Cristologia - Introdução I Para
falar da Pessoa divina de Jesus, d'Aquele que, portanto, sendo Deus se revelou
aos homens mediante a natureza humana assumida pela Encarnação,
devemos nos ater à maneira que os Apóstolos adotaram. O ponto de
partida foi a sua fé na Divindade d'Aquele que ressuscitou dos mortos e
sempre uniram este conhecimento único da Pessoa do Senhor a todas as profecias
que o anunciaram, embora nestas não se pudesse encontrar nenhuma expressa
proclamação da divindade do Cristo do Senhor.[ Há, contudo,
aos menos duas profecias que somente se tornam passíveis de explicação
no seu sentido quando acontece a Encarnação, indicando, dessa forma,
que em si, contêm o anúncio da divindade do Salvador. A primeira
é a de Gn 3,15. Como poderia um descendente da estirpe humana ser capaz
de resgatar a própria humanidade uma vez que todo e cada membro dela tinha
caído sob o domínio da Serpente? O explica a Pessoa humano-divina
de Jesus. Jesus se torna em tudo igual a nós exceto o pecado e, pela condição
da sua Pessoa divina é capaz, pelo sofrimento, de chegar a ser coroado
de honra e de glória enquanto, no meio dos seus irmãos, se torna
o Sumo Sacerdote que entrou no Santuário com o seu sangue, capaz de nos
purificar dos nossos pecados. A segunda é a de Is 7,14. Como poderia acontecer
que um filho de uma jovem mãe pudesse ser o Emanuel, a não ser em
sentido figurativo, como o tinha sido cada juiz que, na força do Deus de
Israel era capaz de feitos extraordinários que alcançavam a libertação
do povo de Deus da opressão dos seus inimigos?] Em geral toda profecia,
enquanto é preparação do Tempo em que se realiza plenamente
o Plano de Deus, fala de Cristo; é a maneira pedagógica com que
Deus prepara a revelação última de si. Por causa disso deve
ser assumida para que cada uma delas se torne um vocábulo bíblico
capaz, mediante a devida modificação à luz do acontecido,
falar d'Aquele que morreu segundo as Escrituras e que ressuscitou segundo as Escrituras.
Com este método, embora exija muito trabalho, executado em espírito
de sabedoria e revelação, sobre a Palavra, é possível
falar de Jesus Cristo de forma adequada, alcançando, assim, todos os tesouros
da sabedoria e da ciência que estão contidos naquele no qual habita
corporalmente a plenitude da divindade. Ele é, como afirma São Paulo,
o Mistério de Deus, isto é, a revelação que Deus faz
de si à altura da capaci-dade humana de entender e, contém tudo
o que Deus é capaz de dizer ao homem, não obstante a linguagem antropomórfica,
analógica e simbólica que ele não pode deixar de adotar,
e que utiliza segundo a sua infinita Sabedoria.
Ao longo da exposição
sobre Cristo Redentor, muitas coisas já foram ditas de Jesus Cristo visto
até como Pessoa divina. Chegou, contudo, a hora de falar dele de forma
direta porque ele mesmo é Deus. Somente enquanto se torna conhecido pela
Encarnação é que começamos a falar dele com os termos
da nossa linguagem humana, nisto ensinados até por ele mesmo. O fato realmente
novo que se soma a toda a revelação do Antigo Testamento é
o da divindade da sua Pessoa, anunciada, até o tempo da sua vinda, simplesmente
como Messias, Redentor e Salvador. Existe nele uma condição peculiar,
qual é aquela de viver, com o Pai e com o Espírito, dos quais ele,
pela primeira vez nos fala como de Pessoas divinas, ele mesmo sendo uma das Pessoas
da Ssma. Trindade. Ele nos descreve a sua condição com o termo de
Filho, tirado da nossa linguagem antropomórfica. Na tentativa de expressar
de forma mais precisa a condição de Jesus como Pessoa da Ssma. Trindade,
João diz dele que, em Deus, ele é a Palavra. Também este
termo tem sua origem na linguagem antropomórfica que o autor de Gn 1 utilizou
para falar de Deus de forma analógica. Somente que, em João, deve
ser entendido relacionado à Pessoa divina de Jesus, qual se revelou pela
Encarnação. Abre-se para nós um mundo grandioso qual é
o da Divindade da qual é possível falar de forma nova porque, ao
manifestar-se, enquanto revela a sua glória pela criação,
na Pessoa de Jesus Cristo revela a sua Natureza Trinitária. Dela, Jesus
é o Resplendor, a Imagem. De toda a Glória divina possível
para ser entendida pelo homem, Deus nos fala pelo Filho. Ele é a sua Palavra,
isto é, a sua Revelação. O discurso, embora feito em linguagem
antropomórfica, enquanto é conduzido pelo próprio Deus, é
extremamente revelador.
Perguntas para uma reflexão:
1ª)
De que forma Deus falou de si aos hebreus?
2ª) De que forma Jesus
nos fala de Deus?
3ª) De que forma o Mistério Trinitário
enriquece o nosso conhecimento de Deus?
Pe. Fernando Capra/CRSP
|