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APOCALIPSE (15) - A profecia no Apocalipse
Sabemos que em Daniel, a condição profética do protagonista, é mero artifício literário que tem o intuito de sublinhar a natureza profética dos ensinamentos contidos no livro. Isto vale para a Revelação que João escreveu. Vemos, de fato, que as visões que ele utiliza nada acrescentam àquelas que, seja Daniel como Ezequiel já descreveram, enquanto, por elas, nos é transmitido um ensinamento novo que nos advém de Jesus Cristo, entendido como o realizador da Profecia e aquele que comunicou a João o espírito da profecia (19,10). João quer que aconteça para nós o que Pedro desejava para os fiéis das suas comunidades, quando os exortava a refletir sobre as Escrituras, porque são: “uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que raie o dia e surja a estrela d'alva em nossos corações” (2Pd 1,19); elas falam de Cristo (Jo 5,39); por elas “os que têm ouvidos ouçam o que o Espírito diz às igrejas”. João, portanto, está nos convidando a acompanhá-lo na sua reflexão sapiencial para que, repassando continuamente as Escrituras, por tudo aquilo que chegamos a compreender de Cristo, nelas encontremos a força para a perseverança no testemunho e vivamos vigilantes esperando a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Paulo já tinha rezado em favor dos fiéis da Igreja de Éfeso pedindo ao “Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria e de revelação, para poderdes realmente conhecê-lo.
Que ele ilumine os olhos dos vossos corações, para saberdes qual é a esperança que o seu chamado encerra, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos e qual é a extraordinária grandeza do seu poder para nós, os que cremos, conforme a ação do seu poder eficaz, que Ele fez operar em Cristo.
Ressuscitando-o de entre os mortos
E fazendo-o assentar à sua direita nos céus
Muito acima de qualquer Principado
E Autoridade e Poder e Soberania
E de todo nome que se pode nomear
Não só neste século, mas também no vindouro.
Tudo ele pôs debaixo dos seus pés,
e o pôs acima de tudo, como Cabeça da Igreja,
que é seu corpo: a plenitude daquele
que plenifica tudo em todos.” (Ef 1,17-23)
É com esse intuito que João escreve a sua Carta “às sete igrejas que estão na Ásia” (1,4). O que Paulo sintetizou ao expor o conteúdo da sua oração em favor dos fiéis de Éfeso, João o dramatizou no seu Apocalipse. Nele vemos apresentada a riqueza da glória que espera os que dão testemunho de Cristo diante dos homens, o poder que Deus manifestou em Cristo e a condição de Jesus Cristo como Cabeça da Igreja. Pelo espírito de revelação, ao meditarmos as Escrituras, poderíamos chegar às mesmas intuições às quais chegaram Paulo e João. É bom lembrar que o autor do Apocalipse não é o Apóstolo que escreveu o Evangelho e que foi João que encontrou no autor do Apocalipse a sua inspiração para fazer do Filho do Homem o protagonista do seu escrito.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Em que sentido João profetiza no Apocalipse?
2ª) De que forma o fiel pode profetizar?
3ª) Em relação à qual título messiânico o Apocalipse inspirou o autor do Evangelho de João?
Pe. Fernando Capra/CRSP |
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VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2008:
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