A comemoração a todos os Fiéis
já falecidos dia dois de novembro e a Festa de todos os Santos dia sete,
marcam o início do penúltimo mês do ano. O sufrágio
pelos Mortos é uma das mais antigas celebrações cristãs.
Homenagens aos entes queridos que se foram e para orar especialmente por aqueles
que estavam no purgatório. No céu os parentes e amigos são
intercessores, na antecâmara do paraíso São os beneficiados
com os sacrifícios e preces dos que ainda são viandantes neste mundo.
Os Cristãos, primitivamente recordavam em suas casas, seus mortos. Esse
culto doméstico passou para os templos com o oferecimento sobretudo do
Santo Sacrifício da Missa inclusive nos cemitérios que com o decorrer
do tempo passaram a ser ainda mais visitados. As flores nas tumbas depositadas
são uma significativa homenagem de saudade e de veneração.
A comemoração a todos os fiéis defuntos é altamente
formativa sobre todos os aspectos. Além de participações
nos atos religiosos, proporciona louvável e proveitosa meditação
sobre a morte e a observância dos Mandamentos Todos os pensamentos se voltam
para a Vida Eterna. Data por excelência da gratidão e do amor. Agradecimento
pelos benefícios e exemplos dos que se foram. Dileção, dado
que o amor atravessa as barreiras do tempo e penetra na eternidade. Diz a Bíblia
"Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito,
descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem" (Ap 14, 13).
O
Dia de todos os Santos é dedicado especificamente àqueles que já
gozam da visão beatifica do céu. Nos primeiros séculos cristãos,
o culto dos Santos tinha por objetivo homenagear mormente os Mártires.
Estes primeiros heróis atraíam o fervor e a piedade dos cristãos
nas catacumbas e sobre seus túmulos se celebrava a Missa. Tempos terríveis
das perseguições dos ímpios imperadores romanos. No século
oitavo o papa Gregório III edificou uma Capela ao Divino Salvador, à
sua Mãe Santíssima, aos Apóstolos e a todos os Mártires
e Confessores. Foi o inicio da solenidade dos Santos. Por volta do ano 737 inseriu-se
na Missa uma comemoração a Todos os Santos e no século IX,
o Papa Gregório IV fixou a data comemorativa em primeiro de novembro. Posteriormente,
no século vinte, a solenidade passou para o primeiro domingo de novembro.
O Padre Antônio Vieira, num momento de pulcra inspiração,
asseverou Vindo a Sabedoria Divina em Pessoa e descendo do céu à
terra a ser mestre dos homens, a nova cadeira que instituiu nesta grande universidade
do mundo e a ciência que professou foi só ensinar a ser santos e
nenhuma outra"
O mesmo Vieira lembra que se devemos invocar os santos
de nossa devoção, especialistas em atender em determinadas circunstâncias
ou doenças, não podemos nos esquecer de invocar os bem-aventurados
de nossas famílias que junto do trono de Deus intercedem pelos que os invocam
com confiança e lhes prestam daqui da terra seus sinceros louvores.
Estas
duas comemorações são um convite à limpeza do coração
que é a essência mesma da santidade. O "sim" a Deus que
parte lá do interior de cada um é salvífico, pois traz consigo
o arrependimento de faltas passadas e o propósito de emenda.
É
a reparação de todas as ingratidões para com o Ser Supremo
e de qualquer rebeldia contra sua santa Lei. Trata-se do desejo profundo de corresponder
às graças futuras e de se estar vigilantes contra as insinuações
diabólicas que impedem uma boa e santa morte.
A maior de todas as
riquezas é ser santo. Para tanto basta aborrecer pecados passados e praticar
no presente e no porvir as virtudes, imitando a tenacidade dos Patriarcas, a fé
e a resignação dos Profetas, o zelo e admoestações
dos Apóstolos, os sacrifícios e austeridade dos Confessores, a castidade
e candura das Virgens.
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana - MG
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