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Loretando |NOVEMBRO


Eu não fazia idéia...

Eu não fazia a menor idéia do que estava aconte-cendo, eu via um homem com uma roupa longa, capa dourada com uma grande cruz amarela. Ficava a maior parte do tempo de costas e falava numa língua que eu não entendia. As pessoas acompanhavam mudas e eu agarrado ao vestido de minha mãe assistia sem nada entender.

O tempo passou e aquela pessoa que ficava de costas, agora estava de frente e falava o que todos entendiam. Os que estavam na assembléia acompanhavam por uma cartilha; respondendo, ajoelhando, sentando e ficando de pé nos momentos indicados. Aquele homem era um padre e ele servia a comunhão no degrau onde tem uma cerca de madeira que divide a igreja, ali todos ajoelhavam e aguardavam sua vez de comungar. Não havia microfones nem caixas de som e a voz grave do sacerdote invadia todas as dependências do Santuário.

Foi ali, na Igreja de N. S. de Loreto que fiz minha primeira comunhão. As aulas de catecismo eram feitas na Escola 81-16 Edgard Werneck, na Rua Mamoré com o Sr. Francisco. D. Elda e D. Vilma eram as diretoras e D. Neli minha professora. Lembro-me da turma de calça curta azul marinho, camisa branca e no bolso escrito "E.P.". Desciamos pela ladeira de barro cheia de raízes de mangueiras e palmeiras até chegarmos na Freguesia e depois subíamos a pé até o alto onde fica a igreja para fazermos o ensaio da comunhão.

Havia um padre alto que eu não lembro o nome, o outro baixinho era o Pe. Junqueira que jogava bola com os meninos no Pátio das Mangueiras e o Pe. Moreira com sua voz forte que fazia a todos tremer.

Depois da primeira comunhão veio o grupo da Cruzada com as Irmãzinhas de Belém, elas davam um café da manhã com pão doce para aqueles que vinham para a missa das crianças às 8h de domingo, era comum também subirmos até o alto da Igreja da Penna, em excursão.

Depois da catequese rolava um futebol no campo de barro que ficava ao lado do Salão Paroquial, onde hoje é o Cepar. Quantas cabeças de dedos foram perdidas naquele campinho rala-côco, de barro batido. Havia os times da Liga Católica, da Cruzada e outros mais. Como o domingo passava rápido...

Retornando para casa passava na D. Olívia, que tinha uma mercearia e eu pegava uma galinha fiado, no nome do meu pai para o almoço de domingo e, pasmem, ela vinha viva, do tipo cheia de penas e cocoricando. Como se sairia uma dona de casa hoje com essa manobra de pegar, matar, depenar e cortar uma galinha? Sei lá, acho que foram poucas as vezes em que minha filha viu um animal desses assim, ao vivo e a cores. Imagine matar e cortar, diria com certeza: ECA!!

Recordando fatos de minha vida posso recolher forças para superar qualquer obstáculo que venha a se interpor no meu caminho, pois verifico que tive uma infância abençoada, absolutamente regada e adubada com a proteção de um Deus Grandioso e que sempre me quis bem. Mesmo que eu não reconhecesse suas dádivas naquele tempo, hoje posso agradecer-Lhe por saber que seu amor infinito me protegia e me guiava independentemente do tamanho de minha devoção. Creio que as orações de minha mãe no sentido de ter o melhor de Deus em nossa família eram suficientes para suprir as orações que eu não sabia fazer. Como meu pai tinha problemas sérios com bebida, era na força da fé que minha mãe carregava a família.
Até hoje me apego nos estilhaços de fé que minha mãe espalhou por suas andanças, divulgando a plenos pulmões que chegou aonde chegou por pura determinação de servir a Deus em pensamentos e orações. Com ela aprendi que amar Maria significava amar o Cristo em sua humanidade. Se amo minha mãe, a mulher que me criou, porque não amar a mulher que deu a luz e criou o Filho de Deus? Foi dessa forma que eu aprendi e é dessa forma que eu passo para os meus filhos. Amar a Deus sobre todas as coisas e principalmente respeitar suas origens, Jesus teve uma família que lhe deu educação, cultura e ensinou tudo o que uma criança normal tinha que saber, mesmo sendo quem era.
Aprendeu o ofício do pai e por saber falar bem, pôde articular-se com outros adultos como mostram diversas passagens da Bíblia.
Jesus não apareceu do nada aos 33 anos para ser crucificado e morrer. Sua existência se deve também ao núcleo familiar onde nasceu e foi criado. Deus quando enviou seu filho ao mundo pensou em tudo e deu-nos a Sagrada Família. A nossa também é sagrada, por isso é que temos história pra contar, nossa existência é uma eterna evolução, nosso crescimento espiritual é uma conseqüência dessa evolução. Entregar-se a Deus é deixar criar em você uma linda história que será contada em versos e prosas por muitas gerações. Seus filhos um dia irão falar de você com seus netos e eles passarão para os seus bisnetos e assim por diante, portanto, faça bem a sua história.

P.S. Quanto vale um sorriso?

P.S. do P.S. Vale o preço que você dá à sua vida. Quanto mais se ama, maior será o valor do seu sorriso.

PAULO SOBRINHO E SOLANGE
loretando@oi.com.br

 
 
 

VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2007:


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cf2008

Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
Você mesmo(a).
A Corte Celeste.

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