- Carta aos Romanos (19)
O abismo da “riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus” (11,33)
Rm 9
Paulo, depois de ter falado da “justificação pela fé” (1,18-4,25) e do caminho a ser percorrido para levar a justiça, alcançada pela fé, à sua perfeição (Rm 5-8), a partir de Rm 9 até o fim de Rm 11, trata da condição de Israel no Plano de Deus. O primeiro ponto diz respeito à maneira segundo a qual Deus, “por livre determinação da sua vontade”, realiza o seu Plano, qual é aquele de nos tornar “seus filhos adotivos no Amado” (Ef 1,5).
De início, não pode deixar de manifestar a dor do seu coração ao ver que os judeus, que são seus irmãos segundo a carne, se recusam, como um todo, em dar a sua adesão de fé, resistindo, dessa forma, a Deus que chama os homens à salvação, na sua misericórdia. Eles estariam na condição de usufruir de maneira toda peculiar, como está de fato acontecendo a ele, da graça do evangelho, uma vez que, em virtude da vocação de Abraão, pela circuncisão que os agrega de forma plena ao Israel de Deus, estão de posse do conhecimento do Deus, que manifestou a sua Glória e revelou o seu Poder com os seus grandiosos feitos ao longo de toda a sua história. Com ele, os seus ancestrais até concluíram alianças,dele receberam a Lei, a ele estão prestando o culto verdadeiro, dele esperam a realização das promessas, feitas a Abraão seu pai e a toda a sua descendência. Como, então, não conseguiram ver em Jesus o Cristo ao qual Deus deu a primazia (gr.: o ôn epi pantôn)? Algo que, em Paulo, provoca a mais alta admiração e a exaltação da riqueza da Glória de Deus, nele manifestada.
Será que Deus falhou no seu Plano? Não, porque ele o realiza mediante aqueles que escolhe. Para dar continuidade à Descendência que desde o princípio determinou suscitar em vista da recuperação do homem das garras do Maligno, foi ele que suscitou Isaac, como, também a Jacó, preferindo-o a Esaú.
Ninguém está em condições de questionar a forma de proceder de Deus, seria como se o barro questionasse o oleiro acerca do destino que lhe dá. De fato, vemos que,em última análise, foi pela escolha que Deus alcançou a salvação de todos, judeus e gregos, revelando, dessa forma, “a riqueza da sua glória” para todos aqueles com os quais determinara usar de misericórdia. Voltou a chamar de seu povo a Israel que acabara de renegar por causa da sua idolatria. O fez , como diz Isaias, reservando para si um resto deles, embora, por si, todos merecessem ser destruídos como Sodoma e Gomorra. Quanto aos gentios, numa iniciativa amorosa, “por livre determinação da sua vontade”, deixou-se encontrar, embora não o procurassem e tornou-se visível aos que não perguntam por ele (10,20).
O erro dos judeus é aquele de procurar a justiça, esquecidos que ela só pode ser alcançada pela fé. Ninguém é justificado pelas obras da Lei. Somos justificados no Cristo de Deus, que é o termo da Lei. Ao recusar-se em dar a sua adesão de fé Àquele que se revelou abertamente ser o Filho de Deus, ao qual o Pai entregou todo poder e que nos mereceu o Espírito com a sua Morte, os judeus não alcançam a justificação. Dessa forma, Jesus, o Cristo, torna-se para eles pedra de tropeço.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são as prerrogativas pelas quais os judeus estão em condições de usufruir de forma privilegiada do Evangelho de Deus?
2ª) Qual é o critério que Deus escolheu para realizar o seu Plano de salvação em favor dos homens?
3ª) Por que Cristo Jesus se tornou para os judeus uma pedra de tropeço?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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