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Fé e Político | OUTUBRO


"Escravos da Liberdade”

Na coluna do mês passado, eu fiz uma citação sobre como a sociedade de hoje prioriza o "eu" colocando o "seu prazer em primeiro lugar". O outro pouco importa. Um leitor amigo me encaminhou um email bastante interessante a respeito dessa afirmação e pedindo para que eu aprofundasse mais neste assunto. Vamos a ele:

Quem nunca ouviu a expressão: "Sou livre e não devo satisfações a ninguém"? Ou algo do tipo: "Religião nenhuma coibirá a minha liberdade"? Interessante essa declaração de independência, não?

Muitos de nós já ouvimos expressões assim. Talvez a grande marca registrada deste tipo de afirmação está na propaganda de cigarros fortemente veiculada nos meios de comunicação social durante as décadas de 80 e 90. Quantos de nós fomos "levados" pelo lema: "O seu prazer em primeiro lugar"? Pois é, mas o que mais me chama a atenção não é a frase em si, mas o quanto a sociedade atual utiliza esse tipo de artifício para nos tornar ainda mais escravos do consumismo desenfreado e da preocupação com o "Eu". Quando isso ocorre, nós acabamos nos escravizando pelo vício e pela falsa imagem de liberdade. Até que ponto nós somos obrigados a mostrar para a sociedade que na verdade precisamos cumprir determinados papéis para provar que somos livres? A liberdade pregada pelo cigarro é um belo exemplo. Será que um fumante consegue facilmente exercer a liberdade de não fumar? Quantas vezes temos que obedecer a certos princípios consumistas que pregam a falsa liberdade? Onde fica o indivíduo perante a sua comunidade quando o ideal da coletividade é sumariamente trocado pelo prazer do consumo? Infelizmente, somos conduzidos a esse terrível vício quase que diariamente.
Ainda me lembro bem quando durante uma palestra sobre Sexo para um grupo de adolescentes eu fui perguntado sobre o porquê a Igreja era contra a camisinha como instrumento de combate a AIDS. Difícil de responder? Eu sinceramente acho que não. Inclusive, me sinto muito a vontade de responder a esta pergunta com uma outra muito mais importante para a nossa sociedade atual: Por que os países de primeiro mundo (pressionados pela indústria farmacêutica) não acabam com as barreiras das patentes sobre os medicamentos contra a AIDS para os países pobres? Interessante como a questão da camisinha se torna de simples reflexão, quando o coletivo é priorizado ao individual. O que Cristo ensinou nos evangelhos? O Culto ao prazer individual? E a família, onde fica? Ainda me recordo de uma propaganda do Ministério da Saúde, veiculada na televisão há cerca de dois ou três anos, onde um filho entregava uma camisinha ao seu pai e ainda dizia a seguinte frase: "Papai, use camisinhas nas suas relações extraconjugais". Será que é isso que desejamos para as nossas famílias? Será que é isso que estamos ensinando para os nossos filhos? O prazer em primeiro lugar?

Isso me faz lembrar a campanha da fraternidade de 1994: "E a família como vai?" Bom, pelo que parece não vai tão bem quanto deveria.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br

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