Caríssimos irmãos, aproxima-se o Natal do Senhor e nós não podemos mais viver este tempo especial como pessoas que apenas celebram esta grande festa, mas celebremos como batizados, como homens e mulheres agradáveis a Deus, assim como o seu servo Davi, de quem apresento como modelo nesta reflexão.
Davi era um pastor de ovelhas, combatente, compositor, cantor e rei. Davi é apontado na Bíblia como um homem que buscou tanto viver em sintonia com Deus quanto agradá-lo, a ponto de ser considerado, pelo próprio Deus, como um homem segundo o seu coração. A vida de Davi nos mostra que Deus observa não simplesmente as pessoas e sua espiritualidade, mas também em suas funções e ofícios. Pessoas segundo o coração de Deus costumam ser trabalhadoras e responsáveis, ainda que estejam exercendo um ofício aparentemente sem grande reconhecimento.
Mesmo tão novo, Davi deu mostras de que tinha grande responsabilidade na função que exercia, pois era um exímio pastor de ovelhas. Quando estava diante de Saul, ao se oferecer para enfrentar Golias, disse ao rei que matara um urso e um leão defendendo as ovelhas de seu pai. A vida devocional de Davi também merece destaque. Ele não perdia uma oportunidade para adorar ao Senhor, cantar, compor salmos e festejar as vitórias que Deus lhe concedia. Mas como é o tratamento de Deus com os pecados de seus servos? A Bíblia trata de forma transparente sobre os erros daqueles que se relacionam com Deus. Davi ordenou o assassinato de um homem a fim de esconder seu próprio adultério, e isso já tendo outras mulheres. Quando houve um caso de incesto em seu lar, também não tomou nenhuma atitude sobre essa situação, que culminou com a morte na família e a sua deposição temporária do reino de Israel. Deus repreendeu Davi de forma severa, não permitindo que a criança que nascera do adultério permanecesse viva. Após esse evento, como diz a Bíblia, a espada não se apartou da casa de Davi, e foi alto o preço pago pelo rei por não cuidar de sua família e não conter seus desejos sexuais. Deus não passa por cima dos pecados cometidos por seus servos, e julga nossas atitudes. Diferente de seu antecessor, Saul, que não aceitava a repreensão nem mudava suas atitudes, Davi reconheceu seu erro, pediu a Deus o perdão necessário para sua vida. Há pessoas que são repreendidas pelo Senhor e ainda acham que estão certas naquilo que fizeram e que Deus tratou-as de forma injusta. Essa não é uma atitude apropriada para aqueles que alegam ser segundo o coração de Deus. Se somos filhos, autênticos e assumidos, devemos aceitar a repreensão do Senhor (Hb 12, 5-8). E assim podemos tirar lições a partir do caráter de Davi, que não foi um homem perfeito, mesmo assim, não podemos deixar de atentar para sua espiritualidade exemplar que nos serve de modelo ainda hoje. A disposição de Davi em arrepender-se dos seus pecados é uma lição que todo cristão deva seguir (II Sm 12, 9; I Jo 1, 9). Quantos estão dispostos a demonstrar gratidão a Deus por tudo que Ele nos tem feito? Davi era grato ao Senhor por tudo, temos todos os motivos possíveis para fazer o mesmo (I Co 15, 57; II Co 9, 11.15; Ef 5, 4.20; Fp 4, 6). Davi não confiava nas suas próprias forças, no seu conhecimento, e muito menos em seu poder (Sl 16, 5; 17, 21). Na sociedade atual, que se propõe a desconsiderar Deus, nós, os cristãos, precisamos aprender a ser confiantes no Senhor em todos os momentos da vida (I Pe 5, 7; Mt 6, 25-34). Ao contrário de muitos líderes de hoje, Davi era um homem que se colocava abaixo da revelação divina ( Sl 50). Seguido o seu exemplo, nós, do mesmo modo, devemos nos colocar debaixo da Palavra de Cristo, pois Ele, de fato, é o Senhor, e, independentemente da posição que venhamos a ocupar, não podemos pensar que somos maiores do que a revelação de Deus através da Palavra e do Espírito.
Irmãos, os cristãos, diante das adversidades do mundo, são também tentados, a viver como Saul, segundo seu próprio coração. O desafio, para obter bom êxito na empreitada para a qual fomos chamados, é viver de acordo com a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12, 2). Para tanto, o caminho é ter uma mente transformada de glória em glória com vistas a nos coadunarmos, a cada dia, com o caráter do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Cor 3, 18). Essa é uma experiência diária, por meio da qual, podemos perceber que a vontade de Deus, a qual o próprio Jesus se referiu, na oração modelo do Pai Nosso (Mat 6, 10) não é para o mal, mas para o bem daqueles que se comprazem em viver em conformidade com Sua vontade.
É uma pena que muitos cristãos, em sua vida carnal, vejam a vontade de Deus como um fardo. O desejo de Deus, como o foi para o antigo Israel, e também para as nossas vidas, não é para a morte, mas para que vivamos em paz e em comunhão com Ele que nos chamou a fazer parte de sua família.
Queridos, precisamos entender isso enquanto há tempo, a vida de Davi, o célebre rei e poeta de Deus, nos fornece lições bastante produtivas que podem ser aplicadas à nossa vida, dentre elas destaco: a disposição para admitir honestamente os nossos erros e a lidar com eles; a de que Deus perdoa os nossos pecados, contudo não nos exime de suas conseqüências; e para nos relacionarmos com Deus, precisamos por nossa total confiança nEle. Aproveitemos o mutirão das confissões no dia 11/12 na nossa paróquia a partir das 18:30 h e façamos uma boa confissão, abramos o nosso coração e tenhamos coragem de retirar todo entulho que está em nós, tudo aquilo que não agrada a Deus, sem medo de sermos felizes, esvaziando-nos, para podermos ter um coração purificado e sermos homens segundo o coração de Deus, e experimentarmos neste Natal o novo e todas as maravilhas que o Senhor tem reservado para nós.
Um forte e carinhoso abraço em todos.
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
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