| Jo 18,37
Causa estranheza quando se ouve alguém proclamar-se como rei.
O mínimo que pode significar é pretensão. Talvez algum desajuste na própria compreensão de si. A condição de rei evoca sempre privilégios e conquista de uma situação de vida que está para além das condições comuns, quase sempre sofridas e com muitos desafios. Por isso mesmo, muitos nutrem o desejo de ter uma vida de rei. Uma vida de rei é atribuída a todos aqueles que usufruem de condições favoráveis e cômodas. Eis um ideal que transtorna, não poucas vezes, o coração o humano e o põe nesta busca a qualquer preço. Uma busca que se torna fonte de manipulações e ciladas para se conquistar uma condição que mereça ser chamada de vida de rei. É surpreendente constatar, neste contexto viciado da compreensão do que é ser rei, ouvir este testemunho brotando do coração de Jesus, o Mestre e Senhor. É impossível pensar qualquer proximidade com pretensão ou busca de comodidades. Há, pois, uma significação que aí se concentra com força de mudanças grandes no coração dos discípulos, instaurando uma compreensão de realeza que desconcerta e abre caminhos para o verdadeiro sentido desta condição real.
O alcance do diálogo
Esta afirmação tão contundente de Jesus foi feita no contexto de um diálogo com Pôncio Pilatos. Jesus estava sendo condenado à morte. O procurador romano tinha dificuldades para compreender a razão da acusação que se estava fazendo a Jesus. Uma incapacidade de compreender por não alcançar o sentido mais profundo das razões amorosas do coração de Deus.
Ele ali se encontrava sob ordens, conhecedor da dureza da obediência cobrada e da necessidade de garantir com ações fortes o seu prestígio e o cargo ocupado. Uma direção completamente contrária àquela que fazia brotar do coração de Jesus a proclamação de sua realeza.
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