A Cidade dos Resmungos
Houve uma época em que pensava ter uns trinta e nove leitores assíduos da minha coluna, hoje acho que tem uns quarenta. Um desses teimosos lê e reclama, às vezes não lê e reclama também. No fundo ela gosta, mas não quer dar o braço a torcer, tanto que me enviou uma mensagem como sugestão. Achei legal, então, pra fazer uma média, passo a vocês o texto transcrito do jornal "Missão Jovem".
Era uma vez lugar chamado Cidade dos Resmungos, onde todos resmungavam, resmungavam e resmungavam. No verão, resmungavam que estava muito quente,. No inverno, que estava muito frio. Quando chovia, as crianças choramingavam porque não podiam sair. Quando fazia sol, reclamavam que não tinham o que fazer. Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos, os irmãos das irmãs. Todos tinham um problema, e todos reclamavam que alguém deveria fazer alguma coisa.
Um dia chegou à cidade um mascate carregando um enorme cesto nas costas. Ao perceber toda aquela inquietação e choradeira, pôs o cesto no chão e gritou: Ó cidadãos deste lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras são cobertas de florestas espessas, e os vales banhados por rios profundos. Jamais vi um lugar abençoado por tantas conveniências e tamanha abundancia. Por que tanta insatisfação? Aproximem-se, e eu lhes mostrarei o caminho para a felicidade.
Ora, a camisa do mascate estava rasgada e suja. Havia remendos nas calças e buracos nos sapatos. As pessoas riram ao pensar que alguém como ele pudesse mostrar-lhes como ser feliz. Mas enquanto riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e a esticou entre dois postes na praça da cidade. Então, segurando o cesto diante de si, gritou: Povo desta cidade! Aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam seus problemas num pedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade.
A multidão hesitou diante da chance de se livrar dos problemas.
Todo homem, mulher e criança da vila rabiscaram sua queixa num pedaço de papel e jogou-o no cesto. Eles observaram o mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Quando ele terminou, havia problemas tremulando em cada polegada de corda, de um extremo a outro. Então ele disse: Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar.
Todos correram para examinar os problemas. Procuraram, observaram os pedaços de papel e ponderaram, cada qual tentando escolher o menor problema. Depois de algum tempo a corda estava vazia. Eis que cada um segurava o mesmíssimo problema que havia colocado no cesto. Cada pessoa havia escolhido o seu próprio problema, julgando ser ele o menor da corda.
Daí por diante, o povo daquela cidade deixou de resmungar o tempo todo. E sempre que alguém sentia desejo de resmungar ou reclamar, pensava no mascate e na sua corda mágica. (Do livro: "O Livro das Virtudes II" O Compasso Moral William J. Bennett.)
E o que isso tem a ver comigo? Bem, estou escrevendo este artigo faltando uma semana para o segundo turno das eleições para presidente (e governador aqui no Rio), não faço a menor idéia de quem venceu, mas independente do nome o cara vai ficar quatro anos, e gostando ou não temos que torcer para que seja da melhor maneira possível. Não adianta ficar pelos cantos resmungando e murmurando contra isso e aquilo. Precisamos acreditar que vai dar certo e que podermos ser um país melhor. Tenha fé e entregue pra Deus.
P.S. Exatamente hoje o presidente dos E.U.A. disse que os americanos são os donos das galáxias. Pronto, o Bim Lader vai explodir a lua.
P.S. do P.S. Deus abençoe o nosso presidente, seja ele quem for.
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