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Editorial |NOVEMBRO


Meus queridos irmãos e irmãs, neste mês de novembro a tônica recai sobre a querida irmã morte, como fala São Francisco de Assis : “Sem a nossa irmã morte jamais poderemos ver a Deus.”
Então neste dia nós cristãos lembramos os nossos irmãos mortos e visitamos os seus túmulos , não para chorarmos, mas para orarmos e refletirmos sobre nossa caminhada de peregrinos.
Reverenciar os mortos, no dia de Finados, é um modo de fazer a experiência mais radical da existência humana. Nada nos toca mais profundamente que a experiência do limite. Confrontando-nos com a morte, tomamos consciência de nossa insuficiência, de que nós somos pó e pó tornaremos a ser.

Finados pode transformar-se numa rica oportunidade de passarmos da superficialidade do cotidiano , onde tudo gira sem novidade, para a profundidade abissal de nosso interior, e descobrirmos que precisamos nos abrir para a transcendência, que é a única forma de descobrir nossa radical carência de salvação. Assim, o dia dos Mortos se tornará o dia dos Vivos.
Quando cremos em Jesus, jamais morremos, portanto, somos chamados a professar a nossa fé na vida eterna, e assim, teremos certeza de que a morte foi vencida, e que a saudade nada mais é do que o outro lado da esperança. Aqueles cuja ausência traz lágrimas aos olhos, serão os mesmos a quem, um dia, haveremos de abraçar no céu. Para nós, que muitas vezes chegamos a questionar a Deus sobre a morte, Jesus nos exorta a não termos medo.Ele nos diz: “Eu sou a Ressurreição, e a Vida.”
Jô 11,25. A tradição da Igreja nos exorta sempre a rezarmos pelos defuntos. O fundamental da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do corpo místico . O Concílio Vaticano II recorda:”Tendo perfeito conhecimento desta comunhão de todo o Corpo Místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os primeiros tempos do Cristianismo, venerou com grande piedade a memória dos mortos”.Lumen Gentium 50.

Por conseguinte , vos recomendo, meus queridos irmãos, visitar os cemitérios, jejuar, participar da Santa Missa, para sufragar as almas de nossos entes queridos, e oferecer tudo que pudermos em prol deles, com a certeza de que a morte não tem a última palavra a cerca do destino humano, porque ao homem foi reservada uma vida sem limites, que tem seu cumprimento em Deus. São Paulo já nos diz: “Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou.Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé.” 1 Cor 15, 13-34.
Portanto, com fé no destino supremo do homem, coloquemo-nos agora diante de Maria Santíssima, que viveu aos pés da cruz, o drama da morte de Cristo e participou depois de sua Ressurreição.

Meus queridos irmãos, a certeza que temos da Ressurreição, só encontramos através de nossa adesão à Cristo Jesus e sua Palavra.A Sagrada Escritura nos ajuda a entender melhora nossa passagem da mortalidade para a imortalidade. Mas para que isto aconteça, precisamos reconhecer que Jesus de Nazaré  tem poder e autoridade sobre todas as coisas, sobre todas as condições de morte do homem. Para entender melhor, basta meditarmos estas passagens: Lc 16,20; Mt 26,6; Jô 11,45; Mt 16, 23 e 21-17; Lc 7,11-15; Lc 8,50-55; Jô 5,27-29; Rom 5,20; Mt 28,18; e Fl 2,8-11. Em todas estas citações, iremos perceber a autoridade do grande taumaturgo, nosso senhor Jesus Cristo.
Portanto, queridos irmãos,somente para Ele é que nós devemos recorrer, e tenhamos por certo, que mesmo diante de nossas fraquezas,Ele jamais nos abandonará. Peçamos à Maria, nossa mãe e porta do céu, que nos ajude a compreender cada vez mais o valor da oração de sufrágio de nossos entes queridos, que ela sempre ampara, a nossa peregrinação cotidiana, e nos ajude a jamais perdermos de vista a nossa meta definitiva que é o Paraíso. Como diz Santa Teresinha do Menino Jesus : “Eu não morro, entro na vida.”

Deus vos ilumine, ampare e abençõe.

Meu abraço fraterno e minha benção sacerdotal.

 
 
 

VEJA NO MÊS DE NOVEMBRO/2006:


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