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Fé e Política |NOVEMBRO


“A derrota da ética frente à compra de votos”

Chegamos ao final de mais uma eleição. Não quero aqui analisar a vitória ou a derrota dos candidatos majoritários que disputaram o pleito deste ano, mas sim o resultado das eleições proporcionais.
Até porque, conforme está na nossa Constituição Federal, o poder dado a um parlamentar é muito grande. Vale lembrar, inclusive, que a última palavra na criação de Leis e, consequentemente, na viabilidade de qualquer ato do poder executivo, é do Legislativo e não do Executivo. Entretanto, infelizmente, a nossa sociedade, conforme vimos no resultado das urnas neste ano, não tem utilizado os melhores critérios para escolher os nossos representantes no poder Legislativo.

Para surpresa de muita gente, diversos parlamentares sérios e éticos não foram reconduzidos a Câmara Federal nesta eleição.
Por outro lado, ficou evidente a vitória de diversos futuros mandatários que praticaram abertamente a compra de votos.
Resigno-me em citar nomes, mas a constatação do fato em si deixa transparecer a minha profunda decepção ao ver que boa parte dos grandes campeões de votos no Brasil e no nosso Estado praticaram, segundo o próprio Ministério Público, crime eleitoral. Acusações de uso dos famosos cargos comissionados em repartições públicas, promessas de "aprovações misteriosas" em concursos públicos, além da velha e habitual prática dos centros sociais de saúde, onde se troca voto por atendimento médico gratuito, fizeram de alguns parlamentares os grandes vencedores dessas eleições. Muitos desses já estão com processo encaminhado ao TSE e podem, inclusive, nem vir a tomar posse. Mas não é sobre a atuação do TSE na possível punição destes futuros mandatários (tomara que isso aconteça realmente) que eu quero refletir na nossa coluna deste mês, e sim sobre os nossos critérios para escolher os nossos representantes no Parlamento.

Recentemente, ao ouvir uma palestra do Presidente de um importante instituto de pesquisa brasileiro, fiquei profundamente triste quando ele relatou que o eleitor brasileiro, em sua grande maioria, utiliza critérios, segundo suas próprias palavras "bastantes razoáveis" para escolher o seu Presidente da República ou Governador de Estado: Ele olha a economia e os resultados práticos do governo com o sucesso (ou não) das políticas públicas implantadas. Entretanto, para os cargos proporcionais (Deputados ou Vereadores nas eleições municipais) o brasileiro se utiliza da troca e dos benefícios pessoais que ele pode tirar proveito, de uma forma ou de outra, naquela eleição.
Segundo esse diretor, os votos de opinião para esses cargos, ou seja, aqueles votos onde o eleitor escolhe baseado em critérios da coletividade e da própria atuação (ou possível atuação) parlamentar do candidato representam uma parcela muito pequena: Menos de 15% do eleitorado nacional.

Fiquei arrasado. Eu já imaginava, principalmente pelo que vi no decorrer do último pleito eleitoral, que não é a maioria que vota priorizando os critérios da coletividade em detrimento das vantagens pessoais, mas, confesso que este número me chocou.

Precisamos, principalmente para quem se diz Cristão, divulgar e difundir o tamanho da gravidade de se votar pensando em vantagens e favores pessoais. Isso é um grande pecado e uma afronta, principalmente, aos princípios da Doutrina Social da Igreja e ao próprio Evangelho.

Aliás, não só no voto, mas em qualquer gesto nosso. Quando nos damos conta que a nossa atitude se fundamenta no nosso egoísmo, como por exemplo, ao falarmos a famosa frase: "Eu sei que estou sendo egoísta, mas eu preciso agir assim", está na hora de questionarmos se somos realmente Cristãos. A palavra de Deus para esse tipo de atitude é categórica: "Quente ou frio, morno eu vomito". Ou revemos a nossa atitude e mudamos a nossa própria conduta priorizando o Bem Comum em detrimento dos interesses pessoais, ou então estejamos conscientes que esse caminho do egoísmo não condiz com a proposta do Reino de Deus. Porque, segundo o Evangelho, não tem meio termo: O Morno está fora!

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br

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VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2006:


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