Missa dos dez mil anos
Não me perguntem o dia, mas no mês passado o Pe. Sebastião lembram-se dele? O Tiãozinho? Exatamente ele; Sebastião Noronha Contra, digo, Cintra, fez aniversário de ordenação.
Foram 28 ou 38 ou 48 anos, não lembro direito, sabe como é, a idade vai chegando e a gente vai deixando de ter memória para ter lembranças, vagas lembranças. Neste dia ele estava em Jacarepaguá não sei por qual motivo e iria celebrar a missa na Capela do Colégio Nossa Senhora do Amparo, sábado 19h. Até aí tudo bem, mas uma mente pensante resolveu fazer uma surpresa pro padre velhinho e convidou um montão de outros velhinhos para comparecer a esta missa, inclusive eu. Se você não foi convidado não fique triste, a cabeça dos velhinhos que pensaram na surpresa já não cabe tanta informação e não deu pra lembrar de todos, muito menos achar aquele montão de quadrantes de infinitos ECC´s.
Eu por exemplo estou naquela fase de guardar as coisas lá em casa e nunca mais achar. Outro dia peguei um documento muito importante e disse: vou deixar guardado num lugar especial para não perder e quando precisar vai estar à mão nunca mais achei o documento meus filhos, quando me ouvem falar que vou guardar alguma coisa, amarram minhas mãos.
Mas voltando a tal missa, a pessoa em questão convidou quem podia, fez aquela corrente loretana, um convida o outro, o outro convida o um e por aí foi. Dos que estão vivos, quase todos foram convidados e compareceram. Cara, se somassem a idade de todos os presentes dava pra mais de dez mil anos, tinha gente até do primeiro ECC, tem idéia de quanto tempo faz isso?
Tinha amigos de todos os tempos e todas as horas, me senti no velho Loreto abraçando pessoas que ajudaram na construção da minha família e na educação dos meus filhos. Me vi perdido em lembranças deliciosas, saboreando cada dedinho de prosa. Apresentava meu filho como se fosse um tesouro, a cria que todos viram nascer e que hoje sente comigo a mesma emoção de rever bons e velhos “padrinhos”.
Só o Loreto pode nos propiciar tamanha degustação, são petiscos de conversas que não há dinheiro no mundo que pague.
Quantos momentos divertidos, sinceros emocionantes já passamos ao lado de pessoas tão amigas e que o tempo insiste em nos colocar distantes. Quanta conversa ao pé do ouvido nos foi suficiente para mudar nossos rumos ou acertar caminhos destorcidos. Quantas festivas, quantos churrascos, quantos depoimentos, quantas reflexões, quanta coisa boa nos foi presenteada por Deus nesse longo tempo. Quanto de Deus existiu e existe nesses relacionamentos de amizade.
Hoje os rostos maduros emoldurados por madeixas grisalhas são a certeza de uma vida sadia e repleta de boas amizades, nosso Loreto não perdeu o charme com o passar do tempo, muito pelo contrário, tornou-se pleno, garboso e cheio de vida madura de conhecimentos.
Como foi bom rever os amigos de sempre, era o gosto saudável da presença de Deus no meio de nós, esse mesmo Deus que nos uniu um dia e nunca mais permitiu que nos separassem.
Eu amo meu povo loretano, eu amo os amigos que Deus colocou no meu caminho, eu amo você que me acompanha há mais de vinte anos neste jornal. Com Jesus o verbo amar é conjugado com freqüência e satisfação. Feliz o povo que ama unido.
P.S. Meu vizinho de coluna e amigo fraternal Robson Leite candidatou-se a vereador nas últimas eleições, recebeu mais de dez mil votos, o que demonstra estar no caminho certo. Fica claro que sua plataforma foi muito bem entendida e que ele deve perseverar nesta tortuosa estrada.
Em nome dele agradeço a todos que acreditaram, a luta continua.
P. S. do P. S. Esse é o meu Loreto!
Paulo Sobrinho e Solange
loretando@oi.com.br
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