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A Vaidade da Vida|NOVEMBRO

Meus caríssimos irmãos no Cristo Jesus, a Paz!

Em primeiro lugar vamos ver o que significa vaidade na nossa língua portuguesa. Vaidade, segundo o dicionário Aurélio, é a qualidade daquilo que é vão (fútil, insignificante, que só existe na fantasia, falso, ilusório e inútil), pode ser também um desejo imoderado de atrair a admiração; presunção. Aqui no nosso caso o que iremos tratar é do primeiro sentido da palavra sem entrarmos no mérito do segundo, que realmente não tem ligação com o que o autor nos quer dizer.

O livro de Eclesiastes foi escrito pelo rei Salomão quando ele já estava com uma idade avançada, no final de sua vida. O propósito do livro é o de remover o escândalo causado com a sua idolatria e o seu afastamento de Deus (I Reis 11), e para advertir aos mais jovens que não cometessem os mesmos erros que ele houvera cometido (Ecl 7, 29). Antes de entrarmos na nossa reflexão, observemos alguns aspectos da vida de Salomão que nos ajudarão a entender o que o rei quis dizer quando escreveu o Eclesiastes: Filho do rei Davi com Betsabé (II Sam.12, 24); era amado de Deus (II Sam 12, 25); o seu nome significava "pacífico", em hebraico SHELÔMÕH, exatamente pela sua característica de pacificador e não de guerreiro conquistador, como foi Davi; foi criado num lar cheio de problemas morais, tais como: o incesto entre seus irmãos Tamar e Amnom (II Sam.13, 1-17), o assassinato de Amnom por Absalão (II Sam.13, 23-29), Absalão toma o trono do pai Davi (II Sam.15, 1-8), o escândalo criado por Absalão ao deitar-se com as concubinas de seu pai (II Sam.16, 20-23) e outros escândalos que envolveram a vida do rei Davi, como o próprio casamento de Davi e Betsabé (II Sam 11, 26-27). Apesar de seu pai ter sido um ótimo rei, ele foi um péssimo pai que acabou por deixar sua família seguir para um fim trágico. Foi ungido rei e aos vinte anos de idade começou a reinar sobre Israel. (I Reis 1, 23-40); começou muito bem o seu reinado pedindo a Deus sabedoria para que julgasse o povo (I Reis 3, 3-28); edificou o Templo ao Senhor (I Reis 6); fez aliança como Senhor (I Reis 9, 1-9); cometeu idolatria (I Reis 11, 1-8); experimentou e manifestou da irritação de Deus (I Reis 11, 9-13). Baseados nestes aspectos, podemos notar que uma boa parte da vida de Salomão, principalmente a partir de sua idolatria, ainda na mocidade, foi vivida longe dos desígnios de Deus, fato que nos ajudará a entender o que o Eclesiastes quer dizer com respeito à vaidade. A palavra vaidade é a chave deste livro e aparece 37 vezes recebendo aqui o sentido de vapor, sopro, bolha, ou seja, coisa passageira de aproveitamento nulo. E era exatamente isto que Salomão estava sentindo quando escreveu este livro, ele sentia que toda a sua vida tinha sido uma corrida atrás do vento, ou seja, sem sentido algum. Salomão classificou algumas obras suas como sendo vaidade, mostrando assim a sua profunda depressão momentânea que não o permitia ver nada de bom naquilo que houvera feito. Até então, e aí podemos elencar, a vaidade da possessão (Ecl 2, 1-11); a vaidade da sabedoria (Ecl 1, 17-18; 2, 12-17). O saber tornou-se um enfado, pelo fato de não Ter sido aplicado como devia, o que trouxe condenação; e finalmente a vaidade do trabalho (Ecl 2, 18-26). O sábio havia perdido a esperança quanto ao futuro de sua posteridade. Ele não havia dado bons exemplos.

Irmãos, se formos observar o escrito de Salomão sem contudo atentarmos para os fatos que o levaram a escrevê-lo, diremos que realmente tudo o que acontece nas nossas vidas, e até o nosso próprio viver é vaidade, é correr atrás do vento?

A resposta a esta pergunta é não, nem tudo é vaidade. Salomão escreveu o que escreveu devido ao seu distanciamento de Deus durante sua mocidade, até aos dias de sua velhice. Não obstante toda a sua sabedoria para reinar e julgar as questões entre o povo, e a sua incalculável riqueza, o sábio "não soube aplicar devidamente sua sabedoria" no que diz respeito ao seu próprio viver, notando apenas, muito mais tarde, que sua vida não tinha valor algum distante de Deus. Ele chegou à sua velhice com um sentimento de vazio muito grande, causado por uma vida desregrada e sem compromisso com as verdades divinas que houvera aprendido. A vaidade da vida não é a vida em si, mas a maneira com a qual se vive a vida. Se vivermos segundo os propósitos de Deus, ainda que sejamos pobres ou incultos em certas áreas , teremos uma vida abundante, do tipo que vale a pena ser vivida, pois é uma vida com Deus. Já, se porventura, optarmos pelo contrário, provavelmente chegaremos ao fim de nossa vida com o mesmo sentimento de vazio que sentiu Salomão, e a vida para nós terá se tornado realmente vaidade das vaidades, um correr atrás do vento. Já vimos o que levou Salomão a sentir-se vazio e agora veremos como nós podemos fazer para vivermos abundantemente sem que nossa vida seja uma profunda vaidade de viver. A palavra de Deus nos ensina que vida abundante é só em Jesus (Jo 10, 10), e este privilégio todos nós já gozamos, porém devemos colocar em prática esta abundância de viver. Em I Cor 10, 31 encontramos uma fórmula de viver-se abundantemente, que é o dar graças em tudo. Em Ecl 12, 1 a Palavra nos exorta a lembrarmo-nos de Deus nos dias da nossa mocidade, e este lembrar significa viver constantemente na presença de Deus. Orar, ler a Bíblia, jejuar e testemunhar são as melhores maneiras de se viver na presença do Senhor.

Sinceramente meus amados irmãos, que tipo de vida temos vivido hoje, uma vaidade de viver ou uma vida abundante em Deus?
Apesar de não sermos tão sábios quanto o rei Salomão, é necessário que saibamos aplicar nossa sabedoria para vivermos abundantemente uma vida com Deus, de tal forma que possamos, futuramente, ou hoje mesmo, olharmos para trás e vermos que não corremos atrás do vento e sim termos a certeza de que o nosso viver valeu e vale a pena em Deus.

Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
 
 
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