferece São Lucas
nos Atos dos Apóstolos. Não obstante, não podemos
reconstruir a sua biografia completa, porque nenhuma dessas fontes
teve tal intenção.
Filho de pais judeus, portadores da cidadania romana, seu pai comprara
a cidadania romana, de modo que Saulo nasceu como cidadão
romano. Ele nasceu nos primeiros anos da era cristã, em Tarso
da Cilícia, cidade comercial e com alto nível cultural,
e aí passou sua meninice e para onde voltou várias
vezes mesmo depois da sua conversão (At 9,30; 11,25; Gl 1,21).
Nada se sabe da mãe de Paulo, mas certamente a figura materna
influiu na sua personalidade. Freqüentemente ouvimos falar
apenas do aspecto severo de Paulo. Todavia, em suas cartas há
provas de muita ternura e afeto típicos da mãe, sinal
de que com ela aprendeu a ser carinhoso e doar-se sem medida, como
mãe para os fiéis (Gl 4,19; 1 Ts 2,7-8).
Naqueles tempos era corrente aos judeus, moradores nos domínios
do Império Romano, ter dois nomes: um como romano - Paulo
e outro como judeu Saulo (Saul) em lembrança do primeiro
rei de Israel, que pertencia à mesma tribo (1 Sm 9,1s) pois
ambos eram da tribo de Benjamim.
Em Tarso deve ter recebido a educação normal de um
filho de família remediada nas províncias helênicas
do Império Romano. Certamente dominava o grego koiné,
o aramaico e a língua sagrada, o hebraico. Tinha grande facilidade
de linguagem e de expressão. Desde muito jovem deve ter sido
muito afeiçoado às provas atléticas, pois são
freqüentes as comparações e a linguagem atlética
para ilustrar a doutrina espiritual. ( Rm 9,16; 1 Cor 9,24-27; Gl
2,2; 1 Tm 4,7 etc.)
Em Jerusalém cursou a escola de escribas, provavelmente para
se formar como rabino, freqüentou a escola de Gamaliel, famoso
rabino do seu tempo e seguiu com paixão a doutrina dos fariseus.(Gl
1,14).
Deve ter adquirido uma ampla cultura geral literária (At
17,28), filosófica (Cl 2,8-9) e das religiões do mundo
pagão (At 17,17;1 Tm 4,7; 2 Tm 4,3-4). Como era costume entre
os rabinos, Paulo exerceu um ofício: fabricante de tendas
ou tecelão ou talvez trabalhasse com couro (At 18,3). É
bastante difícil dizer quanto tempo durou sua permanência
em Jerusalém. Todavia, é quase seguro que Paulo deixou
a cidade santa antes que Jesus iniciasse sua vida pública.
O discípulo rabínico enchera-se de ódio implacável
contra a "seita" dos cristãos que o judeu legalista
tinha em conta de renegados detestáveis. Colocou-se então
à disposição das autoridades judaicas para
combater a Igreja. No apedrejamento de Santo Estevão participou
como uma figura de segundo plano, julgando assim servir a Deus.
Assim, mostra-se decidido a perseguir os cristãos e tomando
a iniciativa de estender tal perseguição entre os
bairros judeus de Damasco, mas quando se aproximava desta cidade,
onde queria tratar ante as autoridades locais a entrega dos cristãos
judeus, uma vez que tinha procuração dos Sumos Sacerdotes
para prender os cristãos, sua vida mudou radicalmente: foi
atingido por uma luz deslumbrante e caiu por terra. (At 9,3ss;1
Cor 15,18; Fl 3,12): Jesus ressuscitado lhe aparece. Convencendo-se
de sua atitude errônea se efetua a sua conversão. Foi
conduzido imediatamente a Damasco e instruído por Ananias
foi batizado.
Fez pregações em Damasco e Arábia. Depois esteve
em Jerusalém para entrar em contato com os Apóstolos
Pedro e Tiago e também Barnabé. Teve dificuldades
de aceitação porque o povo recordava que ele tinha
sido perseguidor. Depois viajou para Cesaréia, Tarso e outras
cidades da Cilícia e da Síria.
(Continua no próximo número)
Jane do Térsio
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