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Vamos conhecer a Bíblia |NOVEMBRO

- Carta de Judas I

Autor

O autor desta breve carta apresenta-se aos seus leitores como “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago”. Pelos dados do Novo Testamento, refere-se a Tiago, parente próximo do Senhor, que foi junto com Pedro e João uma das “colunas” da Igreja, e que era bispo de Jerusalém, onde morreu mártir pelo ano 62.

Como na Epístola de Tiago, põe-se a questão de se este Judas- autor da carta, que figura entre os “irmãos do Senhor” é o Apóstolo do mesmo nome,ou se se trata de duas pessoas diferentes.

Lucas, ao transmitir em duas ocasiões a lista dos Apóstolos, enumera em penúltimo lugar a Judas, e para distinguir do traidor, chama-lhe “Judas de Tiago”. Nas outras listas dos Apóstolos, transmitidas por Mateus e Marcos, é mencionado pelo sobrenome de Tadeu, para o distinguir de Judas Iscariotes. e é citado a seguir ao irmão Tiago, o filho de Alfeu.

De acordo com estes dados, pode-se dizer que a identificação entre os Apóstolos Judas Tadeu e o autor da carta, embora não se imponha com absoluta certeza, tem sólidos argumentos a seu favor.A tradição eclesiástica, desde tempos antigos, primeira metade do século III, assinala explicitamente como autor da carta o Apóstolo Judas.

Boa parte dos estudiosos modernos tem opiniões diferentes: ele não seria dos doze, mas do grupo dos parentes de Jesus e autor da carta. Em defesa deste argumento cita-se o versículo 17, no qual o autor se distingue do grupo dos Apóstolos.

Há quem argumente que o modo de referir-se aos “Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo” não indica que o autor não fosse um deles. Poderia estar aludindo simplesmente a que alguns já tinham morrido. Por outro lado este versículo sublinha a importância da Tradição.

Canonicidade

Muitos testemunhos da antiga tradição cristã reconhecem a Carta de Judas como escrito canônico. O Cânon Muratori, de fins do século II, insere a carta entre os escritos inspirados. Sua canonicidade foi posta em dúvida em virtude das citações dos dois livros apócrifos: a Assunção de Moisés (v.9) e o Apocalipse de Henoc (v.14s). Essas citações dos apócrifos não os revestem se qualquer autoridade: eles são usados apenas como comentário e seu conteúdo não é legitimado teológica ou historicamente, portanto não se pode deduzir por estas citações que o autor sagrado aprove o conteúdo de todo o livro, nem muito menos que os considere inspirados. Jerônimo constata que a carta de Judas gozava desde tempos antigos de grande autoridade, e foi recebida pela Igreja como escrito sagrado: figura em todas as listas de livros inspirados, desde meados do século IV. O Concílio de Trento eliminou as últimas dúvidas ao declarar solenemente a lista dos livros que constam no Cânon.

Continua no próximo número

 
 
 

VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2009:


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