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Temas Bíblicos |NOVEMBRO


Cristologia (13)

De qual Jesus fala Mateus no seu Evangelho?

O primeiro conceito que ajuda Mateus a falar de Jesus é aquele da Descendência. Ele tem em mente sobretudo a profecia de Is 7,14 que fala do descendente que honrará a estirpe de Davi, enquanto Acaz revela descrença no seu Deus. Pensa então na Descendência que é guiada pelo Espírito. A Pessoa do Senhor da Igreja, historicamente, pertence ao mundo dos hebreus porque é o realizador da sua História, segundo a Profecia. João Batista dá testemunho dele. A grandiosidade de Jesus está no fato de ser o realizador da profecia de Isaias fundamentada sobre dois fatos fundamentais da História de Israel que Isaias profetizou e que se realizaram: a deportação de Samaria para Nínive e de Judá para Babilônia. É por isso que ele vem para anunciar o Reino. É o Chefe que vai reunir os dois povos (Os2,2). Como profetizou Isaias ele é a Luz que brilha nas terras de Zabulon e de Neftali.

Mateus vê, também, em Jesus o Profeta que Moisés anunciou e que Israel deve escutar. Ele sobe ao Monte para se encontrar com Deus e de lá traz a Nova Lei, levando à perfeição a Lei dos antigos. A autoridade com que Jesus dita a sua Lei mostra que Mateus o considera de condição divina, como, aliás, já ficava claro pela reflexão midrashica sobre a sua "origem" e a interpretação teológica do seu Batismo ao Rio Jordão.

O Jesus de Mateus é, portanto, o Senhor da Igreja, Aquele que no momento da sua Ascensão afirma que estará sempre com os seus até o fim do mundo, mas que descreve sempre na sua atuação dentro da sua condição de hebreu. Age como o Enviado para as ovelhas da casa de Israel (Mt 10,6) e a elas se revela como taumaturgo, o Messias que cura todas as suas enfermidades.

Os que querem segui-lo são chamados a viver uma doutrina de grande realização da qual o próprio Jesus é o Modelo. Deles Jesus exige a valorização máxima do Reino, que são chamados a anunciar ao mundo. Se perseverarem nas tribulações e derem testemunho dele diante do mundo, Jesus os reconhecerá diante do seu Pai e, então, brilharão como o sol no reino do seu Deus porque ter-se-ão preocupados com o Reino de Deus e a sua justiça.

O heroísmo dos seus seguidores será posto a prova pelo mundo que hostiliza o Reino. Corazim e Cafarnaum se revelaram indiferentes diante da pregação de Jesus. Os escribas e fariseus chegaram até a caluniá-lo e a planejar a sua morte. Da mesma forma serão tratados os discípulos do Senhor quando chegar a sua "hora".

A partir de Mt 16, Jesus quer que os seus entendam perfeitamente qual é a natureza da sua messianidade e do Reino que ele irá instaurar. Por três vezes anuncia a sua Paixão e Morte coroadas pela sua Ressurreição e as ilustra com a sua Transfiguração. Neles deve se desenvolver a fé ao menos da grandeza de um grão de mostarda para poderem segui-lo carregando a sua cruz e entender que é perdendo a sua vida por causa dele e do evangelho que possuirão o Reino.

É segundo toda a doutrina exposta pelos seus ensinamentos que deve ser interpretada a sua ação profética quando entra em Jerusalém, purifica o templo, institui a Eucaristia e enfrenta a sua Paixão e Morte. Ele é o Filho do Homem que consagrará o Novo Templo com a sua imolação e reinará com o Pai, constituído Juiz do mundo. A sua Morte foi anunciada pelas Escrituras: é a morte do Justo sofredor da qual fala a Sabedoria e o Sl 22. Ele verá
o triunfo.

Esse é o Jesus que a Igreja reconhece como Senhor, do qual faz memória pela Eucaristia e que sempre mais conhece pelas Escrituras. A tumba vazia indica que deve ser procurado na sua condição gloriosa que ele conquistou.

Perguntas para uma reflexão:

1ª) Qual função exerce a Descendência na História da Salvação de Israel?

2ª) Qual é o sentido da messianidade de Jesus?

3ª) De que forma a Igreja chega a se identificar com Jesus?

Pe. Fernando Capra/CRSP

 
 
 

VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2006:


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