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"Escravos da Liberdade
Na coluna do mês passado, eu fiz uma citação
sobre como a sociedade de hoje prioriza o "eu" colocando
o "seu prazer em primeiro lugar". O outro pouco importa.
Um leitor amigo me encaminhou um email bastante interessante a respeito
dessa afirmação e pedindo para que eu aprofundasse
mais neste assunto. Vamos a ele:
Quem nunca ouviu a expressão: "Sou livre e não
devo satisfações a ninguém"? Ou algo do
tipo: "Religião nenhuma coibirá a minha liberdade"?
Interessante essa declaração de independência,
não?
Muitos de nós já ouvimos expressões assim.
Talvez a grande marca registrada deste tipo de afirmação
está na propaganda de cigarros fortemente veiculada nos meios
de comunicação social durante as décadas de
80 e 90. Quantos de nós fomos "levados" pelo lema:
"O seu prazer em primeiro lugar"? Pois é, mas o
que mais me chama a atenção não é a
frase em si, mas o quanto a sociedade atual utiliza esse tipo de
artifício para nos tornar ainda mais escravos do consumismo
desenfreado e da preocupação com o "Eu".
Quando isso ocorre, nós acabamos nos escravizando pelo vício
e pela falsa imagem de liberdade. Até que ponto nós
somos obrigados a mostrar para a sociedade que na verdade precisamos
cumprir determinados papéis para provar que somos livres?
A liberdade pregada pelo cigarro é um belo exemplo. Será
que um fumante consegue facilmente exercer a liberdade de não
fumar? Quantas vezes temos que obedecer a certos princípios
consumistas que pregam a falsa liberdade? Onde fica o indivíduo
perante a sua comunidade quando o ideal da coletividade é
sumariamente trocado pelo prazer do consumo? Infelizmente, somos
conduzidos a esse terrível vício quase que diariamente.
Ainda me lembro bem quando durante uma palestra sobre Sexo para
um grupo de adolescentes eu fui perguntado sobre o porquê
a Igreja era contra a camisinha como instrumento de combate a AIDS.
Difícil de responder? Eu sinceramente acho que não.
Inclusive, me sinto muito a vontade de responder a esta pergunta
com uma outra muito mais importante para a nossa sociedade atual:
Por que os países de primeiro mundo (pressionados pela indústria
farmacêutica) não acabam com as barreiras das patentes
sobre os medicamentos contra a AIDS para os países pobres?
Interessante como a questão da camisinha se torna de simples
reflexão, quando o coletivo é priorizado ao individual.
O que Cristo ensinou nos evangelhos? O Culto ao prazer individual?
E a família, onde fica? Ainda me recordo de uma propaganda
do Ministério da Saúde, veiculada na televisão
há cerca de dois ou três anos, onde um filho entregava
uma camisinha ao seu pai e ainda dizia a seguinte frase: "Papai,
use camisinhas nas suas relações extraconjugais".
Será que é isso que desejamos para as nossas famílias?
Será que é isso que estamos ensinando para os nossos
filhos? O prazer em primeiro lugar?
Isso me faz lembrar a campanha da fraternidade de 1994: "E
a família como vai?" Bom, pelo que parece não
vai tão bem quanto deveria.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br
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