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Fé e Política |NOVEMBRO


“Quem fizer isso ao menor dos meus irmãos foi a mim que o fizeste (Mt 25, 31-46)”.


O quanto distantes nós estamos dos critérios do Cristo para alcançar a salvação? Essa pergunta, feita a mim por um jovem ao final de uma palestra que dei em nossa comunidade recentemente, tem me levado a algumas reflexões e angústias que gostaria de aprofundar aqui em nossa coluna de Fé e Política que completa, neste mês de novembro de 2007, cinco anos de existência.

Ao rezarmos, quase que diariamente, a oração que o próprio Cristo nos ensinou, fazemos uma profunda e inquietante promessa de comunhão, unidade e, acima de tudo, comprometimento com as preferências Dele. Esse compromisso, celebrado e renovado durante a Eucaristia, se torna violado e esquecido durante o nosso cotidiano ao fechamos os olhos para determinadas passagens do Evangelho. Para começar, vamos analisar, por exemplo, alguns pequenos trechos do Pai Nosso para ilustrar a nossa profunda falta de coerência e compromisso com a Palavra de Deus. Quando dizemos "Pai Nosso", assumimos um compromisso forte e ao mesmo tempo inquestionável de que somos todos irmãos. Ora, se somos irmãos e se, conforme vemos claramente no Evangelho de São Mateus, os irmãos mais pobres e excluídos como os descamisados, miseráveis e sem moradias são a opção preferencial do Cristo (Mt 25, 31-46), o que deveríamos fazer ao vermos esses irmãos sem comida, sem emprego e desalojados? Infelizmente, exemplos de injustiças assim nós vemos quase que diariamente em nosso país e em nossa cidade. Aliás, não precisamos ir tão longe. Basta fazer um rápido retrospecto sobre o que tem acontecido ao nosso redor e que tem sido denunciado por diversos irmãos que lidam diariamente com excluídos em nossa paróquia e em comunidades vizinhas. E o que temos feito diante desse cenário? A mesma oração que é introduzida com um compromisso de sermos todos irmãos faz, logo depois da Santificação do nome do Pai, um clamor de compromisso pela vinda do seu Reino até nós e não da nossa ida para esse Reino. Em outras palavras, assumimos um compromisso incondicional de sermos, através das nossas atitudes, construtores deste Reino de Amor. E o que temos feito para construir esse Reino? Será que realmente estamos dispostos a abrir mão dos nossos privilégios na sociedade e até mesmo na nossa Igreja para assumir esse compromisso? Recordo-me da linda, e ao mesmo tempo inquietante, celebração conduzida por D. Assis e concelebrada por tantos sacerdotes na comunidade do Canal do Anil em Jacarepaguá na comemoração dos trinta anos da Pastoral de Favelas. As palavras deste grande Bispo, nitidamente comprometido com os princípios do Evangelho, em especial pelo Evangelho de São Mateus que citamos acima, não param de martelar a minha cabeça: "Ai daqueles que, conforme vemos no livro do Profeta Amós, praticam a injustiça contra os pequenos e excluídos. Melhor seria que não tivessem nascido".

Pela primeira vez, ao longo destes anos, eu não encerrarei a coluna com uma mensagem de esperança. Faço isso porque estou profundamente entristecido com o gritante distanciamento em que todos nós, membros desta sociedade, estamos do Reino do Pai. Afinal de contas, parece-me que uma antiga música cantada nas missas e celebrações de nossa comunidade e que a utilizei ao responder o jovem do início do nosso artigo nunca foi tão atual: "Senhor, há homens sofrendo e nós de braços cruzados, covardes com medo e calados, olhando e fingindo não ver".

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Na segunda quinzena deste mês (novembro) eu estarei lançando, através da editora Mundo e Missão, o livro "Fé e Política se misturam?". Esse livro, fruto das reflexões e publicações que fiz sobre o tema da Fé, da Política e da Cidadania aqui no Mensageiro e em outros canais de comunicação, visa convidar ao leitor cristão a refletir sobre os caminhos da participação do leigo na política. Quem quiser nos dar a honra de adquirir um exemplar, basta acessar o site http://www.missaojovem.com.br ou telefonar para a central de vendas da editora Mundo e Missão (48) 3222 - 9572. Essa obra pertence a todos aqueles que nos acompanham nesta militância social e acreditam no sonho de transformação da sociedade pela participação plena na política.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br

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VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2007:


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cf2008

Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
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