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Vamos conhecer a Bíblia|NOVEMBRO

2ª Carta aos Coríntios (2)

Temas de Doutrina


O conteúdo doutrinal, embora não tão rico como em outras epístolas, apresenta todavia não poucos e importantes elementos de doutrina revelada.

Doutrina Trinitária - A ação do Espírito e a ação do Cristo são muitas vezes associadas (1,21; 3,18). De maneira particular se fala no Espírito Santo e na sua missão de santificação, inabitação e iluminação íntima das almas (1,22; 5,5; 13,13; cap 3): é por Ele que os cristãos são transformados de glória em glória (3,18). Assim, Cristo, o Espírito, Deus são postos numa relação muito estreita como em 3,3 "Evidentemente, sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações", e 13,13 "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós". Essas fórmulas esboçam o que, nos séculos posteriores, se chamaria de Trindade, mas elas o fazem insistindo sobre a diversidade e a unidade de ação dos três: Cristo, Deus e o Espírito intervêm na vida dos crentes e da comunidade para conduzir a obra da salvação à sua realização.

Cristologia e Soteriologia - Também aqui Cristo se acha no centro do pensamento Paulino. A abundância das notações "em Cristo" sublinha a relação de comunhão atual, e a fórmula "com Cristo" afirma uma comunhão futura mais estreita após a passagem pela morte e ressurreição. Em 4,4 ele afirma "Cristo é a imagem de Deus" Em uma fórmula única: "Imagem de Deus", o apóstolo exprime o caráter particular da pessoa de Cristo. O Cristo é homem verdadeiro como Adão, imagem de Deus. O Cristo é aquele que revela Deus sobre a terra; Ele é imagem de Deus, isto é, aquele no qual todo homem pode encontrar a Deus. Cristo é essencialmente Redentor e Reconciliador por missão divina (5,18s "Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra de reconciliação").

Os cristãos formam agora com ele uma unidade mística, de modo que se pode afirmar que deveras com ele todos estão mortos e todos por ele devem igualmente viver (5,15 "Ora, ele morreu por todos a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por ele").

Escatologia - Importante também é a doutrina escatológica desenvolvida aqui por Paulo. Diversamente das outras cartas (1 Cor 15; as duas epístolas aos Tessalonicenses), aqui ele considera de preferência a sorte de cada alma individual diante do tribunal de Cristo, depois de sua morte, antes ainda da última Parusia do Senhor (3,1-10). Encontram-se, porém, igualmente notáveis referências à escatologia coletiva (5,17 "Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez uma realidade nova"; 5,10 "Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem seja para o mal"). Paulo confessava suas angustias diante da morte para mais altamente proclamar a sua esperança na ressurreição; o definhar do velho homem seria a condição para o desenvolvimento do homem novo; ressurreição e vida nova constituem um processo que opera paralelamente com definhar e morte (4,11-16) Por isso a vida do cristão tem duas faces: uma exterior, visível, um tanto ilusória, e outra interior, oculta, que é mais verídica, porque derivada da posse da eternidade. Observe-se o paradoxo com que Paulo caracteriza a vida do cristão: "somos considerados como moribundos, e eis que vivemos...
somos considerados como quem nada tem, embora tudo possuamos (6,9s).

Antigo e Novo Testamento - Em torno da figura de Cristo se delineiam a harmonia e, ao mesmo tempo, o contraste entre os dois Testamentos. Cristo é o sim de todas as promessas do Antigo Testamento (1,20 "Todas as promessas de Deus encontraram nele o seu sim: por isto, é por ele que dizemos"Amém" a Deus para a glória de Deus"), no sentido que ele é que as cumpre todas. Paulo considera que a nova aliança anunciada pelo profeta Jeremias (Jr 31,31-33) foi realizada.
Portanto, o Antigo Testamento recebe toda a sua significação no Novo, que não é mais o Testamento da letra, mas do Espírito (3,6). A glória do Antigo Testamento nem mesmo se pode chamar de glória em comparação com a do Novo: Pois, se o transitório foi de certa forma glorioso, muito mais glorioso ainda há de ser o permanente (3,11). É necessário sempre ver esta funcionalidade preparatória e dispositiva do Antigo Testamento em relação ao Novo: de outra forma, faremos como os hebreus que têm como que um véu sobre os olhos quando lêem o mesmo (3,14s). A nova aliança não mais se limita a Israel: dá acesso a todos aqueles nos quais opera a ação do Espírito Santo. Para bem mostrar como essa aliança é verdadeiramente nova, Paulo bosqueja uma comparação impressionante entre a aliança concluída outrora com Moisés e a nova aliança. É a primeira vez que a aliança de Moisés é chamada de Antiga Aliança e os livros sagrados do judaísmo são designados pela expressão: Antigo Testamento (3,14). Ao ter que defender o seu apostolado contra os judaizantes que se tinham infiltrado em Corinto, Paulo ressalta a grandeza da Nova Aliança, da qual é ministro, em comparação com a Antiga, mediante uma série de antíteses: a Antiga é letra que "mata", a Nova espírito que "vivifica"; aquela produz a morte e a condenação, esta dá vida e justiça; aquela é passageira, esta permanece para sempre (cf. 3,6-11). Doravante Deus age nos corações, a era do Espírito começou. A nova aliança não se pode mais petrificar em uma letra (3,6) como foi o caso para a antiga, pois o Espírito vivifica (3,6).

Continua no próximo número

Jane do Térsio
 
 
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