Ano Paulino 4
O endereço de 1Tss não classifica Paulo como Apóstolo (1Tss 1,1), condição que este não deixará de lembrar, desde o início, nas outras cartas, seja para reafirmar, contra os rebeldes, a sua autoridade, como, também, para justificar os seus escritos a igrejas que não fundou. Para Paulo, ser Apóstolo significa ter sido chamado por Deus para ser ministro do Evangelho de Jesus Cristo, “riqueza da Glória e esperança da Glória” (Cl 1,27). Sua tarefa é aquela de apresentar todos os homens a Deus irrepreensíveis (1,28). Isto significa que é aquela de tornar manifesta a obra que Jesus continua a realizar após ter reconciliado os homens com Deus na carne do seu corpo e ter selado a Nova Aliança no Espírito com a aspersão do seu sangue (1,20s). O apóstolo é ministro dessa Nova Aliança no Espírito.
A oração em favor da igreja faz parte da sua atividade (vv.2-3).
A pregação do Evangelho, isto é de toda a economia da salvação (Gl1,7s), é a sua atividade principal (v.5).
A conduta exemplar acompanha a pregação para que seja modelo de vida (vv.5b-6). O Apóstolo age com lisura, não adulando, não por interesse de lucro ou querendo se promover, e sim, sempre, para agradar a Deus.
As tribulações que acompanham a vida do Apóstolo devem ser superadas na constância porque são a própria condição de completar o que falta à Paixão de Cristo, associam à agonia dele, merecem a glorificação (2Cor 4; Rm 8,17) e promovem a vida do homem espiritual através da morte do homem carnal.
Paulo tem consciência da grandeza da sua vocação (2Cor 3).
Dedica-se dia e noite ao seu trabalho. A bondade o move para agir como uma mãe e como um pai.
O Apóstolo anuncia o Mistério de Deus que é Cristo. Ele se manifestou na carne, foi justificado pelo Espírito. É adorado pelos anjos, enquanto é pregado às nações e crido no mundo, exaltado na Glória. Ele é a Imagem do Deus invisível, a Palavra criadora.
Manifestada na carne, realizou a Redenção. Sentado à direita da Majestade, recebe a adoração dos anjos, exaltado na Glória, enquanto, aqui na terra é anunciado como Aquele que no seu corpo de carne, reconciliou os homens com Deus, estabelecendo a paz com a aspersão do seu sangue. Na condição de Senhor da Igreja que é o seu Corpo, santifica, purifica os seus membros até se tornarem irrepreensíveis para serem apresentados a Deus Pai.
O presbítero tem a mesma tarefa que Paulo descreve enquanto fala do seu apostolado. Tendo chegado ao pleno conhecimento de Deus e discernimento espiritual, que lhe permite experimentar a plena eficácia do poder da Glória de Deus (Cl 1,11), prega a Palavra com toda convicção. Sua conduta deve ser irrepreensível e sua dedicação total.
O presbítero sabe, lho diz Paulo, que o seu ministério, pelo fato que manifesta a ação de Cristo Jesus no tempo e no espaço, é fundamental para a salvação dos fiéis e que, por isso mesmo, é condição para a sua própria salvação. Por isso, tem que se aprofundar na leitura das Escrituras, para que possa instruir.
O trabalho do entendimento para possuir plenamente a riqueza de Deus através da compreensão do Mistério de Deus que é Cristo, deve ser acompanhado por uma vida pura, livre da ambição, adulação e cobiça.
A sua mais alta atuação acontece na tribulação porque esta faz brotar a Vida naquele que está associado a Cristo na sua agonia, o torna capaz de consolar os que estão na mesma tribulação, leva à convicção que tudo é realizado por Deus, dá certeza da herança dos santos, desenvolve a vida do homem espiritual, faz constatar que o atribulado, até esmagado, não é vencido.
Na condição ideal, o Apóstolo pôde afirmar que completa na sua carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu Corpo que é a Igreja. O ministério ideal se realiza nele pela pregação da Palavra da Verdade, Cristo, com toda convicção. Ele se tornou instrumento, embora frágil, de salvação. Certamente, nele, enquanto pela constância nas tribulações é associado à agonia de Cristo, brota a vida, e, enquanto isso o torna perfeito instrumento, faz brotar nos fiéis a vida pela imolação que nele se opera.
Pe. Fernando Capra - CRSP
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